Tags

, ,

Ao ‘olhar’ para uma Empresa, um empreendimento, por suas práticas administrativas e financeiras, por suas políticas comerciais você pode perceber o perfil do seu titular ou de seus dirigentes. Há de tudo.

Assim como ao ‘olhar’ para um empreendimento é possível extrair inferências, quando se ‘olha’ para uma criança é possível inferir algo dos pais. Há crianças dissimuladas, agressivas, mal-educadas; há crianças bem-educadas, de boa índole e crianças sérias, o que não implica não gostarem de brincar as brincadeiras próprias de sua idade. Por exemplo, a Ghigia é uma criança séria, mas ‘saboreia’ a vida. E tem horror a mentiras.

Quando inicia a educação formal, no curso primário, o menino, a menina, não tem, ainda, uma perspectiva existencial; sua visão de mundo se vai formando aos poucos. No passo de suas boas qualidades, a criança desenvolve-se harmoniosamente, objetivos sadios são naturalmente incorporados à sua educação formal, decorrendo de sua visão de mundo, quando em avançado estágio, o sentido de uma vida útil embasada no trabalho e nos esforços pessoais para realiza-lo. Nem sempre, contudo, é assim. Eu tive um colega de escola – e não foi no curso primário – cujo projeto de vida era tornar-se um grande canalha. Não era brincadeira, era isso mesmo, tornar-se um grande canalha; e quem por índole ou influência externa, apenas atuante quando existe predisposição, uma tendência afim, embora não manifestada, caminha nessa direção, pode, se quiser, tornar-se empresário ou trabalhar para empreendimentos de níveis os mais diversos nos quais a seriedade não seja exatamente uma premissa sine qua non. Essa, é, por sinal, uma das belezas da democracia; ela abre espaços a qualquer um – incluindo esse tipo de gente – para galgar degraus até aos mais elevados, embora, havendo ensejo, não o faça ordinariamente de maneira honesta, pessoas que, depois, conspirarão às ocultas contra ela, agredindo-lhe os mais elementares princípios, gente, a propósito, que se sente poderosa por ser, essencialmente, desonesta, que desconhece e abomina a livre iniciativa, ‘clima’ sob o qual o nivelamento é ‘por cima’.

Bem, você foi educado em um ambiente moralmente saudável – de verdade, não marcado pelas aparências – e tornou-se um cidadão útil, transparente, sério, em permanente preparo para o que faz; cada centavo ganho e gasto é fruto de seu trabalho, honesto, obtido sem favorecimentos de qualquer espécie. Ocorre de você estar nos negócios, naturalmente uma extensão de si próprio, transparente, sério, desenvolvidos profissionalmente; objetivos sadios foram fixados em seu projeto de vida. Isto considerado, permita-me propor-lhe três questões:

– Você está realmente preparado para gerir o seu negócio?

– Embora não se envolvendo nos detalhes técnicos, você tem condições de ‘ler’ as entranhas do seu negócio?

– Você está vivendo, profissionalmente falando, da mão para a boca, vivendo o só hoje, sem pensar nos negócios como um sistema organizado cuja índole, qualquer seja ele, sua amplitude ou dimensão, deve ser a expansão?

Se você quer brincar de empresário ou homem de negócios, as perguntas acima não farão nenhum sentido. Mas, sendo uma pessoa séria, a cujo negócio se incorporaram suas próprias características, as questões acima têm tudo a ver.

Não é de boa prática montar-se um negócio, sentar-se e ficar esperando as coisas acontecerem. Trace objetivos e formule estratégias para realiza-los. Pense analiticamente em seus negócios, não passe por cima de detalhes. Esse é um mundo em que os detalhes nem sempre são tão detalhes assim. Descarte o entulho, mas só o faça depois de exaustivo estudo. Às vezes é cansativo, maçante mesmo, mas é o seu trabalho, você tem de fazê-lo. Sob pena de viver uma permanente ciranda.

No próximo post vamos tratar do assunto de forma objetiva, focada, sem considerações outras que não sobre o trato empresarial.

(segue)

Anúncios