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GOD IS NOT A DELUSION – (31)/UM DESCRENTE PROFUNDAMENTE RELIGIOSO – Clique por favor no link em vermelho

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photoFoto: Vallejo

 

Paraty é um sítio turístico; a cidade vive do turismo. A dúvida é, a despeito disso, se vive para o turismo.

A foto acima é da muito antiga “fonte” na qual a população dos tempos coloniais se abastecia de água. Os seus restos estão no centro do Largo de Santa Rita. É uma peça histórica, de certo modo um monumento. Nenhuma placa informando a respeito dela; os seus ‘restos’ estão lá exatamente como restos, o mato em sua base, total abandono, puro descaso. Não é, não pode ser, questão de verba. O que custa uma placa? Nada, neste caso. Qualquer um de nós cobriria o seu custo, provavelmente uma ‘merreca’, mas ninguém na Municipalidade se lembra disso. Se pedirem aos turistas que a limpem do mato, certamente aparecerão muitos candidatos. Sem custo. Quem ganha para isso não poderia tratá-la melhor?

Em torno da praça a velha igreja, em reforma, a Rua Dona Geralda, onde Leila Diniz tinha casa, que deveria ser tombada e constar dos guias turísticos, como a “fonte”. Os Amaral Peixoto, entre outras figuras públicas, eram figuras praticamente locais. A Cadeia Pública original está lá, o Fórum, em um prédio colonial, está muito próximo. O manguezal, do lado direito de quem olha para o mar, está sendo “engolido”; os manguezais em frente, do outro lado, acabaram há muito tempo. Pegue a Rua da Praia, ao lado direito da Praça de Santa Rita, junto ao mar, e suba por ela. Um cenário colonial em toda a sua extensão. O casario, de particulares, muito bem conservado. O que é público também é história. Mal conservada e muito mal cultivada.

Quem for até lá procure Benedito José, um senhor aposentado que mantém atracado ao cais um barco para passeios pela Baía de Paraty. Nascido junto à Serra, fez dali o seu lugar há muitos, muitos anos, e tem um bocado de história para contar, inclusive de suas participações como extra em filmes rodados na região, entre eles “Como era Gostoso o Meu Francês”, papo de canibal.

Disse o profeta: Para antever o futuro é preciso saber olhar o passado. Não custa dizer: Um local específico, uma cidade, um país que trata com descaso o seu passado revela absoluta falta de vocação/competência para construir um futuro. Não é atoa que tudo por aqui é circunstancial, por acaso, provisório, descompromissado, sem vínculos efetivos, duradouros e firmes com a memória, porque inexistente, na qual, verdadeiramente, parece, ninguém está interessado. É entristecedor.

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