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Estamos em novo ciclo, tempo renovado, convite a novas conceituações. Olhamos para o que passou. A indústria cresceu 0,3%, o varejo 6,5%. Sem demérito para a Administração anterior, mas com grave responsabilidade para o Setor Industrial, que não pode fixar-se apenas nos seus lucros, 30 milhões de novos consumidores reais foram jogados no mercado sem qualquer medida interna efetiva para aumentar a oferta de produtos. O país, a Economia não se preparou para eles. Resultado: inflação, as queixas costumeiras dos industriais em busca de dispositivos oficiais de proteção e desnacionalização do mercado. Tudo estaria bem se estivéssemos falando da concorrência saudável qualidade/preço que faz o mercado e amplia os seus limites. Não estamos.

Paralelamente ao torpor industrial brasileiro, assistimos à enxurrada de itens cujas origens manufatoras fogem ao que de mais são existe na área produtiva. Tempo vai, tempo vem Inspetores oficiais desmantelam redes de trabalho escravo, libertam trabalhadores cativos, a Polícia Federal prende modernos senhores de engenho; o país, no entanto, alimenta boa parte do seu consumo com mercadorias de origem certa produzidas mediante métodos duvidosos. Por aqui, felizmente, no geral, entende-se – com uma boa ajuda da falta de mão de obra qualificada, que ajusta para cima os salários – que o trabalho humano tem de ser justamente remunerado. Questão de dignidade pessoal e profissional. E também característica de um regime livre.

Bem, precisamos de uma política industrial, mas, afinal, o que é, de fato, política industrial? A expressão soa redonda, ostenta, até, alguma pompa, mas é vazia, interpretativa, alimenta discussões – e fugas – sem fim, torna muito difícil sua correta formulação e quase impossível sua implementação. Como materializar essa miragem num sistema que conspira contra a competitividade com a energia mais cara do mundo, absoluta falta de infraestrutura, descompasso produtividade x quadros de pessoal x recursos instalados, com a falta de vocação para a produção em escala, que derruba os custos? E com a falta de arejamento tecnológico, mais os nossos impostos, ah, os nossos impostos!

“Negócios” é sinônimo de riscos, indústria – abstraindo a expressiva participação dos Serviços no PIB, pouco mais, pouco menos, 60% – é a base, a via pavimentada por onde corre a economia bem estruturada. Os serviços são, de certo modo, fontes voláteis de riqueza. Pedindo licença a Ancelmo Gois, perguntar não ofende: apesar de tudo, novos consumidores aportarão no mercado, capitais externos, geridos por sistemas industriais altamente profissionalizados estão assumindo riscos, ocupando espaços; e as nossas indústrias, os nossos industriais? Vão ficar assistindo? Com todo o respeito.