Formados os vulcões, o precioso e raro vapor aquoso vindo do mais fundo do planeta com a massa ígnea depositou-se por milhões de anos em suas bordas, liquefazendo-se vagarosamente num produto composto de enxofre que exalou metano; caindo nas crateras, transformou-as no passo do tempo em lagos transbordantes de um líquido sulfuroso, vertido pelas encostas em longo e eficiente processo de decantação que reduziu o seu valor sulfúreo. Milhões de anos decorridos, o líquido vulcânico depurado, depositado nas depressões criadas no encrespamento da crosta terrestre, formou um colossal oceano que inundou a região central do planeta, deixando a descoberto, apenas, as terras a norte e sul, que se deslocariam com a movimentação tectônica originada em sua má estruturação combinada com as permanentes alterações em sua textura.

A diminuição do calor do Universo em alguns milhões de graus a partir da grande explosão não afetara a temperatura da Terra, alta ainda o suficiente para provocar intensa evaporação, associada aos gases vulcânicos e das rochas superaquecidas para melhorar os mecanismos planetários de proteção; a despeito da presença de compostos binários de enxofre, como o sulfeto de hidrogênio, na atmosfera, a ação dos elementos externos foi em boa parte contida.

A nova atmosfera repercutiu no oceano planetário; espécies químicas agregaram-se e reagiram peculiarmente, dando origem a um um rudimentar tipo de organismo, a bactéria (ver Nota 52), a vida substantivada em seu mais incipiente estágio, o começo. Parte da energia transportada pelos ventos solares e pelos campos de fótons, alterada pela torção do espaço, fizera-se eletricidade, sinterizara elementos da atmosfera, produzira átomos de características especiais. Chegara o momento de utilizá-los.

Após as crateras se constituírem lagos, os átomos do vapor depositado nas bordas dos vulcões foram fecundados pelos átomos do gás carbônico das quentes bacias vulcânicas e bombardeados pelos raios ultravioleta (ver Nota 53), fazendo surgir o aldeído fórmico (ver Nota 54); o nitrogênio e o hidrogênio pairados acima dos lagos, combinando-se no mesmo processo, produziram o amoníaco  (ver Nota 55), que, por modificação em sua composição NH3, substituiu uma parte do hidrogênio pelo radical  acila – decaimento do ácido carboxílico, de carboxila, grupamento funcional específico dos ácidos orgânicos, substância significativamente presente nos lagos vulcânicos, pela perda de uma hidroxila, o grupamento monovalente OH -, produzindo a amida (ver Nota 56), combinada com o aldeído fórmico para criar os aminoácidos (ver Nota 57), no início carentes de uma substância à qual se agregarem para formar grandes moléculas (ver Nota 58), suprida esta necessidade pelo produto de um processo paralelo ao que os produziu, os nucleotídeos (ver Nota 59). Os dois foram, então, utilizados como matéria-prima para a produção de proteínas (ver Nota 60) e ácidos nucleicos (ver Nota 61).

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