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Este post deveria ter vindo ontem para o blog. Durante a tarde e à noite por repetidas vezes tentei entrar na internet; não consegui. Publico-o com a redação de domingo.Hoje, no fim da manhã, enquanto participava de concorrida passeata da população do bairro de São Francisco, em Niterói – reforçada por moradores da região oceânica da cidade com o mesmo problema e com as mesmas reivindicações -, um protesto contra a violência pedindo policiamento adequado, minha cabeça rodou à vontade. Veio-me à mente o texto de um niteroiense, do qual reproduzi um trecho como epígrafe do post de 10 de janeiro de 2011:

LIVRO IX – APÊNDICE

Tu sabes, conheces melhor do que eu a velha história. Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite já não se escondem; pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada. Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.

(Excerto, No Caminho com Maiakovski, Eduardo Alves da Costa, nascido em Niterói, RJ, em 1936)

É  emblemático.

À certa altura da caminhada, enquanto o núcleo condutor verberava ao microfone o descaso ou a incompetência do Prefeito, um homem ao meu lado direito começou subitamente a vociferar com todas as forças dos pulmões: corrupto, corrupto! Era o único; os demais, educada e tranquilamente, simplesmente caminhavam marcando solidária presença, um bom número ostentando cartazes com dizeres alusivos ao evento. Ao meu lado esquerdo, uma voz calma reagiu à fúria acusatória: se bem me lembro, ele é um desses arrimados no dinheiro público que vão às suas repartições apenas uma ou duas vezes por semana, quando vão. Que autoridade têm essas pessoas para classificar alguém de corrupto? E se é assim, por que não especificam os atos de corrupção e assumem a responsabilidade de uma denuncia formal, para que o corrupto seja processado e preso?

Nada respondi, apenas assenti com a cabeça. É tão óbvio!

Ontem, assistindo à dicção do Pe. Fábio de Melo, uma observação flechou no ar: É necessário tomarmos consciência de que o outro é um outro, não é prolongamento de nós mesmos. Não me foi outorgada Procuração para defender políticos, mas, quando as pessoas dizem certas coisas, não deveriam comportar-se com um mínimo de coerência, responsabilidade e compostura?

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