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Chegou-me pela internet na semana recém-finda uma série de vídeos editados em conjunto, nos quais se assiste a um show de sectarismo às avessas e ao diversificado proselitismo do ‘não creio em nada e quem crê é estúpido e idiota’.

Longe de mim fazer apologia religiosa e postular que toda fé é inteligente. Até porque fé é apenas um rótulo aplicado a volumes de conteúdo incerto, cujo sabor é esquisito por força de ingredientes duvidosos, algumas vezes tóxicos.

Dá-se, porém, de haver considerável quantidade de pessoas que, simplesmente, não conseguem caminhar pela vida com as próprias pernas e segundo orientação pessoal; quando se associam a um dos organismos existentes não o fazem por mero instinto gregário, mas para nele se apoiarem. Lê-se e ouve-se com frequência na abordagem de questões contrárias a tais organismos as palavras racional, racionalmente, racionalizar e afins.

São racionais as tentativas de – linearmente – demolir as crenças dos outros sem deixar nada no lugar do que é tão valioso para eles e tanto os ajuda nos momentos difíceis vida afora? Tem gente por aí crendo ser possível curar doenças graves, não raro fatais, com orações; tudo bem, mas, em tais casos, o que se observa é a prática do charlatanismo, não exatamente estranha aos cânones legais. Então, é necessário enquadrar os charlatães, não espinafrar a pobre gente que neles acredita. Lembra do Jim Jones? Pois é!

Não percebem os luminares, antes de tudo profetas do caos, que, ao direito de não crer corresponde o direito de crer, devidamente capitulado? Não faz muito, transcrevi aqui no blog texto de Cacá Diegues no qual, com o mais absoluto acerto, escreveu: se num discurso não houver um mínimo de possibilidade de o outro estar certo, esse discurso será sempre autoritário, excludente e impositivo, não serve para nada. (Post de quinta-feira, 7 de julho de 2011 , UM ALERTA)

Conhecimento – em sua melhor acepção – parece uma boa palavra para orientar a lida com o criticado comportamento da fé. Ajudem, pois, em lugar de ridicularizar, as pessoas a se informarem, a olhar com visão independente e racional os fundamentos daquilo em que acreditam. E, já que o Novo Testamento é um alvo sempre na mira, comecem por ele, lembrando que Novo Testamento é uma coisa, Bíblia, outra. O NT é antecedido no Livro Católico pelo Pentateuco, pelos Livros Históricos, pelos Livros Poéticos e Sapienciais e pelos Livros Proféticos, pelo Antigo Testamento, afinal, guia do Povo do Livro,  A BÍBLIA.

Mostrem capítulo por capítulo, versículo por versículo as contradições do NT, que não são poucas, e cotejem-no com o AT, estabelecendo na transposição para o grego a relação Messias/Cristo, sublinhando que o Messias foi – é – o Ungido de Iavé, o Deus da Guerra, ainda esperado por seu povo, um libertador consagrado desde os tempos do exílio babilônico.

Mostrem o próprio Iavé instituindo a Casa de Davi como berço do Messias, Cristo para o grego, da qual, sendo herdeiro, não pode, ou não podia, ser de origem divina. Nenhum ente divino reúne, ou reuniu, a condição mínima para definir o Messias, provir da Casa de Davi, ancestral de guerreiros, gente de carne e osso gerada como qualquer outra.

Abordem o Censo de Quirino no ano seis da Era Comum e suas implicações quanto ao nascimento de Jesus de Nazaré; analisem para quem tiver ouvidos para ouvir e olhos para ler o versículo no qual Jesus disse ser sua missão recuperar as ovelhas perdidas da Casa de Israel. De Israel. Não esqueçam de estabelecer a evidência contida no versículo em que ele se dirige à mulher no caso do pão dos cachorrinhos.

Não esqueçam de considerar o núcleo cristão inicial formado pelos companheiros de Jesus, no qual Paulo não era benquisto, todos judeus que não conheciam outros livros orientadores que não os Livros de Moisés.

Não esqueçam, também, do sentimento de profunda solidão e abandono de Jesus em seus momentos antes da morte na cruz, quando desabafou, sofrido, em seu idioma, o aramaico: Ely, Ely, lemá sabachtháni/Pai, Pai, por que me abandonaste? As ‘traduções’ Pai, em Tuas mãos entrego o meu espírito ou Pai, perdoa-os, eles não sabem o que fazem são puro desrespeito à inteligência e cultura geral.

E há mais, muito mais.

Ensinem, não ofendam. Aprenderam como foram ensinados. E creram. Sua esmagadora maioria não é capaz de citar integralmente um único versículo do Novo Testamento; muitos, muitos mesmo, jamais leram uma palavra sequer do seu texto. Levem-lhes conhecimento inteiro, racional, ajudem-nos a dominar adultamente os fundamentos de sua crença, não a destruam, nem tentem fazê-lo, eles precisam dela. Eu fiz a minha parte; está no Capítulo/Livro Jesus de Nazaré, 1700 Anos de Equívocos de A Conspiração dos Medíocres.

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