Esta publicação encerra a série iniciada com o post de 13 de agosto, ampliado para o post de 17 de agosto, no qual pretendidas as cores finais, estendidas, contudo, pelos posts de 21 de agosto, 9 de outubro, 2, 9, 16, 23 e 30 de novembro, mais o post de 14 de dezembro. Leia-os, por favor; a idéia se completa.

Em uma antiga fazenda no Estado de Vermont, EUA, John Kenneth Galbraith, canadense nascido em Iona Station, Ontario, também em uma fazenda, professor de Economia em Harvard, mundialmente conhecido e respeitado, escreveu um livro originalmente publicado em 1954 nos Estados Unidos a que titulou The Great Crash 1929.

Um de seus capítulos, parafraseando a inscrição na moeda, chama-se In Goldman, Sachs We Trust. Nele, o professor Galbraith, discorrendo sobre o panorama de jogatina, incertezas e falências da economia americana no final da década de 1920, fala sobre as cerca de 186 firmas de investimentos (modernamente bancos de…) organizadas apenas em 1928. Comparando as posições vendidas ao público em 1927 – quatrocentos milhões de dólares – com as estimadas posições vendidas em 1929 – estimadamente três bilhões de dólares -, dá a medida da loucura de que foi tomada a atividade financeira americana na fase imediatamente anterior à quebra da economia. Uma das Investment Trusts nesse quadro era Goldman, Sachs.

Em matéria econômica – embora não apenas em matéria econômica -, ignorar a história é, quase sempre, fatal. Peço licença para reproduzir diálogo entre o Senador Couzens e o Sócio Sachs em inquirição da época perante um Comitê do Senado dos Estados Unidos (p. 90, edição da Penguin Books em associação com Hamish Hamilton, que primeiro – 1955 – publicou o título na Grã-Bretanha) – Tradução minha:

–       Senador Couzens: Goldman, Sachs & Companhia organizou a Sociedade Mercantil Goldman, Sachs?

–       O Senhor Sachs: Sim, Senhor.

–       Senador Couzens: E vendeu suas ações ao público?

–       O Senhor Sachs: Parte delas. Investiu-se originariamente em dez por cento da emissão total de dez milhões de dólares.

–       Senador Couzen: E os outros noventa por cento foram vendidos ao público?

–       O Senhor Sachs: Sim, Senhor.

–       Senador Couzens: A que preço?

–       O Senhor Sachs: A cento e quatro dólares. Refiro-me às primeiras ações, que resultaram em duas por uma.

–       Senador Couzens: E qual é o preço da ação agora?

–       O Senhor Sachs: Aproximadamente um dólar e setenta e cinco centavos.

Goldman, Sachs Group, Inc. – Investment Banking & Securities está aí. Veja artigo de Matt Taibbi, de cinco de abril de 2010, em

www.rollingstone/politics/news/the-great-american-bubble-machine

Num frenesi análogo e tresloucado, Lehman Brothers, um Empreendimento de 1850, afundou em 2008 no rastro dos investimentos podres das moradias, expondo a fragilidade dos fundamentos da Economia americana e levando consigo tudo o que se sabe. Em 1929 as Economias eram locais, em 2008 globais. Tal o disparate dos números, e o absoluto descontrole, que a contaminação foi inevitável. Já não estamos na Rota do Caos; digam o que disserem, escrevam o que quiserem, celebrem tantos acordos paliativos quanto puderem, o caos instalou-se. Os custos dispararam, as receitas têm limites naturais.

Visão pessoal: a teoria econômica tem muito a ver com a física teórica, que explica matematicamente e demonstra experimentalmente os fenômenos físicos. O problema com a Economia é que em teoria econômica, às vezes, se inventa um bocado ao invés de, simplesmente, explicá-la. Aí…

Uma Controladoria de verdade, competente e realista é vital para manter os empreendimentos saudáveis e preparados para atuar num mercado especulativo, mais para cassino do que para negócios firmes, de longo prazo; o nome para isso é profissionalismo e responsabilidade. Não se deve abrir mão destes dois componentes desde as operações mais simples até as mais complexas. Contabilidade, balanços, balancetes, relatórios, análises, demonstrativos, gráficos, estatísticas e que tais devem ser desenvolvidos e preparados para orientação própria. Montar números e demonstrativos para o Fisco e para investidores não é prática de aventureiros; para ser exato, isso é pura delinquência.

Se o seu negócio não for capaz de, em operação normal, pagar os impostos (além de, é claro, atender às demais contas), como tantas vezes se alega, encerre-o, mude de ramo ou arranje um emprego. Melhor ainda, nem comece. O mundo dos negócios, em qualquer segmento ou grau, não é lugar para amadores.

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