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Marcos, o Evangelho mais antigo, pode ser considerado, assim me parece, o referencial, senão mais exato, direto da fonte, em que pese a reformulação operada na transição do Evangelho Secreto para o Canônico. Lucas foi um colaborador de Paulo, João é astrológico e Mateus um cronista que transformou sua fé em instrumento de catequese; Marcos, sobrinho de Barnabé, acompanhou-o e a Paulo em suas andanças até tio e sobrinho romperem com o apóstolo de Tarso, conhecendo, assim, as duas versões do cristianismo: a de Paulo e a do seu Mestre Jesus de Nazaré, vivenciando na plenitude o ministério deste último.

Dos versículos 35 a 45, Capítulo 10, do Evangelho Canônico de Marcos, pode-se inferir o espírito e a prática de Jesus de Nazaré no arremate da resposta insofismável, no versículo 45, ao pedido de Tiago e João: “O próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir, e dar a sua vida em resgate de todos.” (estou com os estudiosos que entendem poder não haver constado do Marcos Original, amputado, o trecho final (…) e dar a sua vida, etc. (…), uma possível interpolação.

Constantino nasceu de Helena de Drepanon – Bitínia, Ásia Menor -, concubina de Constâncio Cloro, seu pai. Casou-se com Flavia Maxima Fausta, filha de Maximiano – que o fez cogestor do Império -, a quem, juntamente com a mãe, proclamou Augusta, ambas tornadas santas da Igreja. Helena de Drepanon foi feita Santa Helena de Constantinopla, renomeação de Bizâncio, para onde retirou-se Constantino face à crescente proximidade dos bárbaros. Bizâncio, rebatizada Constantinopla, é, hoje, Istambul, capital da Turquia, antiga Ásia Menor.

Sucedendo a Maximiano e Imperador único desde o afogamento de Maxêncio em 306 no curso da luta entre os dois, Constantino não teve uma vida familiar e imperial muito pacata. Em torno de 326 mandou executar seu filho Crispus Caesar, aos 20 anos, nascido de Minervina, sua concubina antes de Flavia Maxima, a quem fez governador da Gália, por haver recebido da mulher queixas de estar sendo assediada pelo enteado. Flavia foi depois assassinada no banho, restando dúvidas históricas se a mando de Helena de Constantinopla ou pessoalmente por Constantino sob indução da mãe. Não podendo ser batizado em virtude da sua rotina de assassinatos – os Bispos,
na época, sem poder político para submetê-lo, exigiam, no exercício do poder eclesiástico, o abandono de toda a violência -, ele foi adiando o ato enquanto se livrava das ameaças ao seu próprio poder. Foi batizado, segundo historicamente se apura, quando, próximo da morte, ocorrida em torno do ano 335, já não tinha a quem eliminar.

Helena de Constantinopla, nascida em 250, morreu na cidade em 330 após, reza a tradição – não há comprovação histórica destas notícias -, regressar de Jerusalém onde localizou a Cruz na qual Jesus de Nazaré foi crucificado, inclusive com os pregos; localizou, também, sua sepultura sob um Templo edificado a Júpiter, mandando demoli-lo e no local construir o Santo Sepulcro. De origem humilde, antes de ser encontrada por Constâncio Cloro, atraído por sua beleza, era uma pessoa do povo nascida e educada no seio de uma pobre família cristã executando trabalhos simples de pura subsistência.

Até Constantino a Igreja – no sentido grego de ecclesia – viveu da memória de Jesus de Nazaré e da tradição iniciada com os apóstolos seus contemporâneos e discípulos. Praticamente extinta a perseguição historicamente sofrida, a partir da cogestão de Constantino os cristãos, vivendo em relativa paz, tiveram tempo para agravar as disputas internas atenuadas sob feroz perseguição – mantinham-se coesos por pura questão de sobrevivência -, aprofundando as dissensões e o cisma que ameaçava a unidade do movimento. A divergência principal girava em torno da pessoa de Jesus, para uns, totalmente humano, para outros, semidivino, divino desde o útero materno ou divinizado pela crucificação, uma discussão interminável em virtude da inexistência entre os cristãos de um poder central com força bastante para conduzir a questão e dar-lhe definição.

O cristianismo era, então, um movimento sem expressão, das ruas, entre outras uma religião de pobres, do povo, completamente Jesus de Nazaré.

(segue)

Vá ao Google e digite ‘Roma, Constantino-Helena’. Você vai encontrar de tudo e um site bastante singular: avozdotribuno.blogspot.com.br/2012/02/Constantino-e-helena

Eu não sou o único a tratar do assunto desta série de posts e o faço, tanto quanto possível, limitando-me àquilo historicamente comprovável. E história é história, independentemente de nossas inclinações ou opiniões pessoais.