GOD IS NOT A DELUSION – (20)_Continuação
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A honra e a dignidade, irmãs gêmeas, são atributos intrinsecamente humanos. De uma ameba não se cogita honra ou dignidade, assim como de um porco-espinho ou de um verme. Inversamente, na ausência da honra e da dignidade, o indivíduo da espécie homo é apenas o mamífero vertical exposto a si mesmo. O ser homem pura e simplesmente está aquém do ser humano, que é apenas mero detalhe da espécie enquanto não evolui para o homem-irmão. E o que é o homem-irmão?

(…)

Chega a ser primário combater Deus, especialmente quando se O combate como a um delinquente que tem, ou devesse ter, CPF, documento de identidade, cédula de motorista, cor de olhos e de cabelos, altura, peso e endereço certo. É tão difícil perceber que, por ser uma ideia, Ele é imbatível? Ideias são as ameaças mais temidas por vocações e regimes totalitários, cruéis e intolerantes História afora, objeto de ódio irracional os livros que as contêm e divulgam. Pode-se fazer a conta de quantos morreram nas garras das Inquisições por suas ideias? Impossível combatê-las, exterminavam-se quem as professavam. O autor de The God/Deus personifica o Inquisidor ao reverso, com as limitações, claro, de não estarmos na idade média, mas no século 21, embora certas práticas e comportamentos retrógrados.

Quando arraigadamente poderosas, as ideias compreendem uma das raras manifestações humanas que podem ser eternas quando se transformam em legado às gerações posteriores, futuras; agem como tresloucados os supostos combatentes contra Deus.

Acaso imaginam tais pobres homens que todos os frequentadores de sinagogas, templos, igrejas, locais diversos de cultos de toda sorte pensam em Deus como algo palpável, uma existência, um fato? Disse don Miguel de Unamuno, com o seu domínio da síntese, que Deus precisa do homem para existir; pois, pergunto eu, onde mais pode Ele existir senão – outro atributo essencialmente humano – na consciência?, grandioso e magnífico quando projetado a partir de sentimentos nobres; se existe naqueles que ainda não deram o passo em direção ao espírito, alter ego da consciência, Ele existe na alma, pelo instinto, que O pode projetar útil e serviçal, mesquinho, sátrapa e hipócrita porque assim são os humanos de baixas inclinações, incapazes do que quer se inspire na nobreza de sentimentos. Este quadro decorre da velha doutrina da dualidade e do antigo princípio de que o diabo é parte de Deus, os dois uma só entidade capaz de todas as belezas, mas artífice, também, do que de mais sórdido possa existir, tudo com fulcro em uma ideia, apenas uma ideia que pode ser levada aonde queira o homem, expressão por excelência dessa ambiguidade.

 cruz

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