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Dignidade e honra são parentes próximas, alicerces do ser humano em sua plenitude, aquilo que compõe a personalidade do homem moral. Além de qualquer consideração, é um patrimônio intocável que reclama a proteção social, do direito; protegendo-se-o em termos individuais, protege-se a higidez moral da Sociedade e bloqueia-se eventuais tendências malevolentes, alertando da dignidade e honra alheias os desavisados, com frequência indesejável nem tão desavisados assim. Aqui se tem a detração contumaz, as graves imputações não provadas, o ato da violenta agressão moral manifestada intencionalmente de formas as mais variadas. O que fuja a isso, mesmo importando violação de direitos, não é dano moral, mas a prática não permitida do transtorno, desassossego, dano material, tentativa de engodo, também passíveis de serem postos sob o crivo da lei e de pagarem indenizações, sopesados, contudo, os seus contornos em outras esferas, a da ordem, dos bons costumes, da disciplina social, da moralidade nos negócios, do respeito e da boa-fé. A má-fé é insuportável e desafia, pelos seus efeitos, pronta reparação.
 
À conta de tais circunstâncias, a Sociedade, ela mesma, há de refletir nos pleitos de sua iniciativa os conceitos mais precisos de dano e justiça, descartando o dano moral de suas intolerâncias para reservá-lo às questões de alta indagação que envolvam o ser humano, destinatário do quanto de mais justo e gratificante derive das relações e obrigações sociais, a preservação indeclinável de sua honra e dignidade e a indenização vultosa como princípio didático para os fins da disciplina coletiva.
 
E enquanto não atingirem níveis ideais os critérios conducentes da Sociedade a um posicionamento mais adequado em face da Justiça, o artigo 331 do Código de Processo Civil, aplicado com a inteireza de sentido que lhe quis emprestar o legislador, deve dar o tom das lides judiciais. Pense-se bem no que se vai pedir e adequem-se as ações ao que de fato corresponda à pretensão, sob pena de ver-se refugados, já na Audiência Preliminar, os argumentos sofísticos, inexatos e tendenciosos, as provas desnecessárias e os atos ociosos. O processo escorreito, espancado de seus excessos, desonera o contribuinte de custos supérfluos, molda-o para uma decisão mais simples e direta e atende o legítimo desiderato de uma justiça mais rápida e menos custosa.  
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