LIVRO VII – CÁTAROS, (…) – Monteségur, fortaleza do ocidente, por que não aspirar a uma ampla corrente de energias para salvar-te, despojado e místico sacrário da Ocitânia, essa terra cátara tão ultrajada e violentada. (…) e voltam-me aos lábios, qual o murmúrio de uma prece, os versos do poema inacabado. Seu verdadeiro arrimo é o cume próximo dos céus, entre as paredes destruídas do trágico castelo cujas pedras tombadas formam a guirlanda épica tecida pelos deuses. Sim! Monteségur, fortaleza da ressureição, teu laurel reviçará. (Jean e Michel Angebert – Bibliografia 49/122 – Tradução do autor)

Catarismo é dicção da doutrina platônica que exprime noções de pureza e princípios filosóficos de alta indagação; cátaro foi o (…)

O movimento propagou-se no século XII no midi francês – designação genérica de duas montanhas dos Pirineus, o Pico do Midi de Bigorre, os Altos Pirineus, e o Pico do Midi de Ossau, os Baixos Pirineus – e nas cercanias de Albi, cidade situada às margens do ri Tarn e Departamento do mesmo nome, a pouco mais de 700 quilômetros ao sul de Paris. Lançando raízes na antiga região Languedoc, capital Toulouse, ao norte de Roussillon, capital Perpignan, que compreende o Departamento dos Pirineus Orientais, cujos limites na montanha fazem-no fronteiro à Espanha. Expandindo-se, ocupou espaços cujo senhor, (…), não o via, há muito, com bons olhos, entre as suas razões, a mais forte, a de que não lhe bastava (…). A palavra-chave, (…), do grego (…), escolha, (…)

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Extrai-se de certos temperamentos a psicologia do rebelde, padrão de comportamento comum àqueles que, espoliados dos seus bens intangíveis, jurídicos ou religiosos, sociais ou políticos reagem, sendo, então, rotulados pejorativamente por pretenderem um direito entranhadamente seu, o direito à tutela da lei, antes de tudo, aos critérios pessoais, à opção por modelos próprios, de escolher o seu modo de vida.

Esse rebelde é em regra um excêntrico que alimenta a presunção de ter a lei como guia, regras pessoais de conduta e metas não alinhadas, o que o sistema, em virtude de sua engenharia e de suas rotinas, não abona. Nessa caracterização inscreveu-se o cátaro. E por isso, na crista de sua (…), tornou-se alguém com um permanente paredão às costas e nenhum espaço à frente, cuja alternativa não acolheu proposições, antes se reduziu a um caminho estreito de direção única; alguém a quem não se ofereceu opção alguma além de aderir, alguém que, alheado da prática comum, se propôs resistir para não usufruir de privilégios que dispensava. Ao pôr-se desse modo o ato inflexível de rebelião, ele pode ser compreendido mesmo por aqueles que têm o hábito de olhar para o outro lado e mesmo do ponto de vista do observador afeito à mais rigorosa disciplina política, social e religiosa, que não questiona, não contesta e se amolda ao que outros decidem, legalmente ou não, com justeza ou não, ser melhor para ele. Sob essa ótica, passa a ser compreensível, exceto (…), o pragmático de determinadas sociedades ou comunidades (…), o fato do rebelde extrair da dor e da adversidade uma sensação de plenitude não experimentada sob o látego, um estado de inteireza sequer ensaiado pelos habituados ao jugo, agradecidos e felizes por serem peões num tabuleiro de regrados para cuja instituição não foram consultados, concernente aos quais nenhuma conta é prestada e que aceitam de bom grado formas de liberdade, falácias, desvios da verdadeira liberdade à qual nunca aspiraram, com a qual nunca sonharam, contentes com a vileza da liberdade outorgada sem atentarem para que não é de ninguém, ou consubstancial com qualquer corpo social decente, formado e gerido por pessoas honradas, o poder de conceder liberdade e fixar-lhe o grau, simplesmente porque liberdade não é algo in quarto, que comporte formatações; ela é, ou não. 

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Mergulhado em meus afazeres, os computadores evoluindo, por razões pessoais (…) e reduzi ao mínimo minha atividade como advogado; salvo notícias genéricas e informações esparsas não mais soube deles. Bons anos mais tarde meu filho apresentou-me a um equipamento de sua geração; não era nada daquilo que eu me habituara a ver como computador. Menor do que um televisor de vinte polegadas, a máquina, um modelo monobloco de 1990 que operava à temperatura ambiente sem maiores exigências quanto à climatização, tinha mais memória fixa (…); os recursos disponíveis pareciam uma brincadeirinha. Para você, de idade em torno dos quarenta anos, pouco mais, pouco menos, essas coisas, e o que se seguiu de forma natural e rápida, foram e são corriqueiras. Para os da minha geração, sem exageros, eram uma espécie de materialização do fantástico antecipado pela ficção científica dos bons velhos tempos.

Para lidar com aquelas pequenas caixas de surpresa tive de aprender a partir do zero, alfabetizar-me, para verificar, vencido o primeiro momento, que tudo aquilo era extremamente simples se comparado com as manias e exigências dos antigos computadores, a realidade virtual tornada possível por simples toques logo convertida em aparentemente inesgotável fonte de conhecimentos e recursos que mudaram irreversivelmente o mundo. (…), já um tanto longe dos modelos de última geração, mas anos-luz à frente do paquidérmico (…), com todo o seu tamanho.

Por que tudo isso? Bem, você não pode, pelo menos por enquanto, trocar o seu hardware, sua CPU, mas pode forçar um upgrade, melhorar o software, aumentar sua capacidade de processamento sem precisar saltar, figuradamente, do (…), se for o caso, para o (…). Para processar informações inortodoxas e complexas aportadas com novos conceitos são necessários novos programas que provavelmente sua atual configuração não conseguirá rodar. Minha experiência pessoal – embora experiências pessoais não se transfiram – mostrou-me que o upgrade vale a pena. Lá para frente você vai saber porque.

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