O cérebro humano é um processador de dados encapsulado numa carcaça óssea para protegê-lo; uma delicada joia, muito estudada e não completamente classificada, ele comanda maníacos, psicopatas, criminosos de todos os matizes, enroladores do tipo “veja bem”, canalhas de todos os naipes, gente mal-intencionada em geral, mentirosos, arrivistas, oportunistas, golpistas, dissimulados, incompetentes, nulidades, bocós, gente que tem gozos com equipamentos alheios, estações repetidoras e instrumentos humanos, degenerados de espécies diversas e muita, muita gente honesta, competente e realizadora. E tem os seus meandros, muitas vezes obscuros, dependendo de quem comande.

Finalizar o Orçamento de 2016 é pura questão de sobrevivência, manter o barco na tona no ínterim de um planejamento adequado para chegar ao porto de destino. Para início de conversa, impõe cessar o bla-bla-bla e agir. Só há duas maneiras de equilibrar contas: Cortar despesas, não investimentos, ou aumentar impostos; e como a virtude está sempre no centro, a combinação das duas coisas é altamente recomendada, corte de despesas de um lado, que não pode se circunscrever ao Executivo, e o aumento necessário de impostos quando os cortes atingirem ponto limite. A experiência na elaboração de orçamentos sugere que, se todas as alocações de despesas ౼ e mesmo os custos de atividades dispensáveis sem prejuízo do fim operacional ౼ se espraiam por todas as rubricas de todas as áreas do empreendimento, os cortes necessários devem considerar igualmente todas elas; na hipótese, trocando em miúdos, além do Executivo, Judiciário e Legislativo devem, números colocados sobre a mesa, sofrer cortes. O momento é de adequação orçamentária, nenhuma área pode ser privilegiada em detrimento de outra. Em todas elas há valores “cortáveis”, com destaque para o Legislativo e suas horas extras, por exemplo e para começar; para ser ‘original’, de repente elas são apenas a ponta do iceberg.

Cortem-se todas as verbas de publicidade. Todas. Nenhum dos 3 poderes tem de fazer propaganda, especialmente os de cargos eletivos; se quiserem merecer os favores do eleitor trabalhem objetivamente para que ele sinta e perceba melhorias no seu dia a dia. Ajuste-se racionalizar as atividades, no Congresso, por exemplo. Não é de nenhum modo improvável que o quadro de pessoal possa ser significativamente reduzido. Não é trabalho para políticos e apaniguados, ou burocratas, mas para especialistas habituados a serem cobrados e apresentarem resultados, gente acostumada a trabalhar sob pressão.

͢E se for para fazer a coisa certa, é bem possível que consultores da área, com sólida experiência nesse tipo de trabalho, o façam pela metade do preço, sendo necessário extremo cuidado com a contratação, que deve ser feita por quem está habituado a fazê-lo na área privada de Consultoria. Alguns Consultores são capazes de trabalhar sem remuneração, apenas com uma ajuda de custo que lhes assegure hospedagem e alimentação decente, além das passagens aéreas. Aqui podem entrar os aposentados do ramo; tem um bocado de gente boa nisso, louca para ter alguma coisa útil e séria para fazer. São recomendáveis profissionais estranhos ao circuito local e uma contabilidade para controlar os custos e auditar a aplicação dos fundos, à qual há de ser dada ampla publicidade.

E quanto à retomada da atividade industrial, com todos os seus reflexos, não tem vudu; o cenário externo é decididamente incerto, China desacelerando e exportação de commodities  ౼ um dos “pecados” da nossa política exportadora ౼, nela praticamente centralizada, caindo. Resta o mercado interno, carente de itens diversos sem conta. É uma boa aposta, com excelente grau de absorção de produtos os mais diversos. Hora de cessarem também nessa seara o bla-bla-bla e as reflexões sinuosas, faça-se uma tomada de posição para identificar as melhores possibilidades e estabelecer as prioridades de consumo em todos os segmentos sociais. Uma política industrial deve ser racionalmente formulada, privilegiando-se as simplificações necessárias e possíveis, investindo-se no mercado consumidor com preços justos, civilizados, no mercado vendedor e nos meios de produção.

Aqui se faz um brevíssimo esboço, o tema é longo e complexo, mas complexidade não implica impossibilidade para quem é do ramo. Os políticos e as deformações políticas devem ser mantidos à distância.

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Ser competente é preciso; se todos os incompetentes tivessem de mudar de país, a ONU teria de intervir e tratados específicos seriam necessários no que poderia ser chamado de Revoada Mundial da Incompetência. Normalmente as nulidades, que precisam ser corretamente identificadas para evitar injustiças, não são criminosas ou más cidadãs. São apenas nulidades.

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