No post de quarta-feira última, 18, usei pecados colonialistas. Embora desnecessário, registro a conotação meramente qualificativa da expressão e sua nenhuma relação com o substantivo pecado, tema já tratado neste blog.

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O termo quark não tem qualquer significado expresso, ao contrário da designação das partículas em geral, que indica sua origem ou natureza; ele procede de Finnegans Wake, de 1939, última novela de James Joyce, escritor irlandês internacionalmente conhecido a partir de Ulisses, escrito em 1922. O título calca-se em uma jocosa canção irlandesa denominada Finnegan’s wake, cujo tema é o velório de Tim Finnegan, um pedreiro embriagado que despencou de uma escada e morreu; com a pluralização do Finnegan e suprimindo a forma possessiva, Joyce, aparentemente, quis cadaverizar e velar os muitos Finnegans que faz desfilar no texto, ficção complexa e fragmentada pródiga em simbolismos abertos à diversidade interpretativa provocada pelas feições bizarras que deu ao mito do eterno retorno, uma visão arquetípica e metahistórica do mundo. Complexidade muito mais de forma do que de fundo, o texto torna-se compreensível à medida da identificação dos personagens.

Uma recriação de Tristão e Isolda, Joyce conta, entre outras, a história de Marc, rei da Cornualha, traído por sua noiva, prometida ao filho de sua irmã Blanchefleur, viúva de Rivalen, quando o sobrinho, havendo declinado de sua mão em favor do tio, a levava ao seu encontro. Mais tarde a rainha decide, arrostando as consequências, fugir com o seu jovem amor e morrer com ele, se preciso; e de fato morrem. O capítulo Three Quarks for Muster Mark é aberto com a frase (…)

(Copyright Onair Nunes da Silva – Trecho de Emergindo do Caos/A Conspiração dos Medíocres)

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