Quando refleti sobre exibicionismos, presunção e arrogância não detalhei o “fazer folclore”.

Imagine-se tendo de trabalhar ou conviver com pessoas prestando mais atenção em você do que normalmente deveriam; ou prestando atenção em você da maneira errada, é dizer, na permanente busca de algo para manipular. Isso existe, com mais frequência do que supõem os bem formados. Absurdo? Paranóia? Por partes: Absurdo? É sim. Paranóia? É não.

Há pessoas que nunca elogiam; se alguém é elogiado em sua presença sofrem vertigens, têm urticária, a boca resseca. Se lhes perguntarem, após um elogio, o que acham, permanecem caladas ou respondem invariavelmente: É, mas…

Mais um susto nos bem-formados: Há casos em que uma verdadeira rede se forma para “descobrir” os “podres” de alguém e, com isso, desmoralizá-lo. Uma ressalva: Uma rede se forma é apenas madeira de dizer; essa gente anda por aí, trabalha-se e convive-se com ela de modos diversos, é simpática, sorridente, afável, bons moços, boas meninas no final das contas. Não se iluda, porém. Não gosto de gíria, mas ouvia quando moço, com frequência, um dito popular que é quase um conselho: Em rio onde tem piranhas jacaré nada de costas.

Os mentores dessa coisa têm suas razões, via de regra desonestas; os demais, as sombras, são escorpiões, lembra, aquilo de ser da natureza deles? O que não significa não ser essa, também, a característica dos mentores. De cambulhada vem aquele negócio do “amigo meu não tem defeito, inimigo, se não tiver, eu invento”. Vale até armadilhas, ciladas, e, mesmo, atos que apreciados com rigor tangenciam, por consequência, a perda do pátrio poder.

Bem-vindo ao mundo real, você, limpo de coração, honesto, sério, por cuja cabeça jamais passou sequer a suspeita da existência de tais absurdos. A despeito de uma vida longa e bem vivida, eu também não prestava atenção nessas coisas e pessoas, até acontecerem comigo, até certificar-me de que existem e, às vezes, estão mais próximas do que imaginamos. Piração? É não. Leia o meu post sobre stalking e bullying. Os artífices dessa pouca-vergonha visam exatamente isso, querem que, quando suas vítimas a ela se referirem, sobre ela falarem, de tão absurda – e eles sabem disso – sejam tomadas por desequilibradas. Para, de sorrate, continuarem a atormentar os seus alvos de pouca ou nenhuma resistência emocional. A propósito, uma de suas “práticas” é “provar” que sua vítima é pirada, vê coisas que não existem, imagina-as, sofre de mania de perseguição, etc.

Mais uma coisa bonitinha: Antes de começar a trabalhar neste texto, estive trabalhando na organização das Meditações, de Marco Aurélio, o Imperador Romano. Estava num outro computador. As intervenções, as invasões da minha máquina foram tão agressivas, no puro sentido de atrapalhar, que não houve como ignorá-las. Duvido que o interesse de gente que perpetra um absurdo desses seja genuíno, pelas Meditações do Romano. Neste momento, trabalhando neste texto em outra máquina, a invasão é, também, evidente. Que coisa, não?

Sapos, escorpiões e aves de rapina quando se juntam…

Em se tratando de ambientes “insalubres”, primeiro mandamento: Não levar ninguém a sério; segundo mandamento: Fazer folclore. Tome fatos e nomes de pessoas reais, misture as coisas, tempere-as a gosto com algumas inverdades e diga-as de forma que “reverberem”. Seja convincente; se você estiver na berlinda, em qualquer lugar onde disser as suas pataquadas alguém o ouvirá. Guarde essa regra básica. E sorria, seja gentil, afável. São as regras do jogo que você estará jogando. Melhor diria, talvez, se dissesse, apenas, seja dissimulado. Mas dissimulação é uma palavra um tanto forte demais; traduziria comportamento inadequado a pessoas bem formadas.

Depois observe gestos, atitudes, registre na memória palavras e/ou frases, analise-as com cuidado, coloque-as em seu contexto real, conclua e capacite-se de quem é quem. Veja na má-fé das pessoas um jogo que precisa ser jogado; não use as mesmas armas, isso é abjeto, mas não fuja dela, não se amedronte. Você vai surpreender-se com o quanto pessoas e ambientes são inconfiáveis. Na primeira folha do livro inscrevo uma frase, meu lema de vida desde muito: É melhor a guerra do que a paz sem honra. Isso, neste mundo permissivo onde vivemos, não é nada fácil; mas como viver em desonra, cedendo a tudo e a todos, sem um papel serenamente formulado por você, humilde que seja, em suas existências?

E há o arrogante, o ferrabrás exibicionista, que faz questão de “dizer” por atitudes, às vezes com um leve sorriso ou meias palavras, às vezes com uma expressão feroz: Eu sei, fui informado, investiguei, sei de tudo, você mente, avisei a todo mundo. Sabe nada, sabem nada, coitado, coitados, são, sim, ferrabrases no pior sentido do termo, são, de fato, abusados, não se respeitam, não têm respeito próprio, não poderão, jamais, respeitar quem quer seja. Simplesmente não sabem o que é isso.

(Se você for envolvido nessas abjeções, não se intimide, mas não haja sozinho, não se deve fazê-lo, dado que você não estará sendo incomodado por uma ou duas pessoas, apenas; são redes, no mínimo um grupo. Procure ajuda. Alguém deve ter nomes, endereços, fotos, telefones, conhecer as práticas dos ferrabrases com relação a você. E seja discreto. Felizmente, há um número bastante representativo de pessoas que abominam essas coisas, estão sempre dispostas a ajudar e o orientarão de maneira, frequentemente, profissional.

Um grupo de pessoas sérias e responsáveis formou-se para trocar informações e denunciar a prática do stalking e do bullying. Se quiser participar dê um toque, mas prepare-se para, de saída, passar por um período variável de avaliação e concordar em ser investigado sem acesso imediato a todas as informações catalogadas, salvo aquelas referentes a você próprio. Inteirar-se destas é direito seu. E contraditá-las, se entender necessário.

Essas práticas são um câncer, e esse mal é mais insidioso do que parece. Não é uma brincadeirinha de jovens bem humorados e inconsequentes, irresponsáveis. Nem mesmo produto do preconceito, o que já seria terrível. Consegue ser pior. Veja em posts anteriores meus relatos a respeito. E há mais, muito mais).

Os ferrabrases e as sombras “sabem” tudo, mas não provam nada. Invencionices são para detratar – sempre em off –, não para propósitos sérios, claro. E como estou referindo temas aos quais já, aqui, me referi, volto à Crítica da Razão Prática, de Kant (Immanuel). No prólogo o filósofo menciona sua resposta, na segunda parte da Analítica, a um crítico da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, e faz um registro bastante sugestivo: O uso prático da razão associa-se aos fundamentos da prática teórica sem derivar para o hipotético e seu caráter arbitrário. Registro:

“Considerei, também, as demais críticas, feitas por quem parece realmente buscar a verdade (diferentemente daqueles que apenas têm em mente as suas próprias convicções; já havendo decidido o que é certo ou errado, não levam, assim, em consideração qualquer manifestação contrária aos seus pontos de vista).

Os que se vangloriam de conhecer a essência desses princípios, se quiserem provar, venham a público, demonstrem-na (…). Improvável, contudo, que o façam, por absoluta falta de condições objetivas, tomemos as rédeas da questão para buscar, adequadamente, a forma (o uso) moral da razão.”

Razão, nesse contexto, deve ser interpretada como a faculdade de conhecer racionalmente, atributo humano ao qual deve ser dada aplicação estritamente moral e ética.