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Depois de introduzir na religião os símbolos do paganismo, os seus símbolos, estampados inclusive em moedas, Constantino convocou Nicéia em 325, um Concílio do Império com a pompa e o luxo imperiais, conduzido pelo Imperador coadjuvado por Eustáquio de Antióquia, Macário de Jerusalém, Silvestre, Bispo de Roma pelas graças do Senhor do Império, com dois religiosos menores por prepostos, Alexandre de Alexandria e outros. O ouro do trono imperial, símbolo do poder, alinhavou a união Estado/Igreja para garantia da ordem no mundo conhecido, o mundo romano. Aberto o caminho para o dogma, o que ali se decidisse fixaria o princípio, a regra pétrea e inexorável que não admitiria contestação ou desvios, a administração inflexível da fé com o poder do Estado romano.

Fixou-se no dogma de Constantino a divindade de Jesus: “Filho de Deus, nascido do Pai, filho unigênito da essência do Pai, Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, consubstancial ao Pai, por Quem foram feitas todas as coisas.”

Em 19 de Junho foi promulgado o Édito do Império para a Igreja, afastando de vez o Jesus dos primeiros 300 anos do cristianismo. Surgiu um novo Jesus, apresentado a partir de Nicéia na forma do Decreto Imperial. O crucificado de Jerusalém foi definitivamente sepultado; nada restou do homem, perpetuou-se o símbolo, aquele do Cristo, que eclipsou a pessoa do camponês Galileu.

Les biographes antiques, Juifs ou Grecs, ne se souciaient pas de suivre le fil continu d’une vie pour en déterminer la trajectoire, en s’attachant à l’homme privé autant qu’au personnage public. Ils ne racontaient pas une vie dans l’idée de créer une relation sentimentale entre leur héros e leurs lecteurs mais ils lui donnaient une valeur emblématique que illustrait un caractère, un mode de vie, une idéologie. Dans l’Antiquité, la biographie se voulait démonstrative e non documentaire; elle était donc sélective. Quand elle relatait un récit d’enfance, il s’agissait toujours d’une enfance miraculeuse, présageant l’importance exceptionnelle du personnage. Ainsi sont les vies d’hommes illustres et de filosophes, ainsi sont les évangiles: indéniablement, ils présentent Jésus comme une figure, celle du Christ.”

(Marie-Françoise Baslez – Bible et Histoire – Librairie Arthème Fayard, Paris, 1998, pág. 184 ao fim, e 185 ao início. Se você não lê o Francês, selecione este texto, vá ao rodapé da página, clique e escolha ‘traduzir’ do Francês para o Português/Seu idioma; digite na terceira caixa onairnunes@blog.com e clique a seguir em translation).

Ário foi proibido e descartado, os presbíteros puros de Novaciano também.

Ário da Líbia, discípulo de Luciano de Antióquia, ordenado em 319 em Alexandria, sustentava, com outros religiosos da mesma formação teológica, que Deus, incriado, existe por Si, sem começo ou fim; o Filho, a Segunda Pessoa da Trindade, criado, com começo e fim, havendo nascido como qualquer outro ser vivente, não poderia ser Deus no mesmo sentido do Pai, ou Dele uma extensão, mas filho por adoção. O arianismo, considerado uma heresia, na verdade revolveu em termos específicos e forma doutrinária uma questão que remontava às próprias origens da Igreja, acirrando e aprofundando antigas divergências. O debate girava em torno da pessoa de Jesus, definitivamente consagrado como o Cristo das Escrituras. Para alguns sua humanidade era indiscutível, embora especial e superiormente diferençada dos demais seres humanos; para outros, era um ser hierático e divino, sem alcançar, contudo, a dimensão de Deus. As primeiras sistematizações viram a divindade de Jesus no Pai e sua humanidade no Filho consubstancial ao Pai. Na permanente busca da unificação doutrinária, prevaleceram as disposições do Primeiro Concílio de Nicéia, cujo Credo decretou que o Filho e o Pai são feitos da mesma substância e descartou definitivamente a teoria da adoção ou constituição do Filho por paralelismo com o Pai, passando essa a ser a posição oficial da Igreja. (Onair Nunes – A Conspiração dos Medíocres – Nota 102: Primeiro Concílio de Nicéia, Éfeso e Calcedônia)

O Concílio de Éfeso, convocado em 431 por Teodósio II e Valentino III, rechaçou o nestorianismo, uma forma nova da antiga divergência que considerava ser Maria a mãe do Jesus homem e não do Jesus Deus, reafirmando o Credo de Nicéia e reiterando que Jesus era, numa só pessoa, Deus e homem, passando Maria, por extensão, a ser oficialmente considerada Mãe de Deus, com status divino por ser a mãe de Jesus. O Concílio da Calcedônia, convocado por Marciano em 451, rejeitou a doutrina da natureza única e divina de Jesus, sem qualquer traço humano, vinda de Constantinopla a partir de Euticho, reafirmando sua natureza divina e humana, inseparáveis, em última análise o Credo de Nicéia.

(segue)

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