Queira ver www.facebook.com                                                                   (Linha do Tempo de Onair Nunes da Silva)

O modelo consolidou-se, o tempo correu.

Então, o Santo de Assis. Ao longo da história do cristianismo terá sido aquele mais próximo de Jesus, por suas práticas, pela sua figura, pelos seus adeptos empenhados em um movimento de renascimento religioso e cultural de alto teor espiritual que se bifurcou em duas correntes: uma, anticlerical, produto da insatisfação crescente entre religiosos de pendor místico, empenhou-se na volta do cristianismo às origens, à sua natureza e inclinação para o autêntico apostolado. Nessa corrente despontou, na segunda metade do século XII, Joaquim de Flora, autor da teoria das três Idades da Igreja, a Idade do Pai, terminada com Jesus, a Idade do Filho, a baixa Idade Média, em que vivia, e a Idade do Espírito Santo, que deixaria para trás o clero tal como se apresentava, o papado e os doutores da Igreja pela revelação do Evangelho Eterno, doutrina espiritual orientada por forte apelo antidogmático; e outra, reformadora, empenhada na renovação da religião pelo arejamento da doutrina, obscura e elitista, e pela volta ao despojamento e ao essencial, à simplicidade dos hábitos e à virtude da oração espontânea e sem fórmulas, maneira direta de comunicação com Deus inspirada em Jesus. Nessa vertente surgiu com o Santo de Assis uma fraternidade de laicos que corporificou  o ideal evangélico, rejeitou a autoridade da Igreja e sinalizou o advento da Idade do Espírito Santo, com ele iniciada no começo do século XIII, amparada em uma pequena parcela dos Evangelhos canônicos.

A irmandade de Francisco, Francesco, incomodou a Igreja e confrontou suas regras austeras com alguns dos que lhe foram mais próximos. O ano de 1221 marcou o início da intervenção papal; em 1223, três anos antes da morte do santo homem, no papado de Honório, a mão eclesiástica se abateu pesada sobre o sonho franciscano de viver como idealizara haver vivido Jesus, livre para Deus, desligado dos bens materiais e das coisas mundanas. Prevaleceu o poder da Igreja.

À morte de Francisco em 1226 sucederam-se acirradas disputas pela liderança do movimento, de um lado os defensores do projeto inicial convolado em núcleo espiritual de uma igreja renovada na qual o santo, segundo sua crença, desempenhava o papel representado por Jesus frente a  seus seguidores, e de outro papalistas aspirantes à pompa e ao prestígio eclesiásticos. Estes, com amparo na lógica religiosa, começaram a demolir a Irmandade ideada por Francisco de Assis para dar lugar a uma Ordem monástica inteiramente subordinada às regras gerais aplicadas às Ordens seculares, alijados os preceitos de pobreza, humildade e caridade originais. Em 1232 Elias de Cortona, um dos primeiros companheiros de Francisco e um dos que defenderam a secularização iniciou uma sistemática repressão aos espirituais. No final do século XIII foi criada para eles, por Celestino V, a Ordem dos Eremitas Pobres, que os isolou; logo depois, no entanto, Bonifácio VIII os reintegrou à Ordem Franciscana, onde permaneceram até João XXII declarar em 1316, quando iniciou seu papado, ser herética a posição dos espirituais segundo a qual Jesus e seus companheiros não possuíram bens materiais. Os quatro mais destacados membros do grupo foram entregues à Inquisição italiana, que os julgou, condenou e executou numa fogueira em Marsília no ano de 1318. Os restantes foram mais tarde subordinados às regras das Ordens Mendicantes.

ESTAVA ESCRITO:

(1) Eis que um rei reinará segundo a justiça, e os príncipes governarão com equidade.
(2) Cada um deles será como um abrigo contra o vento, um refúgio contra a chuva torrencial, como um fio de água num chão ressecado e como a sombra de um alto rochedo em terra ressequida. (3) Os olhos dos que enxergam não mais serão ofuscados e os ouvidos dos que ouvem estarão atentos.
(4) Os espíritos insensatos dispor-se-ão a compreender e a língua dos gagos falará prontamente e com clareza; (5) não mais se qualificará de nobre ao perverso, nem ao trapaceiro de grande. (Isaías, Capítulo 32)

Então Francesco, Francisco, guardadas as proporções Francisco/Francesco redivivo, a volta do cristianismo às origens, à sua natureza e inclinação para o autêntico apostolado, o ser humano sua meta.

Já se vê; Francesco/Francisco é muito importante, por princípio para os que creem, por esperança e fé para os demais. O mundo será melhor com ele.

Ave, Francesco/Francisco!

(6) Porque o insensato profere loucuras e seu coração dá-se ao mal; comete impiedades, forma sobre o Senhor conceitos errôneos, deixa o faminto queixar-se de sua miséria, priva da bebida aquele que tem sede. (7) As intrigas do trapaceiro são desleais, ele maquina desígnios criminosos para perder os humildes com mentiras, assim como ao pobre que aspira ao seu direito. 
(8) O fidalgo, porém, tem pensamentos dignos e um procedimento nobre. (Isaías, Capítulo 32)