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É possível exercitar o sentimento de religiosidade de modo exclusivamente espiritual, dispensando uma base física, significados expressos por meio de retóricas desenvolvidas a propósito e uma formatação que reflita a visão pessoal de seu formulador ou formuladores?

Se afirmativa a resposta, não seriam os seguidores de tal movimento tomados em sua prática por vibrações diretas do Criador, configurando uma crença isenta de preconcepções, de imposições dogmáticas, que falaria espontaneamente aos seus sentimentos do modo como estes lhes fluíssem do íntimo?

A busca dessas características nas religiões pode representar risco de graves equívocos, a considerar serem elas sistemas organizados de crenças gravitando em torno de regramentos, dogmas e proibições, ordenamentos costumeiramente estabelecidos a partir da premissa de compreenderem repositórios das verdades últimas extraídas do direito de tutela da divindade, regras preestabelecidas ao arrepio dos pendores e das emoções pessoais, que a elas se devem adaptar e subordinar.

Os cultos solares, os cultos astrais responderam melhor à proposição, presente o fato da livre manifestação da religiosidade do homem em suas origens, a liberdade de crer a seu modo, exercitar sua crença a seu talante e comportar-se na forma de suas convicções mais pessoais e íntimas. Neste quadro, o bem é de índole e o mal nada tem de sobrenatural; ele não existe na natureza, é também questão de índole.

Inevitável, o homem evoluiu; com o amadurecimento da inteligência as sociedades humanas tornaram-se mais complexas e sua crescente complexidade impôs se ordenassem com rigor e disciplina igualmente crescentes. Surgiram as religiões.

(segue)