A melhor situação/posição econômica não resiste ao endividamento desenfreado, praticado quando as despesas são postas continuamente à frente das receitas. Tornadas permanentes ou de longo ciclo, elas transmudam-se em custos, que, descontrolados, corroem a posição econômica. É o estágio em que a administração de déficits passa a ser a atividade essencial do empreendimento. Custos de guerras, crises econômicas, recessões – parceiras íntimas e habituais da economia americana -, isenções/favorecimentos fiscais discutíveis e gastos sistêmicos acumularam uma dívida praticamente parelha com o faturamento anual/PIB.

Guardando, mais uma vez, as proporções, imagine-se devendo o seu salário de um ano inteiro. Você jamais conseguiria sair dessa encrenca continuando a vida como a vinha vivendo. Teria de tomar empréstimos para amortizar a dívida em seus vencimentos e a agravaria com os novos juros, aumentando o seu serviço. Num dado momento, os financistas começariam a rarear e os juros a subir em virtude da baixa qualidade dos seus títulos. Contrair empréstimos para pagar dívidas é o caminho mais curto para a bancarrota, salvo se seguido de cortes radicais nas despesas/custos.

Grécia, na periferia do Euro, um monumento à irresponsabilidade fiscal. E a Itália, uma economia bem ranqueada da região, outro exemplo de imprevidência e má gestão. Devendo 120% do seu PIB anual, o país da Bota, juntamente com Portugal e talvez Espanha está por cruzar a faixa dos empréstimos a fundo perdido; realística e simplesmente, o país não tem como pagar o que deve. Até quando as demais economias da zona do Euro suportarão isso? A França, segunda economia da região, deve 85% do seu PIB anual e agorinha, agorinha correu o sério risco de ver rebaixada a classificação dos seus títulos; a Alemanha, primeira economia da Europa, viu o seu PIB do segundo trimestre do ano cair para 0,1%. Preocupa.

Chegou-se ao ponto, e isso vale para os dois lados do Atlântico Norte, em que os políticos, por amor aos seus países, devem guardar prudente distância da gestão econômica. Este é um assunto para técnicos, embora necessárias as acomodações políticas e, mesmo, diplomáticas. Quaisquer medidas efetivamente corretivas serão duras e impopulares, restando à gente dos países a serem economicamente reconstruídos o acerto de contas eleitoral posterior com as nomenclaturas partidárias causadoras do sacrifício necessário para salvá-los. Que não será pequeno. (conclusão no próximo post)