Se temos razão em imaginar que um povo guerreiro tornou-se pacífico e neutro por motivos estritamente práticos, mantendo a seriedade e o pragmatismo com que sempre encarou as questões de fato, assiste igualmente razão a quem imagina, e com boa margem de acerto, que o Ministério Público Suíço jamais informaria ao MPF do Brasil que o Sr. Eduardo Cunha mantém polpudas contas bancárias no país se a informação não traduzisse a mais completa verdade; o Procurador Janot não ofereceria denúncia contra o Presidente da Câmara Federal não estribada em provas cabais. Se aceita a denúncia, o Procurador pedirá o afastamento do Sr. Cunha de suas funções; isso ocorrendo, a questão desbordará da esfera administrativo/policial para o choque de realidade que esvaziará o cenário de circo montado pelo oportunismo do impedimento.

Até onde se sabe, o deputado federal-chefe não é dono de indústrias, de grandes magazines ou produtor rural de porte. De onde poderia ter vindo tanto dinheiro, mesmo considerando as benesses do cargo eletivo e da presidência da Câmara? Sintomaticamente, as figuras mais destacadas do circo guardam distância de câmeras, microfones e noticiário. Mesmo o ex-Presidente FH não estou significando seja ele uma dessas figuras ─ baixou o tom e já considera um encontro com o ex-Presidente Luis Inácio, a própria encarnação do PT, que não pensa em fazê-lo, pese a iniciativa de interlocutores comuns. Sem pretender seja o ilustre intelectual e político um oportunista, foi a partir do Plano Real do estadista Itamar Franco que ele, docemente constrangido, tornou-se Presidente da República.

As oposições raivosas estão a caminho, produto da observação, de perder o chão; moderada a arrogância, estão quase em silêncio.

Fico com Deborah Secco: “(…). Espero que ela (sua filha por nascer) discuta temas importantes com as pessoas que admira, saiba lidar com o desconhecido e tenha coragem suficiente para encarar todas as suas dificuldades com sabedoria.”

É o que desejo às oposições raivosas, que não têm feito nada bem ao Brasil, ainda contando venham nos próximos dias com suas bravatas, somente para provar que estão vivas e que a impressão de atordoamento e desânimo está correta. O aventureirismo e o “falar grosso” para impressionar parecem definitivamente riscados do modo republicano brasileiro; a nação e a democracia amadureceram.

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