(1- Continuação a partir do final da quarta página – 2 – Veja atualização do índice do blog no post de 11 de setembro – 3 – No post anterior constou 7 de outubro como data do primeiro posto sobre Steve Jobs; data correta: 12 de outubro)

os mais temerários, não necessariamente os melhores, aspiraram a um novo mundo. Havia riscos, claro, os predadores vagavam a savana, mas eles se sentiram fortes o bastante para a vida fora da segurança da floresta. Logo se impacientaram; em algum lugar, perto ou longe, haveria, provavelmente, algo para ser conquistado, prêmio pelos perigos que certamente correriam. Com desassombro, atributo que marcaria uma parcela dos seus descendentes, mas que a medianidade deles jamais experimentaria porque preferiria a segurança de suas florestas à busca pelo desconhecido, aqui e ali muito mais gratificante e provedor, fizeram resolutos a viagem inversa àquela empreendida por seus pequenos e amedrontados antepassados; ganharam, para não mais retornar, a amplitude do descampado onde a vida repleta de perigos transbordava compensações. Já mediam, então, aproximadamente, um metro e setenta e pesavam em torno de 68 quilos, exibindo um crânio de capacidade entre 750 e 850 cm³. A luta que se propuseram travar contra o desconhecido não reservaria espaços para a complacência; a lei da selva orientaria os posseiros do planeta na conquista que os tornou seus senhores e se manteria, menos ou mais ostensivamente, por toda a sua história. O ser humano entrou na linha de montagem.

A vida, trabalhosa, ter-lhes-á sido favorável até serem descobertos pelos grandes predadores, sob cujos ataques se terão reduzido, agravada a redução pelas prováveis deserções ocorrentes quando ameaçada a segurança do grupo. Entre os remanescentes, os mais aptos perceberam que sobreviver na savana era bem mais questão de habilidade do que de força; terão, por isso, adotado novos comportamentos. Erguendo-se ocasionalmente para colher frutos ou folhas mais altas, passaram a ver mais longe, o que lhes possibilitou anteciparem-se à caça e ao predador, decidirem-se pela luta ou pela fuga; passando a fazê-lo habitualmente, adestraram-se, capacitando braços e mãos para a defesa e para o ataque, para empunhar lanças e manejar ferramentas. Definitivamente estabelecidos na savana, foram crescentemente exigidos; obrigados a planejar e a criar, o cérebro expandiu-se, a inteligência desenvolveu-se. O permanente atrito do corpo contra as pedras e contra o solo em busca de lascas para produzir armas e utensílios diversos e enquanto dormiam, o mover-se entre arbustos e árvores espinhosos, de folhagem áspera, na busca de galhos para fazer cabos de ferramentas ou lanças, o expor-se ao sol e ao frio, gastava-lhes os pêlos, tornando-os menos abundantes. A vegetação rara e queimada dos verões, longos e muito quentes, e as glaciações, provocaram mudanças nos hábitos alimentares; herbívoros, a fome impôs-lhes a caça, em cuja carne obtiveram proteínas não produzidas pelo organismo, com o que se desenvolveram melhor. Os caninos encurtaram, ajustando-se aos incisivos, a cara, suavizando-se, revelou rudimentos do rosto humano, a luta permanente contra o ambiente hostil fez com que endurecessem, galvanizou-os.