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Está circulando na internet um e-mail no qual aparece um sequestrador – não se sabe em que circunstâncias – chinês sendo assassinado. A peça se encerra com dizeres absurdos, desses absurdos que, faz parte do jogo, só uma democracia permite.

Transcrevo a seguir:

Milhões morreram para implementar a busca do líder por uma virtude igualitária. Porém, em sua revolta contra a onipresente burocracia chinesa, ele continuou a se debater com o dilema de que a campanha para salvar seu povo de si mesmo gerava burocracias ainda maiores. No fim, destruir os próprios discípulos tornou-se a vasta empreitada de Mao. (Henry Kissinger, Sobre a China, Objetiva, 2011, página 118, Tradução de Cássio de Arantes Leite)

Cuidado, portanto! Os artesãos costumam usar ferramentas. Quantos companheiros de primeira hora sobreviveram a Fidel?

Para começar, a história da China nada tem a ver com a história do Brasil; a diferença é de milhões de anos luz. Depois, não fomos assaltados à mão armada como foi a China no século XIX pelos grandes países ocidentais, a Inglaterra liderando o arrastão. Não fizeram contra nós uma guerra do ópio, não roubaram boa parte do nosso território, nem nos humilharam além de todos os limites como fizeram com eles. Se há um país que tem consciência da sua história e da sua importância, esse país é a China. Teve bons motivos para tornar-se o que é.

Quem por primeiro colocou essa tragédia na rede, que se vale da democracia em que vive, do direito de informação e livre expressão que assegura para pregar contra ela deveria ir viver na China e pregar contra os cânones do regime. Para início de conversa, não teria livre acesso à internet; se de algum modo o fizesse, não mais se ouviria falar dele.

Quem era aquele moço assassinado? Que risco real representava para a Sociedade? Por quê fez o que fez? O que o país dele proporcionou-lhe para não chegar ao ponto que chegou? E por quê chegou? Que retaguarda teve na infância e na adolescência, do Estado e da família? E sua família, teve recursos de trabalho e renda para dar-lhe retaguarda?

Matar é fácil, muito fácil; meninos desassistidos que tomam bolsas de senhoras nos sinais de trânsito atiram contra elas e, com frequência, as matam à menor resistência, estamos cansados de ler nos jornais a respeito. Devemos assassiná-los também?

Aquele homem estava pauperrimamente vestido e era a imagem da angústia.

They shut horses, don´t they? Lembram-se?