Foi há três e meio bilhões de anos

Aminoácidos linearmente dispostos em quase-colônias povoaram o líquido salobro saturado de sais de ferro derivados do magma, pouco mais que unidades agrupadas com pequenas porções de substâncias protéicas, sem interação com elas, representando um esboço de sistema sem condições de operar a combinação causal de elementos existente nas interações químicas estáveis; esses rudimentos de colônias agregaram nucleotídeos, parentes próximos dos aminoácidos, formando uma espessa sopa fermentada por elementos orgânicos, evitando a dispersão de seus componentes, depois combinados num composto molecular cujos átomos, excitados por descargas elétricas, ferveram em uma espuma da qual surgiram as proteínas. O processo não se interrompeu.

O hidrogênio, um dos elementos químicos mais comuns – feito dos menores átomos existentes -, matéria prima da quase totalidade dos produtos elementares, reagiu com as substâncias do fermento e nele fixou íons de hidroxila – o íon é um átomo ou composição atômica de carga elétrica negativa ou falho dela -, fazendo surgir os ácidos carboxílicos, grupamento funcional dos ácidos orgânicos, uma extensa cadeia de carbono. De forma peculiar, a manifestação de um novo elemento num quadro químico estável provoca reações que alteram drasticamente o modo pelo qual se combinam os seus elementos, alterando a cadeia reativa e afetando o equilíbrio das aglutinações químicas. No que nos interessa, os ácidos carboxílicos provocaram reações das quais surgiu uma espuma gelatinosa feita de grupos fosfatos, bolhas de lipídios, bases nitrogenadas e açucares, polimerizando os nucleotídeos para constituir novos grupamentos estáveis de átomos – moléculas -, que depois de submetidos à polimerase – catalização enzímica produtora dos ácidos nucleicos em ambiente propício criado pela manifestação do novo elemento, na hipótese o nucleotídeo, do ácido nucleico a ser produzido -, definiram-nos quimicamente como aglutinações moleculares completamente diferentes de quantas obtidas até aquele estágio, elementos de propriedades rigorosamente distintas das construções existentes, as mais simples das moléculas capazes de se reproduzir, o RNA (ribonucleic acid, ácido ribonucleico) e o DNA (desoxyribonucleic acid, ácido desoxirribonucleico), combinados para criar as primeiras células, anucleadas – destituídas de núcleo individualizado -, que compuseram as estruturas unicelulares de algas e ciliados para desempenhar, basicamente as algas, papel fundamental na substantivação da vida no planeta (continua).

 

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