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(…): a detida visão do complexo espaço-tempo percebe este último como uma quarta dimensão, ou uma dimensão extra do espaço, indefinida e indefinível além de suas medidas conceituais (dinâmico, sideral, solar, etc.), impedindo possa ser expresso de forma precisa ou identificado segundo o estágio de desenvolvimento em que se encontre, salvo nos termos relativos de passado, presente e futuro. Uma ordem de grandeza independente das variáveis altura, largura e profundidade do espaço, embora a este esteja associado, o tempo, mais acuradamente, não representa uma constante; afetado pelo movimento, pode contrair-se ao fluir mais lentamente, ou expandir-se, ao fluir aceleradamente. Na Teoria da Relatividade Especial, de 1905, Einstein ocupou-se dos efeitos do movimento sobre o tempo; em 1915, na Teoria Geral, ocupou-se dos efeitos da gravidade sobre ele — o exemplo clássico é aquele dos dois relógios iguais e precisos, colocados, um no sopé e o outro no alto de uma montanha. O tempo fluirá mais devagar por aquele colocado junto ao chão, onde a gravidade é mais acentuada. É, na prática, o tempo contraído na correlação com o tempo medido pelo relógio do topo.  
Henri Bergson, um dos mais eminentes filósofos da segunda metade do século XIX, e talvez o que mais influenciou o pensamento do século XX, nascido em Paris em 1859 e morto em 1941, elaborou um sistema de idéias que repousa na intuição e nos dons da consciência, livres da idéia de espaço.  Em sua tese de doutorado, Tempo e Livre-Arbítrio, teorizou sobre a liberdade da mente e suas implicações, daí subsumindo o prolongamento que considerava uma variada e ilimitada sucessão de estados de consciência. Agregando à Teoria da Evolução, que abraçou com firmeza, a dimensão espiritual da vida, considerou nesse contexto o tempo matéria de considerações filosóficas. Para ele, uma criança não é capaz de experimentar o tempo de forma espontânea e direta, tendo, antes, de aprender a vivenciá-lo para senti-lo na amplitude de sua duração, efeitos, alcance e profundidade.
(A Conspiração dos Medíocres / Livro II – Deus, o Universo e a Vida / Nota 32)