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Não sendo este um texto técnico, não se ventilou, por exemplo, o processo pelo qual são produzidas as proteínas, tipo de operação, entre muitas, de extrema complexidade e precisão em que a célula aciona enzimas programadas para se ligarem ao gene e dele copiarem a receita da proteína a ser elaborada, ´imprimindo´ os dados no RNA produzido especificamente para esse fim; ao mesmo tempo receita e transportador, o RNA recolhe os dados no DNA e leva-os do núcleo para o citoplasma. Em seguida se junta ao ribossomo, uma divisão da célula composta de ácido ribonucleico e proteínas, onde é sintetizada a cadeia polipeptídica, aquela composta por mais de dois aminoácidos. Nessa fase são, então, selecionados entre os aminoácidos ali ´guardados´ aqueles necessários à produção da proteína específica, que, no endoplasma, a parte interna do citoplasma, entra em fase de acabamento para só depois ser liberada para a função especial que irá desempenhar. E toda essa fascinante movimentação é feita para preservar, no núcleo, o código genético. 

O caminho seria bem mais curto se, ao invés das enzimas copiarem a receita da proteína a ser produzida, o DNA atuasse diretamente sobre o ribossomo, selecionasse os aminoácidos necessários à produção da proteína e esta, depois de produzida, passasse ao acabamento; só que, nesse caso, utilizado diretamente, o registro do código genético não se manteria, perdendo-se a continuidade, pedra angular da evolução, a considerar que uma regra imutável da natureza, simplifiquemos tudo neste termo, estabelece que ela se consubstancie sempre uma sucessão de causa e efeito segundo a qual o organismo posterior é plasmado no organismo anterior, seu ascendente. É por essa razão que o mono não evoluiu diretamente do peixe; isso ocorreu após um longo encadeamento marcado pelas depurações das extinções em massa que eliminaram os indivíduos imprestáveis ao mesmo tempo em que eram preservados os exemplares adequados para que o processo evolutivo, que está em curso, não fosse prejudicado, sem sopro nas narinas para colocar de pé, andando e respirando, um produto pronto e acabado numa só etapa construtiva. Acaso?  

© Onair Nunes da Silva – Terra; A Substantivação da Vida/A Conspiração (continua)