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Dois referenciais foram definidos. No mesmo passo, a origem, o ser humano ainda na linha de montagem, ainda, pois, pré-homem, a despeito dos avanços em sua estruturação. E os elementos, a Natureza.

Quando os melhores exemplares mamíferos desceram das árvores, ganhando a savana, em caminho inverso ao de seus pequeninos e amedrontados antepassados, ‘sabiam’ estar jogando uma espécie de tudo ou nada. A floresta, o mundo das árvores, ficou pequeno para eles; nada, lá, nos seus limites, restara por conquistar, e isso os impacientou. As feras, os repteis, estavam nos seus ‘cálculos’, escaramuças haviam, já, sido experimentadas. Feras e repteis constituíam, contudo, riscos físicos, identificados e identificáveis, podiam ser enfrentados ou ludibriados. O crânio maior, a inteligência crescente, porém, provocava-lhes outros medos; começando a perceberem-se como seres diferenciados, suas necessidades deslocaram-se da só subsistência e sobrevivência para algo ainda não apreendido inteiramente, forças imateriais que lhes eram superiores e com as quais não sabiam lidar. As trevas não podiam ser combatidas, as tempestades eram incontroláveis, as secas assassinas. Pressentiam naquilo forças más. Casamatas nas árvores, lanças, vigilância não mais bastavam. Passaram a sentir necessária outra forma de proteção.

A noite era seara de demônios, o poder das tempestades aterrorizante; o Sol, força benigna, contrapunha-se a ambos, mas tinham de aplacar-lhe a fúria das secas que espantava a caça e queimava os alimentos. Era preciso agradá-lo e os meios de fazê-lo se foram sucedendo e diversificando.

Surgiu o culto solar, com ele o conceito de divindade, a oposição entre luz e trevas, por extensão a ideia de bem e mal, o dualismo. Como não compreendiam a Natureza, passaram a adorá-la e a temê-la, estendendo o sentimento de culto às gerações posteriores e assentando as bases da religião que fez surgir o princípio dos dois mundos opostos. A lua preencheu o simbolismo feminino, a outra face da divindade solar, os demais corpos celestes formavam-lhe o séquito.

O culto astral estabeleceu-se em definitivo, alcançado no Egito antigo o ápice da adoração ao Sol, estendida com maior ou menor intensidade aos tempos modernos, passando por Platão e pelos pitagóricos, que lhe deram uma imagem terrena, o pentágono.

(segue)