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Quando alguém diz “o meu país”, não está significando o espaço físico nos limites de suas fronteiras. A expressão é abrangente às Instituições, à bandeira, à Constituição; traz em si a família, pai e mãe especialmente, os irmãos, os amigos, as esquinas da juventude e das primeiras experiências, todos os conterrâneos e compatriotas, colegas de infância, de colégio, sua gente, afinal, suas esperanças, seus filhos e netos, eventualmente ainda não nascidos. Está falando do seu chão, da certeza de não precisar do chão de ninguém porque tem o seu próprio, que, se não for bom, ou não estiver bom, poderá ser modificado com sua paciência, seu talento, seu esforço, sacrifício, mesmo, sua honestidade pessoal, os olhos postos na ordem legal e constitucional nos tempos que virão e poderão ser de mudanças, assim o exigirem as circunstâncias, assim entenda quem tem a arma adequada para isso. Estou falando do voto, o instrumento exclusivo e decente, válido e honrado existente para mudar conceitos, ideias e métodos em uma democracia, único sistema de governo que permite, mesmo, dela falem mal, e até a tentem destruir, porque o verdadeiro democrata não teme o confronto de ideias, a grandeza da liberdade e o império da lei.

Tem gente confundindo as coisas; tem gente fazendo-se de desentendida para subverter a ordem e comprometer os valores democráticos, as Instituições, a própria Constituição, que pode propor mudanças em seu texto, mas não o faz porque prefere a baderna, a bagunça, águas turvas nas quais possa lançar sua linha com alguma chance, a chance da subserviência, do conluio, da conspiração, elementos dos incapazes com a abjeta vocação do bridão. Há quem não saiba ser livre, há quem não goste de ser livre, há quem deteste a liberdade dos outros; liberdade requer algo muito especial, rarefeito. Contracenavam Denzel Washington e Bruce Willis, seus personagens discordavam em questão importante. O personagem do Sr. Willis perguntou:

Você está duvidando do meu patriotismoNão, eu estou duvidando é do seu equilíbrio, respondeu o personagem do Sr. Washington. (As palavras na tradução brasileira podem não ter sido fielmente estas, eu estava acompanhando o diálogo no original, abstraídas as legendas)

Há funções que exigem de quem as exerce, além de patriotismo, o equilíbrio sem o qual certas prerrogativas dos cargos exercidos podem contribuir para colocar em risco valores inestimáveis, a Constituição, por exemplo, que não comporta ser institucionalmente desrespeitada, renegada, notadamente de modo grosseiro. Renegá-la, ademais de quaisquer considerações, é faltar ao respeito a tudo aquilo que a expressão “o meu país” traz em seu bojo.

Jamais confie em quem renega o próprio país.

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