(…) mesma forma que é muito difícil para o cientista, qualquer seja o modo pelo qual lhe sejam apresentados os argumentos, admitir a idéia da existência de uma formidável inteligência por trás dos fenômenos físicos que examina; o conceito (…) extrapola os limites de sua formação acadêmica e do seu campo de atuação, cuja premissa é: As elaboradas rotinas construtivas da natureza são conjunções aleatórias de forças que serão identificadas e explicadas, senão já, daqui a pouco, a dez, cem ou mil anos. Do ponto de vista científico (…), isso é um dogma, embora, para alguns cientistas, não constitua um princípio absoluto.

Os aspectos mais intrigantes do Universo são expressos por teorias; os fenômenos físicos ordinariamente observados explicam-se pela tradução para a linguagem científica dos seus efeitos e antecedentes. A causa primeira não é identificada ou explicada. É inevitável, assim, a concepção de um Universo orientado por métodos conceptuais cuja origem mais remota não poderá, provavelmente, ser determinada, (…). Afastados os (…) por imperativos lógicos e/ou físicos, atribuir, em contrário, tudo ao mero acaso faz supor um profundo ressentimento, simples impotência mal disfarçada sob um fino véu de duvidoso pragmatismo, não compartilhado, a propósito, pela unanimidade dos cientistas; ainda Einstein: “Observando-se o Universo sente-se, manifesta, uma força infinitamente superior à do homem.”

O que se pode depreender de reflexão detida e isenta é que há, quer se queira, ou não, relativamente aos fenômenos físicos em particular e ao Universo em geral, algo que nos foge à compreensão, mas nem por isso deixa de ser verdadeiro à medida que avaliamos a questão (…), impossível não perceber uma prodigiosa ação laborando todo o tempo em favor da vida, uma força muito especial que terá trazido, luminoso, o Universo do caos amparado em um eficiente conjunto de regras para estruturá-lo adequadamente, ensejando o que quer nele exista. Deixadas de lado a (…), frequentemente temperadas por boa dose de (…), tem-se, até, um nome para essa força, nem tão difícil, assim, de imaginar. A obstinada sobranceria que impede seja ponderada, ainda que por mero exercício de raciocínio, a possibilidade da existência de algo além do mundo material supostamente justificado em si mesmo autoriza a indagação: (…).

(…)

(…) a atividade psíquica, aprimora a percepção, interioriza os arquétipos da perfeição e conduz os efeitos de sua energia pelas regiões mais profundas do ser, onde está o que lhes é verdadeiramente intrínseco e fundamental, a natureza (…) emulada na energia vital. Inaugura-se nesse estágio o processo de dominação anímica pela fluência do que não é manifesto, liberando forças insuspeitadas no começo de dissolução do instinto, início de prevalência do espírito, o mais alto nível de consciência, imponderável sujeito da representação e identidade superior do objeto representado; é quando (…), serena renovação de energia a partir dos fundamentos de tudo o que é, a realização (…) no homem, uma conquista pessoal (…), a Vis Viva reencontrada no domínio interior pela (…) no anseio da reintegração à Unidade.

Nesse reencontro, o órfão cósmico perdido de suas origens reintegra-se ao todo partilhado na forma do elemento comum, a consciência de si como efeito (…) alcançada ao ver-se, (…), pura energia, um versão materializada da essência do Universo liberta (…). O modo natural de encontro do ser humano (…) é a comunhão, a transcendência pela integração, libertação da (…), implicação ingênita (…) naqueles que se buscando (…) encontram (…).

A origem do Universo, a precisão de suas rotinas e suas concorrentes fenomenológicas (…), a economia do macrocosmo expressa concreta ou abstratamente a partir de uma idéia grandiosa com começo, meio e fim, como qualquer outra, nela se compreendendo uma escala que vai do manifesto às mais puras projeções do pensamento, da interação espaço/tempo às suas realizações, uma sequência de fenômenos originada em causa única, o complementar uno com o elementar.

Não se inferem universos e existências, expressões distintas do mesmo fenômeno, não se colocando em tela sua essência e causa, (…), preexistente (…). Podemos experimentar os efeitos desse elevado estado do ser desbordando da experiência ordinária e nos projetando no sentido da energia que está na gênese da idéia cósmica (…)

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