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Ambiente por excelência de um sem número de células, a água circula pelos minúsculos poros de suas paredes levando consigo oxigênio, açúcar, aminoácidos e demais substâncias que a alimentam; as moléculas menores penetram-na espontaneamente, mas aminoácidos e açúcar, moléculas maiores, precisam das proteínas para se deslocar, assim como a hemoglobina, que delas se utiliza para transportar o oxigênio retirado da atmosfera à medida das necessidades da célula. Utilizando também carboidratos e lipídios, mas dependente das proteínas para alimentar-se e operar, ela serve-se de um produto específico, a enzima, para, no seu meio aquoso, desenvolver a curtíssimos espaços de tempo reações químicas que dão suporte à suas atividades, chegando a executar em cada reação cerca de 30.000 operações. As milhares de proteínas utilizadas pela célula são produzidas no ribossomo, a divisão celular imersa no citoplasma que recebe as instruções do DNA transportadas pelo RNA.

Através das mesmas reações químicas que dão suporte às suas atividades, a célula se desdobra não apenas para formar organismos, mas para sustentar-lhes a vida numa sucessão de fases muito bem delimitadas: na primeira, a reprodução suplanta de muito a sua morte; na segunda, reprodução e morte se equivalem; na terceira, a reprodução vai paulatinamente diminuindo, enquanto gradativamente aumenta a quantidade de células que morrem. É a infância, a meia idade, a velhice, e, finalmente, quando a reprodução já não mais pode sustentar a existência e se dá a falência dos órgãos, a morte.

As células podem compactar-se numa linha de defesa para rechaçar ataques de organismos estranhos, alongarem-se para se tornarem ágeis e estenderem-se para melhor interagir. Mecanismos milagrosos e versáteis – mantêm permanentemente equilibrados os elementos químicos do citoplasma -, mudam de lugar quando o meio em que vivem se torna hostil. Desdobrando-se, agrupando-se e especializando-se, exibem comportamentos variados que parecem sugerir, extrapolados os limites meramente funcionais, haver adquirido, do seu DNA, personalidade.

Essa breve visão da célula e de suas atividades essenciais, uma maravilha técnica única com o condão de materializar, recriando, a vida, por ser vida em si mesma, é, antes de tudo, uma proposta de reflexão. Assistirá razão à corrente que tem a vida física por resultado de um processo que se estabeleceu por acaso, sem uma poderosa inteligência por trás de tudo?

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© Onair Nunes da Silva – Terra; A Substantivação da Vida/A Conspiração       (continua)