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God Is Not A Delusion (6)
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THE GOD HYPHOTESIS – The God Delusion, pp. 51 e seguintes
A HIPÓTESE DE QUE DEUS EXISTE – Deus, Um Delírio, pp. 55 e seguintes
 
 
 

Este capítulo é constrangedor pela forma adotada no trato das questões abordadas, uma zombaria que procura, tanto mais constrangedor, levar ao ridículo algo relativamente ao qual não tem o escritor conhecimento bastante, não passando suas manifestações de meras e desinformadas superficialidades. O que esta parte do livro tenta expor ao ridículo e ao menosprezo é, no geral, criação constantina ou vinda na esteira da intervenção do imperador romano no movimento iniciado por Jesus de Nazaré, que se perdeu a partir do Concílio de Nicéia. O professor Crossan, no trecho do seu ‘ O Jesus Histórico ‘ reproduzido ao final do anexo, no qual se trata com sobras de todas as questões  incômodas ao autor de The God, dá em meia página, se tanto, a medida histórica e exata da questão e é mais útil às pessoas que buscam a compreensão da problemática cristã e se querem pautar por racionalidades do que as 475 páginas da edição brasileira e 419 páginas da edição de Black Swan de Deus, Um Delírio/The God Delusion.

O Judaísmo deve ser deixado aos Judeus, assim como o Islamismo deve ser deixado aos seguidores do Islã. E Jesus de Nazaré a quem nele deposita sua crença, ‘ o  conhece ‘ historicamente ou, seja por que motivo for, dele se ocupe. Se alguém suficientemente preparado para isso quiser ajudar essas pessoas, faça-o levando-lhes conhecimento, História, não tentando demolir desdenhosamente a sua fé ou o seu interesse. Questionei quanto aos zelotes, questiono agora quanto a Ário. Todos os leitores sabem quem foi ele, conhecem detalhes de sua doutrina?

The God…, pagina 54, Deus, Um…, pagina 59, registram haver o imperador Constantino ordenado a queima de todas os exemplares do livro de Ário negando a consubstanciacão Jesus/Deus. Um pouco abaixo, relativamente à controvérsia ariana, dizem que a teologia sempre divide a cristandade brigando por minúcias (sic). Este capítulo estende a sucessão de equívocos; neste pequeno trecho temos um equívoco filológico e outro, retumbante, de visão, de conhecimento, repetido de forma bombástica na pagina 58 de The God… e na pagina 64 de Deus, Um…: O cristianismo também foi disseminado pela espada, primeiro nas mãos romanas, quando o  imperador Constantino o elevou de culto excêntrico a religião oficial, (…). Vamos à dúvida exposada. Esclareçamos:

Em português:

Consubstanciar tem, como verbo transitivo direto, a acepção de unir para formar uma substancia, ligar, unificar, consolidar; como verbo pronominal tem o sentido de unir-se, ligar-se intimamente, identificar-se (Novo Dicionário Aurélio para a ortografia atual).

Em inglês:

Consubstantiation. 1597 [ad. 16Th c. L. Consubstantiationem. Formed after transubstantiation]. The doctrine of the real substantial presence of the body and blood of Christ together with the bread and wine in the Eucharist, as dist. From transubstantiation (A term used controversially to designate the Lutheran view, but not accepted by Lutherans). (The Oxford Universal Dictionary Illustrated ―Third Edition Revised with addenda, volume I, A – M ― Oxford At The Clarendon Press for International Learning Systems Corporation Limited ― London – p. 379)

Consubstanciacão. 1597 [16o. Seculo da EC c. L. Consubstantiationem, com raiz em transubstanciacão]. A doutrina da real e substancial presenca do corpo e do sangue do Cristo no pão e no vinho da Eucaristia. De transubstanciacão (Um termo controverso, usado para designar a visão Luterana do tema, mas não aceita pelos Luteranos).

Então é isso; substância é o essencial de cada coisa e essência é o que constitui o cerne do que quer exista, a ideia em função da qual pode ser concebido. Toma-se 3 elementos e se os une, consolidando-os, formando o que se constituirá sua substância. Em sentido teológico a transubstanciação é uma doutrina eucarística, não uma verdade, um fato certo e provado. Quem não conseguir entender isso deve mudar de assunto; tratado em God/Deus em tom impróprio, informalmente e de modo reservado eu diria que tudo o que foi escrito não passa de um amontoado de bobagens. Mas, evidentemente, não direi isso. Direi tratar-se tão só de equívocos, de desaviso. Para não entrar no clima de galhofa.

A teologia não dividiu a cristandade com minúcias; no tempo de Ário ela não existia, estava se formando justamente a partir das divergências. E a relação Filho/Pai no catolicismo não e minúcia, é a base  de tudo, podendo ser colocada ao lado da ressurreicão para constituir a pedra angular da religião.

O equívoco maior fica por conta de não haver sido Constantino quem, por decreto, elevou o que já era catolicismo a religião oficial do império romano, àquela altura rolando ladeira abaixo, mas Teodósio I, acrescentando-se não se tratar de nenhuma excentricidade. Era uma religião de pobres, das ruas e becos, gente humilde, desesperançada, tal como na origem. E Paulo de Tarso, que simplesmente desapareceu, só reaparecendo bem mais tarde através dos seus escritos por invocacão de Agostinho, não foi o inventor da religião que prevaleceu. Constantino, ele sim, eliminou todos os vestigios do Jesus real, redesenhando-o e a toda a ritualização que passou a caracterizar a Igreja, a pompa e a mão de ferro exclusivista e elitista paulatinamente adotada pelos chefes religiosos.

São muitos os equívocos e imprecisões históricas; reproduzo a seguir, revistos, posts publicados no meu blog sobre o tema para integrarem este texto, evitando a necessidade de consultas esparsas. Aqui aparecem separados, no livro constituirão um só bloco.

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