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2 – Consulte a atualização do índice do blog no post de 11 de setembro.

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Em 19 de outubro recém-findo o Comitê de Política Monetária do Banco Central cortou a Taxa Selic em meio ponto percentual, reduzindo-a para 11,5% ao ano; a Presidente Dilma recomendara um corte maior.

São diversas as razões apresentadas para o corte menor, entre elas, a principal para o presidente do Banco Central, a de que cortes menores atendem melhor a necessidade de repor a inflação no centro da meta, projetando o restabelecimento da taxa de 4,5% a.a. para o fim de 2012. Lacônico, de certo modo, por se tratar de matéria complexa, de interesse direto do país e de todos os cidadãos conscientes, falta a fundamentação técnica que convença a maioria deles, e, especialmente a Presidente.

A desaceleração econômica não é remédio para coisa nenhuma, mas estímulo para a cultura do produzir menos do que necessita o mercado consumidor para não se fazerem maiores investimentos e assegurar lucros maiores com quantidades menores de produtos à venda, o que eleva o seu preço para o consumidor final.

O problema da inflação não é monetário – ah, esse monetarismo! -, pelo menos não é para ser enfrentado essencialmente por meio do controle da moeda. A inflação é de demanda e taxas altas de juros não ajudam intrinsecamente em nada, são paliativos. Juros abusivos e dólar no alto dificultam o aparelhamento e a modernização do parque industrial, afetando indiretamente a produção e o custo em uma sequência perversa: produção menor/custos altos/redução do consumo = trava no desenvolvimento, resultando mesmice na indústria e redução da oferta geral de empregos. Há vagas disponíveis no mercado de trabalho? Sim, há, para funções mais técnicas; é necessário lembrar, contudo, dos serviços gerais e das atividades de baixa especialização que constituem a base da pirâmide funcional (o analista de contas, o almoxarife, o pessoal que executa a manutenção, o funcionário de linha em geral).

O Banco Central deve estar comprometido com a macro, claro, mas é seu encargo, também, propiciar um cenário de desenvolvimento para o país. O nó górdio é a inflação de demanda; para desatá-lo estimule-se a produção em escala, eduquem-se as indústrias – cujo disciplinamento é responsabilidade do Governo Federal, da Presidente – e propiciem-se meios para melhorarem a qualidade e lucrarem na quantidade e não no preço alto, com o reflexo altamente positivo e absolutamente necessário de ganharem competitividade no mercado internacional. Isso só será possível com investimentos, redução dos custos, entre outros fatores pelo aumento da produção – cujo custo se reduzirá pela absorção menor por unidade ou lote dos custos fixos – e diminuição das despesas que formam o preço final, após apurado o custo industrial.

A única razão para o não investimento seria a instabilidade interna, algo definitivamente morto e sepultado. Obviamente, investimentos requerem cautela e bom planejamento, basicamente um Orçamento moldado em business plan, controle orçamentário e de estoques eficiente, um competente Serviço de Custos e uma auditoria interna com elevada consciência profissional que acompanhe, entre outras funções de sua competência, o cumprimento de um conjunto de normas, preferencialmente manualizadas, que padronizem os procedimentos e integrem os diversos níveis e setores do empreendimento, dando consistência ao organograma. Substanciais parcelas do capital internacional estão em rota contínua para o Brasil, mas, infelizmente, os homens de negócios brasileiros não estão investindo no grau necessário e possível. É prioritário mudar este cenário. A cada vez que o poder aquisitivo da população melhorar travaremos porque, numa visão maniqueísta da economia, será necessário reduzir a atividade econômica a pretexto de que aceleração econômica é o mal e juros altos são o bem que, solitário, controlará o demônio da inflação?

Temos um bom mercado interno ansioso para consumir. Juros menores implicam despesas financeiras menores; verificadas em análises setorizadas, também as Comerciais, e, no final das contas, mesmo as Administrativas, sem falar nos valores investidos em bens de capital, beneficiam-se. Juros extorsivos, como os que praticamos, corroem o organismo corporativo.

Banco Central independente ou autônomo é muito bonito, mas como podem as coisas marchar adequadamente, conjunturalmente falando, quando um funcionário faz ouvidos moucos às recomendações de sua Chefe, que, em última instância responderá pelas consequências de más decisões na condução do país, inflação puxando o cordão? E se os pontos de vista do funcionário revelarem-se equivocados, constituindo-se entraves ao desenvolvimento? A Presidente será responsabilizada.

Já perdemos muito tempo; no organograma da República o Banco Central é subordinado ao Ministério da Fazenda, cujo titular reporta-se diretamente à Presidente. Estamos falando de um time com hierarquias e responsabilidades funcionais bem definidas, isto é correto? Se não, penso que deveríamos começar a fazê-lo com urgência.

A Itália é a próxima Grécia, não estaremos imunes. Precatemo-nos.

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