Há sinais de seleção em alguns trechos dos Apontamentos em meu arquivo. Na inauguração deste blog eu observei haver chegado o momento de colocar os pingos nos ii; agora, no estágio dos fatos, comecemos por reproduzir o texto selecionado e, de acordo com as experiências relatadas, copiado. As marcas de seleção podem ser vistas à esquerda.

*    O livro está impregnado da idéia de Deus manifestada na energia, estado absoluto de força e potência conceptual ao atributo da inteligência em grau infinito, o Ser ideal constituído em Si e por Si, nexo de ordem de realidades complexas, fundamento primeiro e estado último, concepção a partir da qual são repensadas a origem do Universo, a formulação de suas rotinas e o produto da sua implementação sem o desaviso de pressupô-los mero produto do acaso, privilegiando-se a fenomenologia que nos remete à essência das coisas e à intuição dos fatos em sua origem, afastando-se o simplismo religioso, desafeto do racional, mas tomando em consideração a complementaridade, aspecto alterado de um mesmo fenômeno, proposta

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Recusando a crendice da fuga e do medo, dispor-se à credulidade, ver desmerecida a sua inteligência, submeter-se a fórmulas deduzidas de conceitos arbitrários pressupostos em edifícios de domínio erigidos sobre alicerces cuja argamassa haja sido batida com corpos e sangue humanos,o homem desonera-se de caminhar nas trevas. É fundamental penetrar os esconsos mentais, descerrar os espaços  interiores, respirar a brisa fresca da racionalidade, arejar as consciências, redirecionar-se para as coisas essenciais; inadmissível sejam estabelecidas por terceiros, elas se devem assentar pela busca de cada ser humano nas jornadas existenciais da vida, ensejos para o espírito, viagens atemporais por luzes e sombras, píncaros e profundezas, permanente revisão de velhos conceitos, desarme do parti pris que não engrandece ou ascende.

Nessa ordem de idéias, este nosso mundo é repensado. O comum de nós percorre suas existências em meio a uma floresta de modelos e símbolos científicos, sociais, místicos, míticos, religiosos e astrais por trás dos quais estão complexas abstrações que metaforizaram divindades e teorias, seduziram sociedades e exerceram profunda influência sobre as religiões. Nos Livros I e II dão forma literal a um modelo de nascimento do Universo e às forças sob cuja ação se desenvolveram teses e antíteses provedoras do seu equilíbrio, presentes na idéia de Deus, não contida no conceito de bem, mas exprimindo uma simbologia para ordem, força e perfeição. Deparamo-los aqui, lá e acolá, estão por toda parte, em todos os lugares.  (Fim da transcrição)

O texto – do qual alguns trechos já foram aqui publicados, com reticências – está desarrumado pelo elemento estranho da invasão. Eu gostaria de ter colocado neste post aquela imagem do frade carregando um corpo, já publicada neste blog; é da capa do livro, mas tive problemas com o upload.

Há alguém por aí fazendo farol com o que escrevi, que me pertence, que me foi surrupiado. Surrupiar é roubo; isso sim, é coisa de ladrão.

Como fica, porém, no surrupio, o todo, o conjunto da obra ao qual pertencem os trechos selecionados, por exemplo, o que escrevi sobre as Inquisições, as torturas, o sambenito, o rezar para Papai Noel e Branca-de-Neve, se já existissem, e que depois de cinco ou seis gerações virariam santos pelos progressos pessoais alcançados pelos esforços de cada um e desobrigados das desgraças por conta de pecados cometidos; e sobre o Marcos original, aquela história do jovem rico que os carpocracianos gostavam de contar com conotação erótica; e sobre as vítimas imoladas no altar da deusa consumo; e sobre os medíocres; e sobre os templos com caras fachadas de mármore, ricamente construídos, erigidos com o escasso dinheiro de pessoas muitas vezes com dificuldades para manter os filhos na Escola; e sobre a condenação pelo crime de lesa maiestatis, grave, capital, porque os romanos não se imiscuíam nas religiões dos povos conquistados; e sobre Barrabás, o bar-Abbas, traduzido corretamente; e sobre o orgulhoso Praefectu romano e todo o seu poder, supostamente andando como barata tonta em seu tribunal, quando, na verdade, jamais cederia a pressões de conquistados a quem desprezava, sem entrar no mérito desse desprezo, que não libertaria um sicário, sedicioso contra Roma, para condenar um manso pró-Roma – a Cesar o que é de Cesar – sob pena de ter a cabeça cortada por ordem direta do Imperador; e etc., etc., etc., etc., e etc., tudo lá, no texto no livro.