Se encontrarem alguma inconveniência no blog, eximo-me de responsabilidade. O relógio da máquina marca agora 20:48 e eu estou desde as 18:30 lutando para postar o artigo abaixo. No ínterim aconteceram coisas muito estranhas. Para variar.

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Tive bom tempo na cabeça tentar reunir aposentados de todas as áreas profissionais – Consultores, Executivos, Médicos, Advogados, Engenheiros, Operários de alto padrão técnico, etc. -– para formar um grupo de Consultoria às empresas que se quisessem de fato profissionalizar. Não haveria hierarquias ou remuneração pelo trabalho realizado. Em linhas gerais, depois de enviado o curriculo ou curriculos e estabelecer um acordo verbal, o Consultor-Convidado viajaria com sua mulher a empresas estabelecidas em cidades fora do seu local de residência, trabalharia 4 horas por dia, podendo a jornada ser ampliada por decisão sua, conforme o volume de trabalho, ou por acordo com a empresa. Sua tarefa seria a formação de conceitos, definição, supervisão e orientação de análises estruturais e operacionais, proposição de rotinas de trabalho, supervisão de sua manualização e implantação e, especialmente, selecionar um ou mais funcionários para treinamento teórico e prático para deixar na empresa um núcleo preparado, de fato, para administrar, gerenciar e/ou executar as atividade de sua área. O Consultor-Convidado ficaria com o resto do dia para conhecer a cidade, e, nos finais de semana, as cidades vizinhas; não haveria remuneração, ele teria, apenas, as despesas de hospedagem e alimentação de bom padrão pagas, podendo ser estudado o estabelecimento de diárias para esse fim, considerado o aspecto fiscal, prolongando-se a estadia pelo tempo de interesse das partes, que conduziriam o assunto no mais alto nível, com a certeza legal de não se constituir qualquer vínculo trabalhista.

Isso não é novo. Nos Estados Unidos é feito há muito tempo e o quadro geral é de satisfação recíproca. Tem-se a impressão, às vezes, que dificilmente fora daquele país alguém imaginasse alguma coisa na área de gerência e consultoria lá já não ideada e aplicada. É natural para o país que nasceu de uma empresa; foi a partir de Jamestown, na Virgínia, a primeira experiência inglesa a dar certo no território da colônia que nasceram os fundamentos da nação norte-americana e os Estados Unidos como o país que conhecemos, inclusive a veia expansora. Com a planta do fumo na raiz de tudo, John Rolfe e Pocahontas – que não é mera personagem de histórias românticas, mas uma princesa nativa real que se casou com o Inglês – numa ponta, e a busca de uma rota direta para o Pacífico com o fito de alcançar a China, na outra, as coisas começaram a acontecer e a gerar desdobramentos que chegaram até os tempos atuais, como a mobilidade das famílias, a independência de seus filhos, a busca permanente pelos negócios e pelo dinheiro, o ordenamento das atividades, o rigor da lei num país de imigrantes, duro e competitivo, por consequência, a decisão de qualquer coisa pelo voto, entre outras características muito próprias. E a religião, intransigente, por trás de tudo, decorrência do Mayflower e seus pioneiros.

De certo modo eles anteciparam o Inglês Thomas Malthus, que na década de 40 dos anos 1800 formulou a teoria conhecida como Armadilha Malthusiana, consistida, basicamente, em que o que quer se fizesse para aumentar a oferta de alimentos aumentaria a população, anulando a oferta, aumentando e agravando o estado anterior do problema de necessidade alimentar. Nesse quadro, ajudar os pobres resulta aumentar o nascimento de crianças carentes, aumentando o espectro de pobreza, com todos os seus concorrentes. Por mais que se disponibilizem alimentos, haverá sempre gente com fome em graciosa busca do que comer. Esta é a armadilha, da qual, pelo menos em princípio, se livraram os americanos. No começo da década de 90 dos anos 1800 mandaram Marx às favas e consagraram a regra de quem quiser comer tem de trabalhar para consegui-lo, e que, trabalhando, os pobres melhorariam o seu padrão de vida e gastariam, injetando dinheiro no mercado, que estimularia a criação de mais negócios – no cerne do pensamento norte-americano –, a geração de mais empregos. Isso aplicado, a produção crescendo exponencialmente, os excedentes forçaram a busca por novos mercados, nacionais, de início, e além-mar, depois, aumentando a riqueza e a influência do país no exterior. Leia isso com atenção e pare com a bobagem de comparar o Brasil com os Estados Unidos. Os portugueses até que andaram timidamente por lá, mas não houve clima para eles, sob nenhum aspecto; desde os primórdios a visão foi republicana, a religião dominante protestante e não se criava quem não fosse afeito ao trabalho.

Bem, seguinte: Certas coisas só funcionam num país onde o filho da Professora, do Contador está louco para ganhar o próprio dinheiro, não importando de início se entregando jornais, ajudando o merceeiro, ou, já na high school, trabalhando como garçon nas férias escolares. Ele quer ter dinheiro para cuidar, logo, da própria vida. E os pais estimulam. O trabalho é honesto? Não importa qual seja. Você tem mesmo é de cuidar de sua vida. Toda a retaguarda, mas, vá à luta. Eu não falo da coisa em si, falo da cabeça da galera.

Mas, caramba!, continua sendo uma pena desperdiçar, atirar no lixo o algumas vezes apreciável cabedal profissional e cultural formado em anos de trabalho e estudo quando as pessoas se aposentam. Vivemos tempos absurdos; a Sociedade atual é fruto do conflito de gerações dos anos 60/70 do século passado, um conflito fabricado por interesses diversos para criar um abismo entre filhos e pais, entre outras coisas porque o brasileiro médio, até esse período, tinha a ‘esquisita’ mania de ser patriota, ‘mania’ esta que passou a ser ridicularizada. Os filhos passaram a ser jogados contra os pais de diversas formas – e está na estrada um grupo de víboras que continua fazendo isso. A família começou a despedaçar-se e o resultado está aí, que as tais víboras laboram por manter. A razão de tudo isso? Well, para ficar no contexto, por que você, aposentado, e os mais velhos de uma maneira geral, não cria um blog e passa a distribuir toda a experiência profissional e cultural acumulada, inclusive de vida, em tanto tempo de estrada e de trabalho? Faça isso da forma que bem entender, na linguagem que quiser, de preferência numa frequência certa para que as pessoas saibam que, nela, você estará lá com coisas úteis, Não espere unanimidade. Há por aí uma quantidade de gente arrogante, verdadeiros pilantras, que farão tudo para desmerecer o que você fizer, que não quer esse negócio de cultura, patriotismo, competência, vergonha na cara, amor-próprio, independência. Não se preocupe; é justamente para restaurar valores que nós, os mais velhos, temos um papel. É maravilhoso ver brilharem os olhos de um jovem e ouvi-lo, ou sabê-lo, exclamar: “E eu, que nunca havia pensado em nada disso!”

Vamos, crie o seu blog, divida, especialmente com os jovens, todo o patrimônio profissional, cultural, moral, ético, de nacionalidade e costumes formado por você. A internet também pode ter coisas boas e está esperando pelo que você tem a dizer, certamente muita coisa boa.

E os pilantras? Ora os pilantras!…

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