Vantagem Comparativa é o princípio econômico orientador das políticas de livre comércio, e.g., a China produz bens de capital exportáveis a custo adequado, necessários ao Brasil, que tem os minérios e produtos siderúrgicos crus necessários à China, que não os tem, tem-nos insuficientes ou a custos inadequados. A China vender bens de capital ao Brasil, e este exportar-lhe minério ou ferro cru, é comparativamente vantajoso para ambos os países, sempre num contexto compensatório e de equilíbrio das respectivas balanças, sem desvantagem para a economia mais frágil. É a consagração da regra só é bom quando é bom para ambas as partes ou para todas as partes.

O princípio da vantagem comparativa se desvia nas zonas de influência surgidas em função do poder econômico/político dominante; o comércio daí decorrente, longe de ser livre, mais serve às economias desenvolvidas na busca de mercados para colocação dos excedentes de produção da capacidade instalada superior às suas necessidades e alargamento de sua capacidade de emprego, do que às economias menores, canibalizadas pelas economias mais fortes com prejuízo para a sua produção/nível de emprego, e risco, mesmo, a longo prazo, de sua própria independência, tendendo a transformar os países que embarcam nessa aventura em colônias culturais que geralmente se tornam colônias comerciais. O princípio da vantagem comparativa só labora em pleno vigor quando os interesses são recíprocos, caso a caso, especialmente entre economias desenvolvidas. Os elementos norteadores são o respeito e os custos. Adequados.

A semana ontem finda foi pródiga em inadequações. Manifestação do ministro Levy: ‘Não adianta subir os juros, se vem alguém e expande o crédito’. “Alguém”, na hipótese, em última análise, é a Chefe do ministro que anda falando demais, pelo menos em público, contribuindo para o aumento das tensões e alimentando o desencanto cuidadosa e meticulosamente cultivado, sabe-se lá por quais interesses, além dos políticos, de nível altamente discutível. A Chefe do ministro, de seu turno, gerou o desencanto ao fugir da graduação de preços de produtos essenciais, adotando uma estratégia equivocada. O que menos serve ao país, todavia, é o ministério base jogando para a torcida, desestabilizando, criando pânico.

Por oportuno, refiro meus artigos publicados neste blog. Queira ver:

• Uma Reflexão Sobre o Controle da Inflação – 02 de Novembro de 2011
• Inflação, Resultados, Custo e Controles. Controladoria – 09 de Novembro de 2011
• E As Nossas Indústrias, Os Nossos Industriais? Vão ficar Assistindo? 08 de Fevereiro de 2012
• Os Rumos da Economia e do País – 27 de Maio de 2012
• Crescimento e Inflação – 03 de Junho de 2012
• Prós e Contras da Autonomia do Banco Central do Brasil. Do Brasil… – 15 de Setembro de 2014

Queira ler, refletindo, os 2 últimos parágrafos do artigo de quarta-feira, 08 de Fevereiro de 2012. O artigo de quarta-feira, 02 de Novembro de 2011, é sugestivo. Transcrevo o terceiro e o quarto parágrafo:

“A desaceleração econômica não é remédio para coisa nenhuma, mas estímulo para a cultura do produzir menos do que necessita o mercado consumidor para não se fazerem maiores investimentos e assegurar lucros maiores com quantidades menores de produtos à venda, o que eleva o seu preço para o consumidor final.

O problema da inflação não é monetário – ah, esse monetarismo! –, pelo menos não é para ser enfrentado essencialmente por meio do controle da moeda. A inflação é de demanda e taxas altas de juros não ajudam intrinsecamente em nada, são paliativos. Juros abusivos e dólar no alto dificultam o aparelhamento e a modernização do parque industrial, afetando indiretamente a produção e o custo em uma sequência perversa: produção menor/custos altos/redução do consumo = trava no desenvolvimento, resultando mesmice na indústria e redução da oferta geral de emprego. Há vagas disponíveis no mercado de trabalho? Sim, há, para funções mais técnicas; é necessário lembrar, contudo, dos serviços gerais e das atividades de baixa especialização que constituem a base da pirâmide funcional (o analista de contas, o almoxarife, o pessoal que executa a manutenção, o funcionário de linha em geral).”

Não há instabilidade política, existem divergências partidárias em cuja raiz não estão os interesses do país, que pede e precisa de mais ação e menos declarações, críticas ou não, mais competência, largueza de visão e desapego dos procedimentos-padrão e academismos. Precisa-se do trato adequado de nossas realidades e atualidades, lembrando o saudoso Joelmir Beting, sem sinistroses.
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