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O mercado comum formado pela formidável economia oeste do Atlântico norte e a União Europeia, se feito realidade, estabelecerá uma profunda divisão no cenário mundial. Está consolidado o papel do ‘continente’ China e outros países asiáticos no comércio internacional não apenas pela exportação de produtos, mas pelo fornecimento de tecnologia de ponta, diversamente de tempos quando, imperante o princípio equivocado de que tecnologia se compra, sua compra ou cessão implicava fórmulas e métodos obsoletos ou em vias de obsolescência.

E divisão comercial e econômica é, em última análise, divisão política; China/Ásia, Rússia e USA/UE serão polos em torno dos quais girará a ordem internacional, a América do Sul, com o Brasil em destaque – sem política industrial definida e estável, que nunca a teve –, cumprindo o subalterno e preponderante papel de simples exportadora de matérias-primas e mercado consumidor dependente dos 3 grandes blocos econômicos, que de algum modo encontrarão formas de comunicação e convivência; os países sul-americanos e africanos, à medida do seu desenvolvimento, serão definitivamente peões no tabuleiro de xadrez no qual se moverão ao sabor dos interesses dos 3 competidores.

O Brasil, de paupérrima herança cultural, aqui enfocada no mais amplo sentido, e com incontrolável vocação de colonizado não logrou embarcar no bonde da história. Consegue-se por estas bandas defraudar os melhores cenários de desenvolvimento, convertidos em histórias da carochinha ou searas paroquiais, poucos, na totalidade dos quadros dirigentes, genuinamente voltados aos interesses de médio e longo prazo do país. Asiáticos, Russos, Americanos e Europeus cuidaram dos interesses de seus países, não conquistaram por acaso o poder político com cujas tintas pintam o quadro à nossa frente.

Acordos com as  grandes economias? Se for dito, o será por dizer, apenas um exercício dialético; os donos das bolas só permitem participar do jogo quem obedece às regras por eles estabelecidas de acordo com os seus mais estritos interesses. É passada a hora de acordar, se realmente há alguém dormindo. Ásia e Rússia tenderão a cuidar de si mesmos, corrigir históricas deficiências e distorções internas, centrando suas ações externas em questões comerciais, de mercado; não é provável ocorra o mesmo relativamente à zona de influência a cuja força de gravidade – dependendo das forças políticas internas mais atuantes – estaremos expostos.

O grande problema a médio e longo prazo será mantermos na plenitude as regras democráticas tão bem e objetivamente definidas em nossa Constituição, especialmente as que tangem as garantias individuais, no Artigo 5º. Não passa pela cabeça dos homens verdadeiramente livres deste país perder o direito à intimidade, à privacidade pessoal, profissional, comercial e industrial, de não ter tribunais de exceção, secretos, aos julgamentos públicos, às suas decisões fundamentadas e sua publicidade, a que ninguém seja mantido em confinamento sem culpa formada, ao direito de ir e vir sem entraves, a um Judiciário independente, tudo isso a que estamos habituados, definidor do estado natural do homem, a liberdade segundo a lei, marca de Sociedades de fato civilizadas. Não queremos nos apartar das raízes romanas do nosso sistema legal e da necessidade absoluta de se fiscalizarem e controlarem os que vivem do dinheiro público, do contribuinte, como é gasto e em que, não o seja em prioridades estabelecidas ao arrepio do espectro rigorosamente jurídico.

Não importam os sacrifícios a nos impormos para assumir as rédeas dos nossos destinos, imprimir às questões nacionais a marca dos homens decentes, de consciência, criaturas da lei. No passado não cuidaram adequadamente deste nosso pedaço de mundo; acordemos de todo, esta terra onde nascemos e vivemos está sob nossos cuidados, logo, temos de cumprir nossa tarefa com dignidade, eficiência e coragem para entregá-la saudável e independente aos brasileiros que virão depois de nós. E que lhes seja ensinado assumam eles, também, essa missão, geração após geração, por todo o tempo vindouro, não importa o lapso a decorrer. É preciso sacudir fora as sobras da alma colonizada e completar a nossa independência.

Este país pertence às futuras gerações de brasileiros, nós apenas estamos tomando conta dele. Façamos isso direito.