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Complementando o artigo anterior:

1. A palavra chave, heresia (αίρεση), do grego, foi o relevo do ferro em brasa do recém-constituído autoritarismo religioso, com o qual marcado o dissidente, o herege (αιρετικός), para os efeitos da repressão religiosa o equivalente do subversivo político dos regimes totalitários de nossos tempos, com a diferença de que não lutava. Sendo o que escolhe (εκλέγων), o que seleciona (επιλέξτε), recusou a tutela oficial; tinha o seu próprio sistema de crenças e pagou caro por isso (Onair Nunes, A Conspiração dos Medíocres/LIVRO VII – CÁTAROS, UM GENOCÍDIO).

2. Observa-se estreita correlação dos passos de Jesus com circunstâncias e previsões dos profetas; estes o anteciparam ou ele agiu conforme as previsões? Extrai-se de 1 Samuel 22:2 a tipologia em que plasmados os seus seguidores, aquela classe de pessoas a cujo alcance se colocou e às quais se terá dedicado. O versículo noticia a adesão a Davi de uma quantidade de homens com problemas e dificuldades de toda ordem, cerca de 400, dos quais se tornou líder, para em seguida marcharem contra a terra de Judá.

Por extração, Jesus opõe-se diametralmente ao versículo 1; seus parentes não participavam de suas atividades, patente não manter relações próximas com sua mãe, irmãos e irmãs (Mateus 12:46-50); quando iniciava sua pregação, eles tentaram impedi-lo de continuar por considerarem haver enlouquecido (Marcos 3:21).

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Com Constantino o dia de repouso saiu do sábado judaico para domingo, o dia do Sol, seu deus, do sétimo para o primeiro dia da semana. Ele foi Sumo Pontífice, um título pagão, até a morte, assim como Episcopus-ad-extra, um Bispo estranho aos quadros da Igreja, só havendo incorporado os símbolos cristãos em 317, já com 45 anos. Restam dúvidas históricas quanto a haver se tornado realmente um cristão.

Apenas em 395, com Teodosio, que chegou ao trono deixando cadáveres em seu rastro, o cristianismo foi feito religião oficial do Império romano, em queda livre rumo ao desmantelamento.

Em 313/314 tornaram-se efetivos os tribunais arbitrais episcopais, sementes das Inquisições, instituindo-se na mesma época a religião como beneficiária de heranças e dízimos, tornados compulsórios no curso do tempo em lugar da inicial contribuição espontânea.

Com Constantino chegou também para os religiosos, em 314, o direito à espada, até então negado, iniciando-se a formação de núcleos militares cristãos, a cujos membros foi concedido o direito de comunhão. Surgia o embrião das Ordens Militares, desenvolvidas essencialmente para as guerras santas e formadas em exemplos emblemáticos por monges combatentes. O direito de comunhão era retirado daqueles que, mesmo em tempos de paz, abandonassem as Ordens; eram destituídos igualmente de todos os demais sacramentos.

(segue)

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