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GOD IS NOT A DELUSION – (26)
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DA NOITE, DO AMOR E DA VIDA

 

A noite chega de mansinho no inverno tropical, agradável, acolhedor. E sonhos vêm com ela. Para os conturbados do espírito, é antessala do inferno de mil demônios, possessão de fantasmas errantes com o seu arrastar de correntes e seus gemidos sepulcrais perdidos na solidão psíquica dos desvairados. Para os aquietados do espírito, belezas aladas cruzam-na, suaves, de mãos dadas com os mais delicados sonhos; ela é repouso de desvelos e antevisão de esperanças, prelúdio de dias docemente ensolarados. A luz é gerada em suas entranhas e parida nas manhãs, ainda o tempo carrancudo, dos iluminados do bem.

E os sonhos dos iluminados do bem induzem o amor, mesmo por imagens indistintas, fugidias, dessas cujos beijos, ansiados, nunca dados, perderam-se por nada, apenas porque foram beijos anelados, não vividos. Há que se amar essas sombras porque são promessas de amor, afagar-lhes os cabelos virtuais esvoaçantes à brisa noturna, contornar-lhes os imaginários olhos luminosos de adoráveis expectativas com um toque delicado, como a redesenhá-los, tocar-lhes os indistinguíveis lábios, esperançosos de dádivas, em beijos táteis. Há que se amá-las até a exaustão dos sonhos, porque o deles desistir é morte em vida que nos faz cadáveres insepultos, como os que não sonham, nunca sonharam, são pragmáticos, pessoas “sérias”, como se à seriedade fosse negado o inato pendor para a imensidão do belo ínsito aos humanos, em que pese soterrado, vezes há, por montanhas de rotina e banalidades.

Não se há de renunciar à luz perene gerada nas noites suaves dos sonhos sonhados pelos espíritos venturosos. É fundamental quererem-se eternidades, vagarem-se interseções temporais em busca até mesmo de uma sombra. O vazio do amor é algo enlouquecedor, uma agonia, forma de ansiar por infernos. Para que existências se não for para vivê-lo honesta e lealmente, com entrega e cumplicidade?

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