Trechos de entrevista de Técio Lins e Silva ao Jornal do Advogado da Seção do Estado de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil, edição de maio de 2012, pp 14 e 15.
 
Uma observação essencial: o texto, extraído diretamente do texto original, alterou-se repetidas vezes, dele desaparecendo palavras e frases, o que me obrigou a seguidas conferências. Composto em PDF, tive enorme dificuldade com a sua transposição em tal formato para este blog.
Informem-me, por favor, sobre qualquer anormalidade: onairnunes@gmail.com 
 
(…). E eu pude, neste momento, ser porta-voz desse anseio da classe, introduzindo esta regra no capítulo dos crimes contra a administração da justiça. Por quê? Porque a Constituição Federal diz no artigo 133 que o advogado é indispensável à administração da justiça. Esta afirmação faz com que nos crimes contra a administração da justiça esteja uma regra para quem viole a prerrogativa de quem é indispensável à administração da justiça. Nós estamos simplesmente tornando efetivo um dispositivo constitucional. Diz ainda o artigo 133 que o advogado é inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei. Então, estamos dando vida a uma regra constitucional importantíssima que dá ao advogado essa condição de ser indispensável à administração da justiça, ou seja, sem advogado livre, sem advogado com liberdade para o exercício concreto do seu mister, do seu ofício, não há justiça. Isso é uma prerrogativa da cidadania, porque essa proteção é a garantia do cidadão, do qual, nós, advogados, temos o monopólio da representação judicial. A defesa das nossas prerrogativas não é nada mais nada menos do que a defesa das prerrogativas do cidadão. Então, essa é a importância política, histórica, ideológica da regra.
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(…). Juntamente com a criminalização da violação das prerrogativas do advogado, a comissão aprovou a descriminalização do crime de desacato à autoridade, que tem aquele ranço insuportável da ditadura, que tem aquele ranço insuportável do Estado Novo, que inspirou o Código Penal vigente lá nos idos de 1930/1940, copiado do Código Penal italiano, o Rocco, que era uma lei fascista. No anteprojeto não existe mais esse tipo penal que alguns servidores arrogantes, que alguns juízes, que algumas autoridades estampam nas portas dos seus gabinetes, como uma ameaça ao cidadão, uma ameaça ao exercício da cidadania. Ninguém põe cartazes dizendo que é proibido matar ou que é proibido estuprar, não é? A descriminalização do desacato à autoridade é, também, junto com a incriminação do desrespeito às prerrogativas profissionais dos advogados, uma complementação importante da defesa da cidadania.
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