O que move o homem? A palavra homem é aqui empregada no sentido do Ava judaico, o gênero humano, não com o enganoso sentido de nome feminino, Eva, que serviu a respeitáveis senhores para formular a história da maçã e do pecado que seduziu ignorantes e crédulos, para depois dominá-los e explora-los. E queimar vivo quem não a engolisse.

O homem é movido, ora!, por suas pernas e músculos, por seu desejo de conquistas, por seus planos de riqueza e poder, dirá o pragmático. Pragmatismo é aquela figura existencial de William James, filho do Henry James mais velho, homem financeiramente independente que dedicou a maior parte de sua vida a desenvolver uma teologia filosófica profunda, mas exótica, segundo Joseph Blau. E, como eu ouvia quando bem menino no interior, a casca não salta longe do pau. William, um tanto filhinho de papai rico, girou, rodou, quis ser artista e acabou sentado na cadeira titular de Fisiologia, em Harvard, no ano de 1872. Papai fazia generosas doações à Universidade; imagine-se que curso de Medicina terá feito! Embora seduzido, depois, pela então chamada psicologia fisiológica, preferiu continuar brincando, aí já com a cabeça das pessoas, de forma subjetiva e pessoal. Blau escreveu de James, quanto às formas de pragmatismo, que o significado e a verdade de uma proposição acham-se no futuro, de preferência no passado. Para ele, James, o significado de uma proposição deve ser encontrado em suas consequências particulares, nas experiências práticas futuras, mesmo que, para você, esse mesmo significado desponte em sua natureza futura. Traduzindo: Pragmatismo é uma mixórdia de passado e futuro em que o presente não serve para nada, senão para dar ao que exista o significado que melhor se ajuste ao uso que dele possa ou queira você fazer. Esse negócio de verdade no pragmatismo é uma coisa muito relativa. No meu dicionário tem outro nome.

Para Hobbes, Thomas, o homem é movido pelo que é necessário para sua entrada no reino de Deus, restando expectativas quanto às ordens de Deus para consegui-lo. Em Leviatã Hobbes não foge da questão maior: A dificuldade do homem quando recebe ordens em nome de Deus é não saber se a ordem vem de Deus ou se aquele que ordena, por certo um pragmático, observo, o faz abusando do nome de Deus para algum fim próprio e particular. Minha sugestão: Complicado esse quesito, peça a Deus um tempinho e aja conforme a lei, a ética e a moral; a entrada no reino do Deus do pragmático até vai ficar um pouquinho difícil, mas eu garanto que a sua consciência de homem de bem estará em paz e lhe conferirá as forças necessárias para segurar os trancos, provocações e dificuldades opostas pela tropa do farinha pouca, meu pirão primeiro, que não se conforma com que você não forme em suas fileiras.

Não sem um pouco refletir disse eu que o quesito reino de Deus é complicado. Ernest Renan mostra um reino de Deus concebido como exaltação para os pobres, mas observa que a vida nutrida de ar e luz no comunismo inofensivo de uma turma de filhos de Deus vivendo aconchegados no seio do Pai podia convir a uma seita ingênua persuadida em sua utopia. Mas é claro, diz ele, que tais princípios não podiam unificar toda a Sociedade. Danadinho de pragmático esse Renan, não é? Pois, digo eu, nem as Religiões. E digo-lhe, eu nada tenho de pragmático. Dê uma olhadinha na pompa, circunstância e poder por elas ostentado, a começar lá atrás, quando mandaram para a fogueira os 4 últimos amigos de Francisco de Assis que defenderam a vida como a teria vivido Jesus de Nazaré, na pobreza e na virtude, e, mais, que os apóstolos não tinham bens materiais. Foram declarados heréticos pelo Papa. Será que Sua Santidade sabia de coisas que nós não sabemos? Porque nunca foram ditas? Meu toque: Se você vive e trabalha honestamente — sei que é difícil, mas não custa tentar. E persistir — não há porque não viver em paz consigo. “Nada é melhor para o homem do que comer, beber e fazer com que a sua alma goze o bem do seu trabalho. No entanto, vi, também, que isso vem da mão de Deus” (Eclesiastes 3:24). “Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol; porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te afadigaste debaixo do sol” (Idem 9:9).

Possivelmente voltarei ao assunto. Enquanto isso, se quiser saber quem realmente é você, mergulhe fundo em si próprio e identifique o que o move. Isto é você. Não poucas pessoas — na verdade, às vezes, parece não haver outro tipo delas — são movidas pelo instinto. Vivemos no meio delas e se você não souber muito bem quem é acabará achando ser perfeitamente natural comportar-se, agir, como elas se comportam e agem. Se você for uma delas? Bem, sua cabeça, seu guia. Será apenas mais uma na manada.
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