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John F. Kennedy.001

Alvo de perseguições pouco tempo decorrido do surgimento, gozando de relativa paz, a não ser por Diocleciano, até Constantino, o novo cristianismo no nascimento descartou o seu legado essencial:
 
Jesus os chamou e disse: Vós sabeis que os governantes oprimem as nações e os apaniguados do poder dominam os cidadãos.
Não será assim entre vós. Ao contrário, quem quiser ser grande deverá ser o menor.
E quem quiser ser o primeiro deverá ser o último.
(Mateus 20:25-27)
 
O abandono desse legado reforçou a Igreja de Nicéia e Constantino. Estava surgindo um principado, uma nova categoria de príncipes.
 
Enquanto eram fixados os marcos da nova religião – que podia ser qualquer coisa, menos o produto dos primeiros apóstolos, construído à base dos ensinamentos diretos de Jesus -, Roma experimentou um vácuo político com a transferência em 330 da sede do Império para Bizâncio. E como a estrutura da nova religião se tornara entranhadamente política, começou no seio da Igreja a luta pelo poder eclesiástico central, definido em termos de riqueza, já então estabelecido que poder econômico, quando para isso dirigido, traduz-se em poder político e este, quando tendente para o absolutismo, desagua no poder total – conceito que formulo a partir de Carl Oglesby.
 
Nessa atmosfera competitiva, em cujo extrato se encontravam os principais bispos do Império, surgiu o mito de Pedro como primeiro Papa, uma impossibilidade histórica e um desvio fático: Com a morte de Jesus, a chefia do primeiro grupo cristão de Jerusalém ficou para ‘Tiago, irmão do Senhor’.
 
Depois de 3 anos eu subi a Jerusalém para conhecer Cefas (Pedro), com quem estive por 15 dias. 
Não vi nenhum dos outros apóstolos, salvo Tiago, irmão do Senhor.
(Gálatas 1:18-19)
 
Pedro era um dos membros do grupo, não havia uma chefia formal e protocolar; prevalecia a espiritualidade igualitária de Jesus, com a comunhão da Bolsa, somados a que o movimento surgira com um homem simples, um camponês pobre entre pobres, miseráveis e enfermos rejeitados em seu chão de origem pela sociedade da época, uma situação marginal, na qual o movimento se mantivera.
 
O papado de Pedro foi uma formulação política de Silvestre para uso político no embasamento de sua postulação ao governos geral da Igreja a partir do seu bispado de Roma. Sua lógica, meramente argumentativa: Pedro foi bispo de Roma (na época não havia o papado como o conhecemos) e chefe da Igreja; eu sou bispo de Roma, logo, cabe a mim, com base no precedente, a chefia da Igreja. Dado incontestável: Pedro não foi bispo de Roma, dificilmente lá terá estado e nunca chefiou a Igreja que, em seus primórdios, um movimento judeo-cristão, no seu tempo algo híbrido, não existia como tal. Roma, a propósito, era território de Marcos, para cuja comunidade escreveu o seu evangelho, uma visão quase geral entre os estudiosos (v.g. Brandon, cf Jesus And The Zealots). Mas, ungido de Constantino, que decidia sem nada saber da historiografia cristã, acabou novamente beneficiado pelas preferências imperiais, superpondo-se aos demais bispos. Deixando Roma por Bizâncio, o Imperador deixou-lhe a autoridade da magistratura ocidental, a ele subordinando os grandes bispados de Constantinopla, Antióquia, Jerusalém e Alexandria. Além disso, com a total autoridade temporal do ocidente, apartava-se completamente do Império do Oriente. Seus símbolos de poder: O manto púrpura e a escolta de cavalarianos dos príncipes. E o palácio de Latrão, outro mimo imperial.

(continua)

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