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Conversemos, pois, sobre o fato de haver você assumido a postura de cuidar de negócios, ou dos negócios, de modo profissional, ou, mesmo, de estar em rota de fazê-lo. Profissionalismo está anos luz à frente de simplesmente cobrar pelo que se faz; profissionalismo implica, antes de tudo, seriedade e compromisso absoluto com os resultados. O dinheiro é mera consequência.

Sob o título Negócios em Xeque – Sem Tradução Simultânea, o Globo de ontem, domingo – 2º Edição, Caderno de Economia, página 45 –, publicou artigo de Danilo Fariello (mailto:danilo.fariello@bsb.oglobo.com.br) e Martha Beck (marthavb@bsb.oglobo.com.br) em que sublinham: Improviso e amadorismo dificultam atração de investidores estrangeiros para infraestrutura. Tocam o ponto fulcral. Erros de informação, improvisação e muito amadorismo nos contatos (abordagens) profissionais. Referem-se à embaixada brasileira em Washington, em última análise ao Governo Federal, mas a observação tem aplicação geral; cabe relativamente aos serviços públicos e é uma constante perversa na indústria, comércio e serviços brasileiros com o acréscimo de boa dose de descaso.

André Vallejo publicou na última semana em sua página no Facebook:

Hoje, uma terça feira, haviam duas cirurgias oncológicas marcadas para mim às 9h da manhã no meu hospital. Cheguei ao centro cirúrgico as 8:45. A anestesista estava tomando cafezinho no bar (passei por lá as 8:30) e só chegou aqui em cima (ele postou do seu iPhone) às 9:30. Como no meu hospital o maqueiro só pode ir buscar a paciente no andar depois que o cirurgião e o anestesista estão no CC, a paciente só chegou aqui as 10 e alguma coisa. Começamos a operar às 10:30 e acabamos as 11 e um pouco; era apenas uma metástase axilar. Pedi para descer a segunda paciente, mas a anestesista alegou que como sairia as 13:00h, não iria ‘puxar’ cirurgia de outro colega (outro anestesista). Como insisti, ela disse que o aparelho de anestesia estava com problemas, ia ter de trocar mesmo. Falei com o chefe da anestesia; ele disse para descer a paciente que ele resolveria. Pouco depois o enfermeiro me diz que não estavam achando a paciente. Procurando, a encontramos no setor de internação, onde os funcionários alegaram que já que a cirurgia estava marcada para as 13h não havia pressa em internar. Não é bonitinho? Internou. Chegou ao centro cirúrgico as 13:30. Mas o arquivo medico mandou o prontuário de outra paciente e como a anestesista da hora disse que sem os exames não poderia anestesiar (com toda a razão), mandei a residente buscar o prontuário no arquivo. Lá, disseram que só podiam entregar o prontuário a ela com autorização não sei bem de quem. Afinal, ela era apenas a medica da paciente!.. Não sei bem como, o prontuário finalmente subiu. Agora, as 14:15, parece que afinal vai começar a anestesia. Juntando as duas cirurgias, terei passado mais ou menos 2h trabalhando e 7 horas tentando trabalhar. É apenas mais um dia normal aqui no meu hospital…

Refere-se aqui grande hospital federal que atende uma região do Estado do Rio de Janeiro habitada por cerca de 2 milhões de pessoas. Infere-se do quadro delineado falta de organização, gerência, empenho individual e comprometimento com os resultados; falta profissionalismo, logo, falta o essencial. Há funcionários ali se comportando como se estivessem fazendo favor.

Eu publiquei ontem na minha página do Facebook:

NEXTEL – ISSO É COISA DE EMPRESA SÉRIA?

Há mais de mês vejo no horário nobre – TV Globo – anúncio da NEXTEL oferecendo modem externo 3G com serviços de banda larga. Ontem à noite, sábado, 26 de Outubro, fui, acompanhado, assistir ‘Gravidade’, com Sandra Bullock e George Clooney no Plaza Shopping Niterói. Ao sair, passando pelo posto da Empresa, no térreo, veio-me a ideia de colocar um brinquedinho daquele no bolso para acessar a internet onde não encontrada rede sem fio.

Atendido, tudo processado, a vendedora informou-me que eu receberia o dispositivo em casa no prazo 7/12 dias. Estranhei. Vai-se a qualquer Operadora, compra-se esse serviço e sai-se com o modem no bolso. – Por que isso? Perguntei. A moça, como se fosse a coisa mais natural do mundo, informou que a Empresa não tem estoques do dispositivo para entrega no ato da compra/venda. Casualmente, disse-lhe estar vendo a propaganda do produto na televisão há mais de mês sem qualquer ressalva quanto à entrega, especialmente de forma clara, direta e explícita. – É, mas não tem para pronta entrega, retrucou ela. Obviamente cancelei a compra. Não havia assinado nada.

Como a ANATEL permite uma coisa dessas? Como o Governo Federal, pelo Ministério das Comunicações, permite isso? É uma pegadinha, uma casca de banana, uma armação? Ou a NEXTEL não quis me vender um modem, o que é mais grave? E por quê?

A NEXTEL me deve explicações. E ao público em geral. A mim de forma pública, como estou fazendo. Respondo pessoal e legalmente por meus atos e palavras; evidentemente NEXTEL responderá comercial e legalmente pelo que escrever.

Se qualquer coisa me vier como sendo de NEXTEL, minhas primeiras providências serão (a) entrar em contato com o Departamento Jurídico da Empresa e (b) se necessário, como medida preparatória, interpela-la pela via própria.

A bagunça e o desrespeito, promovidos por empresas licenciadas pelo Governo Federal quanto à sua especialidade técnica principal, estão chegando a limites insuportáveis. Afinal, NEXTEL é uma Empresa séria? O que acabei de relatar não é profissional, não é uma coisa séria.

Chiedo ai miei amici italiani: Questo tipo di cosa accade in Italia?

And to friends who read my blog in Portugal, United Kingdom, Russia… This kind of thing happens there?

De algum modo, no entanto, as coisas andam.  Ainda André Vallejo:

Hoje é quinta. Estava num hospital privado aqui da minha cidade quando recebi um telefonema das minhas residentes do mesmo hospital publico dos fatos de terça feira, preocupadas com uma paciente de 24 anos que tinha sido internada de urgência em nossa enfermaria com um enorme tumor sangrento em uma das mamas. Historia inicialmente arrastada, com crescimento súbito e um grande sangramento por rotura do tumor, inicialmente contido com medidas paliativas. Corri para lá e rapidamente definimos que a melhor conduta era operá-la imediatamente. Fui ao centro cirúrgico, expliquei a situação, e em menos de meia hora consegui que recebessem a paciente, todos os anestesistas e pessoal de enfermagem rapidamente se mobilizaram para preparar o material necessário, sangue fosse disponibilizado e menos de duas horas depois de receber o telefonema, mesmo sem estar na programação do dia, a paciente estava operada e bem.

Isso prova que o problema não é o sistema. O sistema não existe. O que existe são as pessoas, e essas criam o sistema que quiserem. Se puderem. Se deixarem. É só disso que precisamos.

É o ‘Sistema’, sim, Doutor; Sistema de Saúde é uma coisa, ‘o Sistema’, outra. Vícios e interesses por todo lado.

O próprio Doutor Vallejo, partilhando, veiculou em sua página no Facebook receita de um médico francês:

receita francesa

Comentei na página:

E o bacana da história é que ‘le médecin’ não aconselhou, receitou. Em matéria de serviços de saúde acontecem coisas curiosas. Tenho um plano de saúde há muito tempo, assim como um problema de ouvido que, volta-e-meia, me chateia. Caminhando pela Amaral Peixoto, passei em frente ao edifício do INSS, na esquina com Visconde do Uruguai. Num estalo entrei e contei ao senhor da portaria o meu problema, perguntando-lhe se poderia ver um médico. Ele me disse, olha, o doutor (…) está lá em cima e tem número aqui para ele, dá um pulo lá. Peguei o número, agradeci e subi. (Demorou quase nada). Foi um dos melhores atendimentos médicos – passou de meia hora – que tive em minha vida, saí de lá com o tal ouvido chato novinho em folha. E me pus a pensar: Chego no médico do Plano de Saúde, ele mal olha para mim, prescreve uma porção de exames, coisa de cinco minutos, volto, mais cinco minutos entre olhar os laudos, às vezes prescrever um medicamento, tchau e bênçãos. E resolver o problema que é bom, nada. Não faltará quem diga, ué!, para de pagar o plano e passa a frequentar o INSS! Não, não é por aí e a moral da história é outra. ‘Le médecin’ mostrou o seu exato sentido.

Continuamos na próxima semana, mas deixo uma questão: É tenebroso o grupo dos desidiosos, não sérios; é terrivelmente desgastante ser herói e anjo de guarda. Não seria melhor termos apenas profissionais de verdade que fizessem o seu trabalho séria e honestamente?

(segue)