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Tive, depois, esta visão: eis que um cordeiro estava de pé sobre o Monte  Sião, com os cento e quarenta e quatro mil que traziam escrito na fronte o nome dele e o nome do seu Pai. (…). Estes foram resgatados dentre os homens como primícias para Deus. (…). De sua boca jamais brotou mentira, são íntegros. (…). E então outro anjo saiu do Templo gritando em voz alta para o que estava sentado sobre a nuvem: lança tua foice e ceifa; chegou a hora, a seara da Terra está madura. O que estava sentado na nuvem lançou, então, sua foice sobre a Terra, e a Terra foi ceifada. (…). Vi, também, um mar de vidro e fogo, e os vencedores da Besta, sua figura e o número do seu nome; estavam de pé sobre o mar de vidro (…). (Extratos, Apocalipse de João 14 e 15)

São, na verdade, espíritos do demônio que fazem coisas formidáveis; conclamarão os reis de toda a Terra a aliarem-se para a guerra do Grande Dia do Deus Todo-Poderoso. Eles os reunirão, então, no lugar que, em hebraico, se chama Harmagedon. (Apocalipse de João 16:14-16)

O homem poderá não chegar ao fim do seu tempo; expõe-se a provocar o fim do dia planetário. Está em suas mãos evitar, ou, pelo menos, afastar o Grande dia do Todo-Poderoso. Ele não se constituiu de modo igual, muitos são os caminhos, as vias de ascenso e descenso; havendo provado do fruto da árvore proibida, o sentiu bom e dele fez bom uso, mas o fim, é certo, virá por obra daqueles que não deram o passo à frente, para o espírito. Uns quantos, no conjunto dos povos, utilizarão o conhecimento para instrumentar intolerâncias, destruindo-se entre si e inevitavelmente destruindo a todos; não haverá vencedores. A sombra letal do Armagedom paira sobre o planeta longe de configurar a batalha final entre o bem e o mal, inexistentes em si, mas a guerra total dos homens, o mal contra si mesmo, sectarismo contra sectarismo. Alternativa: reconstruir-se no espírito.

A espiritualidade não sucumbe ao conceito substantivo pelo qual o método científico puro concebe o Universo, não se compraz no singelo sentimento de religiosidade, não navega as águas dogmáticas que banham ilhas de fábula e não compadece fixações econômicas; este é um conjunto de circunstâncias que impede uma leitura unívoca do Universo e da vida. Não é imaginável para a ciência ultrapassar as fronteiras demarcadas por sua noção de realidade assentada em seres matemáticos ou materialmente expressas; não obstante, ciência e religião têm tudo para pavimentar, juntos, a via pela qual poderão fluir – aplacados os rigores da ortodoxia científica e religiosa – os veículos da reconstrução do homem montados sobre a fé objetiva despida de delírios místicos, na direção das fontes cósmicas, donde ele provém, a volta às coisas mesmas, transcendência, Deus, deparado quando penetrada a dimensão das formas sensíveis, aparentemente inexistentes, jóias contemplativas do pensamento.

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©Onair Nunes da Silva, A Conspiração dos Medíocres/LIVRO II – Deus, o Universo e a Vida, fragmentos, pp 82/83.

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