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GOD IS NOT A DELUSION – (29)
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Conforme Damien Parmentier – Parmentier, Abbayes des Vosges-Quinze siècles d’histoire, La Nuée Bleue/DNA, Strasbourg (Fr), 2012, em minha estante por cortesia e generosidade de André Vallejo, que me trouxe de presente o livro de Estrasburgo -, os Vosges têm, hoje, 11 Conventos, 7 ruínas de Abadias, 6 comunidades conventuais ativas e 20 antigas igrejas abadiais ou capitulares. O historiador compôs uma obra preciosa, de textos claros e ilustrações primorosas que conduzem o leitor, proporcionando-lhe, além de <<viagem>> turística do mais alto nível, uma visão bastante abrangente das várias tendências marcantes da religião, os beneditinos de Andlau, a Baumgarten dos cisterciences – a cuja Ordem pertenceu Bernard de Clairvaux -, Guebwiller dos dominicanos, outras, e outras, para chegar, após gratificante caminhada, a Truttenhausen, construída por Herrade de Hohenbourg para abrigar peregrinos a caminho de Santiago de Compostela.

É uma história de 15 séculos contada pelos símbolos da colonização monástica dos Montes dos Vosges.

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Em 590, o monge irlandês Colomban fundou em Lexeuil o primeiro monastério dos Vosges. No seu rastro, e ao longo de toda a Idade Média, o maciço vosgiano cobriu-se de um <<branco lençol>> de abadias, conventos e monastérios, constituindo um verdadeiro Mont Athos ocidental.

Estabelecimentos religiosos e expressão do poder senhorial, as abadias vosgianas reinaram sobre vastos territórios, possuíram cidades inteiras e conduziram a vida de milhares de pessoas. Os monges e as monjas desbravaram e administraram a floresta, cultivaram campos e vinhas, tangeraram rebanhos montanhas acima, exploraram minas e comerciaram com toda a Europa. Eram os beneditinos, os dominicanos, os sucessores de Norbert, fundador da Ordem dos prémontrés em 1120, e os cistercienses, de língua germânica ou romana, compondo uma rede ativa e complexa, estendida continuamente malgrado as vicissitudes da história até o desapossamento brutal pela Revolução Francesa.

Oratórios imersos no coração da montanha, as abadias dos Vosges foram também centros de esplendorosa erudição e arte, produzindo nos seus scriptoria manuscritos litúrgicos de incomparável beleza – como em Murbach, Pairis, Moyenmoutier ou Remiremont -, abrigando em suas imensas bibliotecas o saber do mundo inteiro e criando tesouros de arquitetura, escultura e pintura.

Depois da destruição provocada pela Revolução e da dispersão dos monges, diversas construções serviram no século XIX de reservas de materiais ou foram utilizadas pela nascente indústria textil, como em Munster ou Senones. Depois, lentamente, após um declínio generalizado, alguns dos estabelecimentos religiosos voltaram a florescer (Mont-Sainte-Odile, Lepuix-Gy, Trois-Épis). Outros deles são, hoje, suportes culturais de prestígio, como no caso dos Dominicanos de Guebwiller ou das três abadias de Senones, Moyenmoutier e Étival, valorizando o patrimônio cultural e turístico das montanhas localizadas nas bordas de três regiões, Alsácia, Lorraine e Franche-Comté.

Graças ao excelente trabalho de síntese do historiador Damien Parmentier, autor de diversas obras de referência sobre os Vosges, este livro assinala, com relação às trinta e oito abadias do maciço, o incomparável brilho que as fez luzir por mais de um milênio.

(Obra citada, texto da contracapa – Tradução do blog)

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Disse o poeta maldito: “A mão que afaga é a mesma que apedreja”. Para os efeitos desta postagem, invertamos os termos da citação, parafraseando o poeta: A mão que apedrejou foi a mesma que criou beleza, cultura e arte. Dessas contradições humanas!…

Vale a pena a viagem real, de corpo presente. Uma dica: Agence de développement touristique de Haute-Alsace.

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