Os efeitos e reflexos do colonialismo, por ocupação física/administrativa, econômico e político anularam-se e esmaeceram à medida que as colônias se foram tornando independentes, desenvolvendo suas economias e caminhando para a maturidade política. Décadas, e mesmo séculos, de exploração e drenagem de recursos alimentaram a ilusão da competência gerencial das metrópoles, uma quase-fraude. Escudadas nesta quimera, elas mascararam mazelas fiscais e financiaram o seu alto padrão com empréstimos, cuja cristalização em dívidas demasiado pesadas no cotejo com o seu PIB e com o seu custo era apenas questão de tempo. Demorou, mas a realidade bateu à porta das metrópoles; já não existem colônias donde extrair recursos para cobrir os seus déficits.

Doze bancos ingleses – numa economia considerada imune às tsunamis financeiras europeias – despencaram de seus conceitos, nove bancos portugueses, ainda ilusoriamente ranqueados, foram aproximados de sua real expressão; aí estão Grécia e parte do Reino Unido, com Espanha e Itália trilhando caminhos escorregadios e perigosos. No ínterim, os americanos cansaram-se de Wall Street, os protestos dispararam USA afora; estão esgotados, não querem mais pagar a conta. Esperemos que o movimento desborde para a Europa.

Não podemos, todos nós, ficar à mercê de consequências da desordem gerencial e de problemas para os quais não concorremos, expostos ao pagamento, ainda que indireto, do custo de benefícios dos quais não gozamos; precisamos trabalhar e viver sem sobressaltos e apenas responder pelos nossos próprios erros.

Eu já escrevi neste blog sobre o envolvimento das economias. Para ajudar a pagar a conta, contudo, o mínimo que nos assiste é ver consideradas as proposições e ponderações que temos feito nos planos e nos foros internacionais competentes. Enquanto isso, chovam dólares sobre nós; desvalorizados, são de benefício geral. Quanto à pauta de exportações e exportadores, agreguem valor aos produtos, incentivem e custeiem as pesquisas para melhorar-lhes a qualidade – importando, inclusive, equipamento e tecnologia de ponta não criada internamente, o que deve ser incentivado, a dólar baixo -, atribuindo-lhes competitividade. Como economia razoavelmente desenvolvida que somos, não podemos assentar fundamentos de nossa balança comercial na exportação de produtos primários. Eu falo de sustentabilidade, e, necessariamente, de Economia de Escala. Isto ainda se usa.