Um bom Controller, em fases de incertezas econômicas, deve armar-se de números, relatar a situação em detalhes, com projeções alternativas realísticas, mas eficazes, aos acionistas e propor-lhes soluções para retomar ou estabelecer a relação adequada investimento x faturamento x custos x resultado, a ele reservados a implementação das medidas corretivas, seu monitoramento pari passu e o pronto ajuste dos eventuais desvios.

A relação limite dívida x faturamento/PIB não deve ultrapassar os 50% (cinquenta por cento), patamar em que a luz amarela se acende. Além dele, cada ponto percentual acentua o amarelo e a vai tornando vermelha até os 60% (sessenta por cento), quando, em sua tonalidade mais intensa, adverte o perigo. Ultrapassado este percentual, administrar o empreendimento converte-se em atividade de risco, mais e mais agravado pela contínua elevação da dívida.

Cada país tem o seu Controller, o Presidente, designado pelos acionistas/contribuintes/ eleitores. Seus gerentes são os Ministros ou Secretários, sua Assembléia Geral o Congresso. No caso em estudo, Os Republicanos Reagan e Família Bush contribuíram com 9 (nove) trilhões e 500 (quinhentos) bilhões de dólares para a atual dívida americana (67% do total). Clinton foi superavitário por tempo equivalente à metade de um mandato, mas aumentou os gastos sociais; o Presidente em exercício já quase dobrou o déficit de Clinton, a considerar as inusitadas e precárias condições econômicas do país quando assumiu o cargo. O vermelho alcançou o máximo de sua intensidade dezenas de pontos percentuais atrás, a gestão presidencial é de risco. É necessário equilibrar o pluralismo e a unidade, neutralizar a influência dos modernos Utilitaristas quanto às intervenções em benefício de grupos. Não é uma situação nova; Ernest S. Griffith escreveu nos idos de 1954 algo muito presente:

O país está atualmente no meio de outro teste, envolvendo a sensatez ou não dos tipos de intervenção maciça do governo para controlar a inflação e a recessão na ordem econômica, o volume permissível de um déficit federal, os dilemas políticos dos vários dispositivos especiais das leis tributárias, a maneabilidade do ‘governo grande’. Estas são questões realmente políticas e não constitucionais, e apesar disso elas também constituem uma crise de sobrevivência.” (Ernest S. Griffith, O Sistema Americano de Governo, Nórdica, Rio de Janeiro, pp. 30 e 31, tradução de Arnaldo Viriato de Medeiros)

O problema não está apenas a oeste do Atlântico Norte. Corremos o risco de uma idade de trevas gerada por desacertos econômicos e seus imprevisíveis desdobramentos?

Um exercício de futurologia negra:

A economia ocidental quebra, os títulos desvalorizados das dívidas soberanas podem ser negociados com acentuados deságios; há dinheiro para isso, com algum esforço, mas há. Reduz-se a dívida em um terço, talvez à metade, tornando-a administrável; tudo ficará bem, em casa. Mas, e os outros? Bem, os seus países são problemas deles; by the way, um país não tem amigos, tem interesses, lembra? Consequente perversa: o poder tenderá a polarizar-se em sentido leste/oeste, apenas três grandes economias e uma outra bem armada, quatro potências hegemônicas, todo o resto periferia, em um clima internacional de salve-se quem puder, ou quase, a volta às zonas de influência. Isso não acontece da noite para o dia, é um processo, longo, que pode muito bem já se haver iniciado.

É um claro exagero, mas, será??????

O mundo precisa dos EUA enxutos, sem desacertos e confrontações internas, com o seu vigor Democrata (Nixon pareceu desafiar isto – o papel da lei, as liberdades civis, um respeito razoável pelos respectivos papeis do Presidente e do Congresso, cada um pelo outro são primordiais entre aqueles que a Corte (Suprema) tem sido zelosa em preservar –, alegando um privilégio executivo ilimitado a ser definido pelo Presidente unilateralmente; (…)  cf. Ernest S. Griffith) humanizado que precisou de uma Guerra Civil para decidir se o país sobreviveria e se seria governado por liberais ou radicais, longe daquele sistema de governo da década de 1780 que emitia dinheiro indiscriminadamente para financiar déficits, sem prestígio no exterior e com uma moeda aviltada.

É necessário manter o equilíbrio de forças; para isso, EUA e União Européia são fundamentais. A América do Sul tem de se preparar.

Os titulares dos atuais cargos executivos federais na Europa e nas Américas precisam como indivíduos superar até mesmo a grandeza de suas posições funcionais. Estamos em uma encruzilhada e todos dependemos de todos, desde Washington até Londres, de Berlim a Roma, de Paris a Brasília.

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