(…) a ligação essencial das fêmeas com eles, vinculação manifestada nos machos pela proteção à prole, prática jamais observada nos répteis, que, podendo alcançá-la, a devoravam assim se safasse dos ovos, por isso, para garantir sua continuidade, ovos e filhotes produziram-se, sempre, em grandes quantidades.

 Um transtorno, desproporcionalidade da relação tamanho do cérebro/tamanho do corpo, mesmo os dinossauros carnívoros, beneficiados pelo aumento de energia em função da dieta, terão estacionado no limite do sangue frio, ainda possam ter exibido algumas características dos animais de sangue quente. Na fronteira entre os dois tipos de metabolismo, os espécimes dos ramos menores terão traído um tipo de comportamento que poderia se associar a um cérebro com certo grau de evolução, mas os cérebros dos gêneros maiores, entre eles o gigantesco supersauro, não operaram além do padrão repetitivo, apesar de reagirem com presteza. Incapazes de disposição social genuína, predadores compulsivos ou tipos obesos imbecilizados pela fartura do mundo transformado em pasto e campo de caça, invadidos com a sem-cerimônia dos inadaptados, tornaram-se uma excrescência na biodiversidade do planeta, do qual se tornaram senhores confinados nos estreitos limites do poder pela força, sem sentido, estúpido e estranho à inteligência reitora da evolução; estacionários, de comportamento previsível, as maiores vítimas de si próprios, condenaram-se e à sua descendência.

A possibilidade de fracasso ou problemas nos empreendimentos, um risco inerente a qualquer operação, recomenda aos planejadores a fixação de alternativas; não foi diferente com o projeto dos dinossauros. Considerada a hipótese de imprestabilidade do sangue frio para a produção de vida material inteligente, há pouca coisa mais de duzentos milhões de anos, no limite posterior  do triássico, os mamíferos começaram a ser preparados para herdar a Terra e tornarem-se seus senhores na hipótese de malogro do projeto dino; evoluindo continuamente, eles esperaram pacientemente num nicho do violento mundo em que viviam como alternativa para a eventualidade de fazer-se necessário um plano B. Os dinossauros reinaram sobre a Terra por cerca de 135 milhões de anos inaptos para evoluir, frustrando possibilidades de progresso, constituindo-se sua permanência um risco demasiadamente grande, consideradas as exigência do projeto evolutivo; um colossal equívoco, inacabados, insuscetíveis de aproveitamento, tardou um pouco, mas acabaram extintos. Foram eliminados pelas implacáveis leis evolutivas para barrar a prevalência da mediocridade e da força.

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