• Anônimo

Sábado, 11 de Abril, 16:08: Meu celular toca, quando abro desliga. Fica um recado:Dentro de 1 hora, quando eu sair. Número registrado do telefone que chamou: (031)3389-1650. Nome de quem chamou: Anônimo.

Não conheço esse telefone, nada trato anonimamente. Recebo mensagens e converso com pessoas por meios diversos, todas conhecidas e que se identificam quando me contatam. Faz pouquíssimo tempo que tenho a minha linha de celular e informei o seu número a apenas duas pessoas

Como obteve o número quem ligou, e qual a finalidade dessa chamada? Ah, acontece todo dia com todo mundo? Que bom!… Fica o registro. Ligar para o número que chamou? Nem pensar; anda acontecendo cada coisa!…

• Inveja
• Frustração

O invejoso amarga arraigado sentimento de inferioridade e desgosto face ao talento, à felicidade alheia, o desejo, às vezes ardente, de ser como o outro. Quando não consegue se frustra, é tomado pelo ingrato desiderato de destruir o objeto de sua infelicidade; só conseguirá, morbidamente, ser feliz se destruir o outro. Bety Orsini é para mim leitura obrigatória dos sábados — O Globo Niterói, página 2. Em sua coluna deste sábado, 11, abordando o assunto, referiu conversa com um seu amigo, o psicanalista Carlos Eduardo Leal, acrescendo o ciúme e o ressentimento aos dois títulos desta seção. Peço licença para transcrever o parágrafo final:

Para Leal, quando alguém tenta destruir a palavra escrita do outro (um jornalista ao qual é atribuído um poder midiático), o que se faz é demonstrar a raiva narcísica de ter sido preterido em função de outro leitor. Querer apagar a palavra do outro é tentar impedir que outros leiam aquilo que ele só quereria para ele. Ao denegrir, tenta duplamente ter sucesso em sua empreitada: impedir (na verdade, impedir) que outros leiam e retirar o escritor de seu lugar de poder. O invejoso no fundo é uma criança egoísta que enxerga tudo através da microfísica do poder. Trocando em miúdos: a inveja mata e, muitas vezes, nos torna ridículos.

A frase final, além de lapidar, é antológica. Há, na pista, um bocado de gente precisando refletir sobre ela.

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