Normalmente ouve-se falar de stalking em casos de celebridades às voltas com fãs obsessivos e que vão aos tribunais buscar garantias de proteção. No entanto, o ato de invasão violenta da privacidade também tem meros mortais como vítimas, que na era da internet veem-se em situação mais vulnerável. A ponto de o Ministério Público britânico ter atualizado dias atrás suas diretrizes para casos do gênero e criado procedimentos especiais para o stalking virtual (cyberstalking) – o primeiro reconhecimento oficial da prática pelas autoridades.
Que o diga o assistente social R.R., um dia alertado por um dos filhos sobre uma série de acusações anônimas de pedofilia espalhadas por fóruns virtuais de discussão. Há mais de um ano ele ainda encontra mensagens pela rede e precisa explicar a situação a colegas e conhecidos que algum dia esbarrem com elas. Até hoje não conseguiu descobrir o autor das acusações, o que foge um pouco dos casos tradicionais e stalking, em que as vítimas quase sempre conhecem seu perseguidor.
Por sorte meus chefes acreditaram em mim, mas ainda é um constrangimento ter de abordar o assunto. E é praticamente impossível me defender na rede, pois o sujeito por trás disso pode aparecer em qualquer lugar – afirma o assistente social.
Os praticantes de stalking têm uma verdadeira obsessão por suas vítimas. E a perseguição pode tomas variadas formas, desde as aparentemente mais inocentes – como esperar a passagem da pessoa pelos locais que ela costuma frequentar ou ficar mandando presentes – até as mais invasivas, como ligações telefônicas em série. Na modalidade cyber, incluem-se aí, entre outros, roubo de identidade e divulgação de boatos difamatórios, como no caso de R.R. O resultado, geralmente, é a restrição da mobilidade da vítima, que se sente ameaçada, e danos psicológicos e emocionais. (O Globo, domingo, 10 de outubro de 2010, do Correspondente Fernando Duarte, de Londres).
 
Stalking é a ação dissimulada de ficar à espreita, do inglês stalk, aproximar-se sorrateiramente (de uma caça ou vítima), a disseminação silenciosa de uma maledicência qualquer, ambos substantivos; é parente próximo do bullying, do inglês bully, ameaçar, intimidar, amedrontar, ambos também substantivos.
No começo da primeira semana de dezembro de 2010 acompanhei em um canal de televisão uma enquête sobre o bullying; no final da semana, sábado, 05 de dezembro, no Altas Horas do Sérgio Groisman, assisti a uma reportagem do Ary Peixoto direto de Israel sobre o mesmo assunto. A enquête firmou-se no sentido do preconceito como móvel do bullying; a reportagem do Peixoto tendeu para a caracterização da brincadeira de mau-gosto entre jovens, podendo derivar para a violência. Há outros motivos, senhores, bem mais.
 
O Globo, de domingo, 21 de novembro de 2010, publicou na página 07 do primeiro caderno artigo de Thomas L. Friedman, jornalista do The New York Times, sob o título Mentira com Pernas Longas.
Conforme Friedman, verbi gratia, Anderson Cooper fez um favor ao país (EUA), ao desconstruir, em seu programa na CNN, o falso rumor de que a viagem do presidente Obama à Ásia custaria US$200 milhões por dia. Esse tipo de “informação” sublinha quanto adiante de seu tempo estava Mark Twain quando disse, um século antes da Internet, que “a mentira pode viajar por meio mundo enquanto a verdade ainda está calçando os sapatos”.
Mas, arremata Friedman depois de discorrer com competência sobre o revoar de “dados” sem checagem: Sem querer ser espírito de porco, não posso deixar de lembrar que, hoje em dia, iniciativas para ditar nossa conduta e até nossas opiniões estão ficando cada vez mais comuns. Existem autoridades, em todas as áreas, convictas da existência de um “certo” absoluto para praticamente tudo na vida, desde comer até educar um filho, e esse certo nos deve ser imposto para nosso próprio bem, mesmo que discordemos. De forma semelhante ao que acontece com o moralismo, a acusação aos que se opõem a esses “certos” é a de ignorância e reacionarismo pernicioso.
 
Nem sempre, sr. Friedman, nem sempre; quando na questão se envolvem pessoas inescrupulosas com tendência a delinquir — e elas podem estar em todos os lugares — as acusações, e mesmo atitudes, são, não raro, bem piores, feias, feíssimas.
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A pedofilia, prática repugnante, pelo efeito perverso que provoca em suas vítimas e pelo prejuízo moral com que grava os grupos sociais em particular e a sociedade em geral, deveria ser capitulada como crime hediondo. O Papa, em seu pronunciamento de fim de ano para Bispos e Cardeais, neste dezembro de 2010, definiu os seus efeitos: Uma devastação psicológica nas crianças.
Quem acusa alguém falsa e sorrateiramente da prática desse crime nefando deve ser incurso na regra do crime doloso, qualificado, com as agravantes do motivo torpe que via de regra está por trás da acusação em off e da impossibilidade de defesa da vítima;
Quem cala sobre a insinuação ou imputação direta e específica de pedofilia amplia a acusação maliciosa e é conivente com ela. O silêncio sobre essa imputação compromete a higidez social, cria espaço para os criminosos e provoca insegurança, extensível a todo o grupo social a que pertencem agentes, coniventes e paciente.
Toda pessoa séria, pela magnitude dessa torpeza, quer o crime em si, quer a sua falsa imputação, se deverá impor levar ao conhecimento do paciente da acusação de pedofilia o nome e a identificação do seu acusador, contribuindo como cidadão ou cidadã de bem para o tratamento adequado da questão, de interesse público e relevância social, junto às autoridades. Quem, pelo silêncio cúmplice, oferece guarida e fortalece essa classe de delinquentes contribui para manter a acusação no anonimato, corromper e levar insegurança a todos, pois todos estarão sujeitos a esse tipo de prática, basta desagradar a qualquer dos criminosos; é tão criminoso quanto quem toma a iniciativa do crime.
Qualquer fato dessa natureza deve ser levado à polícia pela via própria, qualificado o autor da notícia crime, que responderá pelo que denunciarcaluniosamente, sem prejuízo dos efeitos cíveis. Outro tipo de comportamento será suspeito e recenderá a detração, a maledicência, devendo ser perquiridas as razões que orientam sua ação. Geralmente existem e são desonestas.
A acusação maliciosa e em off de pedofilia é, correntemente, uma das armas mais potentes do arsenal de imundícies de stalking, bullying e todo tipo de baixaria.
Recentemente um estudante americano, emocionalmente exausto pelas perseguições, matou 32 pessoas na escola onde estudava, suicidando-se em seguida; uma mulher, entrevistada num programa de televisão sobre o assunto, relatou a dura experiência de sua família quando seu irmão, esgotado pela intimidação, trancou-se em casa, mergulhado na mais profunda depressão, recusando-se a sair para o que quer fosse.
São formas de tortura, angustiam e provocam intenso sofrimento em pessoas cuja estrutura emocional não resiste à ação criminosa dos desocupados — nem sempre desocupados, às vezes pagos para isso — dedicados a essas práticas, que incluem seguirem-nas por onde andem, presunçosa, permanente, inútil e ridícula pressão quando se trate de pessoas maduras, emocionalmente estáveis, não raro pelos delinquentes consideradas meros maluquinhos ou maluquinhas. Sabe como é, eles sabem tudo…
A Carta da República, pelo seu art. 5º, Inciso XLIII, combinado com a Lei nº 9.455/97-Crime de Tortura, é referência obrigatória na hipótese.
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No Brasil, os cidadãos estão objetiva e literalmente protegidos pelo art. 5º da Carta da República. Extrai-se dos seus incisos:
Inciso IV – É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.
É dizer, em uma situação como a de R.R. o cidadão tem todo o direito de peticionar à autoridade judiciária competente pleiteando a expedição de ofício ao hospedeiro da Web para fornecer sob pena de multa diária por protelações a identificação do responsável pela veiculação. Não sendo positiva a medida, o hospedeiro responderá pela disseminação da maledicência, devendo retirar imediatamente do ar a notícia anônima. Pode-se dizer o que bem quiser, respeitados os limites da Constituição Federal e da lei ordinária. Ultrapassados esses limites os veiculadores de maledicências terão de suportar as medidas legais cabíveis. Todos, rigorosamente todos, devem estar plenamente conscientes disso, quem as diz e quem as ouve sem tomar qualquer iniciativa a respeito.
Inciso VI – É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.
Este mandamento, paralelamente a fazer inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegura, em nome, mesmo, da liberdade de consciência, o direito de não se ter crença ou crenças, não se sujeitando, por isso, o cidadão religiosamente incorreto, a patrulhamentos ou constrangimentos de qualquer natureza.
Inciso IX – É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.
Combina-se com a Lei nº 9.610/98 e consubstancia liberdade e democracia, esta última exposta a frequentes “certos” e relativizações. O limite é a lei.
Inciso X – São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.
Combina-se com os arts. 138, 139 e 140 do Código Penal, ênfase para os dois últimos dispositivos, considerados a imputação de fato ofensivo à reputação e a sua falsidade, na hipótese do art. 139, e a ofensa ao decoro ou dignidade com ânimo de injuriar, característica do dolo, por meio da palavra escrita, ou oral, gesto ou sinal em prejuízo da honra, ou que exponha alguém ao ódio ou ao desprezo público, na hipótese do art. 140.
Inciso XI – A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém podendo nela penetrar sem consentimento do morador, salvo no caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial.
Combina-se com o art. 150 do Código Penal, Violação de Domicílio, ocorrente pelo  penetrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita do morador, em casa alheia ou suas dependências. Os parágrafos 1º a 5º esgotam e definem a hipótese.
Inciso XII – É inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.
Combina-se com as leis nºs. 6.538/78-Serviços postais e 9.296/96-Escuta Telefônica. Compreende-se no art. 151 do Código Penal:
Devassar indevidamente o conteúdo de correspondência fechada, dirigida a outrem.
Parágrafo Primeiro – Na mesma pena incorre quem se apossa indevidamente de correspondência alheia, embora não fechada, e, no todo ou em parte, a sonega ou destrói.
Inciso XXVII – Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar.
Combina-se com as Leis nºs. 9.609/98-Proteção da Propriedade Intelectual de Programa de Computador e 9.610/98-Direito Autoral. Aplica-se o art. 184 do Código Penal.
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Não é gratuita a dicção do bloco anterior. Por pertinente, reproduzo o Apêndice do livro:
 
Tu sabes, conheces melhor do que eu a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite já não se escondem; pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
(Excerto, No Caminho com Maiakovski, Poema, Eduardo Alves da Costa, Nascido em Niterói, RJ, em 1936)
 
― Os nossos amigos concluíram pela existência de pessoas empenhadas em pressioná-lo, desmoralizá-lo; e não é coisa de ontem, de uma semana, um ou dois meses, é isso?
― Faz um tempo…
― É um absurdo, uma violência.
― Não estão preocupados com isso. Sabem que é ilegal.
― O que exatamente?
― Patrulhar, tentar amordaçar, achincalhar, detratar.
― Qual é a posição do pessoal a respeito?
― A certa altura entenderam haver chegada a hora de fazer barulho, depois aguardar, ficar quieto, fingir não estar acontecendo nada. E assim tem sido feito.
― E você, o que acha disso tudo?
― Nada, estou tranquilo, absolutamente em paz comigo mesmo. Não mexi com ninguém, vivo quieto no meu canto. Quanto a toda movimentação contra a qual tenho sido alertado, nunca fui de prestar muita atenção ao que acontece à minha volta.
― Além das petições e do barulho houve alguma coisa mais?
― Estávamos esperando uma deixa, sabíamos do monitoramento; então foi só fazer o e-mail, enviar para três pessoas e esperar.
E-mail? Que e-mail?
― Está aqui neste CD. Posso colocá-lo no seu computador?
― Claro, vamos até o escritório, estou curioso. Funcionou?
― De imediato. Aumentaram a pressão, expuseram-se, as coisas se foram aclarando.
― Em que sentido?
― Combinação de interesses, sectarismo….
― Muito desagradável, não?
― O que me desagradou mesmo foi a piada do agente secreto português; gosto dos portugueses, fizeram parte da cena da minha infância, estavam por toda parte, tenho carinho por eles.
― Por que, então, foi utilizada?
― Deu o tom.
― E quanto a toda essa sordidez?
― Aguardamos que alguém assuma a sua paternidade, é o mínimo a se esperar de pessoas sérias, se bem que pessoas sérias jamais se ocupariam de coisas como essas. Deixe-me corrigir, de pessoas, digamos, comprometidas com o que fazem. Enquanto não acontecer, nada a comentar. Antes de tudo é imprescindível saber-se como foi montada essa porcariada, quem a montou, quem cometeu o crime de tanta imundície. Depois os consectários legais. Somos pacientes.
― As pessoas gostam de maledicências, de sujeira?
― Parece que sim, do contrário esse tipo de gente não teria espaço, esse tipo de coisa não existiria; é possível até que uma ou outra pessoa queira acreditar em certas coisas para compensar-se de algum modo.
― Não entendi…
― A segurança normalmente exibida é uma representação, embora, claro, como em qualquer regra, verifiquem-se exceções; esse ou essa, aquele ou aquela tem os seus complexos, inseguranças e fraquezas e há quem exagere nessas questões. Se não forem muito conscientes, bem formadas, sentirão satisfação com maledicências sobre outros e outras, componente marcante do seu complexo cultural que lhes alivia o sentimento de inferioridade, muito frequente, embora não pareça. As pessoas educadas, cultas, destacadas da manada as incomoda, põem-nas, embora sem querer, em face de si mesmas; e elas sofrem por isso, irritam-se, odeiam. São pobres pessoas, não me parece merecerem qualquer atenção ou apreço, o menor respeito.
― Para finalizar, por ora, porque estou louco para ver esse CD, diga-me uma coisa: O capítulo ‘A Conspiração dos Medíocres’ ou qualquer outra expressão do livro são ecos dessa situação de fato?
― Como escrevi nos Apontamentos, o livro registra um pouco do que penso. O que vem acontecendo apenas o confirma. Está muito claro que a maledicência vem do início da década de 1990, estende-se à fase de formatação e desenvolvimento das diversas matérias, de preparação do livro e, verificou-se depois, provavelmente tem raízes em tempos muito anteriores, uma história de ódio e ressentimentos reduzida a uma frase: Hei de vê-lo na sarjeta! Eu tenho amigos.
— E?…
— Vou muito bem, obrigado, a despeito de, por dever de ofício, haver gente empenhada em fazer crer que vivo na miséria. Precisam disso para instilar medo nas pessoas, medo de reclamar, dizer o que pensam. Se deixarem que pensem, digam ou façam o que querem, reclamem, onde irá parar o seu poder? Tenho uma sobrinha que vive na Itália; toda vez que lhe telefono fica aflita, me pede para desligar que ela me telefonará em seguida. Deve pensar: pobre titio!… Em se tratando dela acho bonitinho.
— Como isso chegou lá?
— Pessoas a quem falta caráter, às vezes, estão mais perto do que se imagina.
— Isso tem a ver com…
— No geral trata-se de gente doente; além da maledicência, aplicam-se em minar a vida profissional do eleito, impedi-lo de ganhar dinheiro, arruiná-lo em todos os sentidos. Mesmo o rapaz com quem troca baterias de relógio não escapará; aonde for, lá estarão eles.
— Isso aconteceu com você?
— Alguns arranhões, nada mais, pura covardia, dissimulação, nunca de frente, olhos nos olhos; no geral, não tenho queixas, toco a vida tranquilo, é do meu temperamento. Chegará o momento de colocar os pingos nos ii.
— Como funciona isso?
— Mesmo à porcariada que inventa, essa gente, por necessário, procura dar aparência de verdade. Pega uma coisa séria, distorce-a, adiciona no preparo da distorção nomes de pessoas que já morreram, portanto não podem  desmentir as barbaridades criadas, corrompe alguns, amedronta outros e outras, engana uma quantidade delas e pronto, surge uma versão, disseminada em off, sem o conhecimento da vítima, e dá nisso que você sabe. Em entrevista concedida por Julian Assange, do Wiki-Leaks, ao El Pais, publicada em O Globo no seu Caderno de Economia, página 34, de terça-feira, 21 de dezembro de 2010, o entrevistado aborda questão bastante pertinente, respondendo a uma pergunta do entrevistador:
O que essa campanha de descrédito criou foi uma imensa caixa negra (caixa preta). E do lado de fora da caixa negra colocaram a palavra estupro. Mas negam a nós e ao mundo o que há dentro dessa caixa.
Aqui, negar ao mundo há de ser interpretado como não observar a forma correta de tratar questões dessa natureza. Provas concludentes, verdade. E quanto ao rótulo, colocado de modo arbitrário, cada um, nele, escreve o que quer ou o que mais sirva aos seus ingratos propósitos.
Outra abordagem:
— Entrevistador: Quem está por trás dessa campanha de descrédito?
Assange: Não quero dizer que haja uma cadeia de ordens desde ……. ……. até chegar a um ………. .. …….., isso é ridículo. O grande poder cria um ambiente no qual os indivíduos praticamente sugam do que percebem que o poder quer. Em cada organização ou grupo pode haver instruções diretas, mas cada indivíduo e grupo agem do modo que percebem que maximiza seus próprios interesses. Carreiras ambiciosas, fama, manter e criar alianças, fazer favores a amigos, parentes ou membros de um partido… Fazer as coisas por medo, sem que tenham te pedido… Todas essas coisas criam um ambiente.
Assange esqueceu-se da inscrição na bandeira dos medíocres — amigo meu não tem defeito, inimigo, se não tiver, eu invento. Quando algumas pessoas moral e eticamente mal dotadas percebem o que o poder quer, não têm o que sugar, mas querem os seus interesses maximizados, ou às vezes apenas por mau-caratismo, apressam-se em ser úteis, maximizam, antes de tudo, o servilismo e a sua capacidade de perfídia. Não faz mal, pensam elas, ninguém vai saber que fui eu quem inventou ou distorceu essa história. Por essas e outras é que os predadores da honra alheia precisam ser identificados para que todas as questões que os envolvam, e as pessoas de bem atingidas pela sua ação criminosa, sejam discutidas às claras, provas concludentes reclamadas, com o rigor da lei. E mais: Assange chamou de grande poder, mas pode chamar de Sistema.
Aí está, o CD vai rodar.
(…)
― É pesado, mas verdade nua, sem rebuços, faz barulho e sempre mexe com as pessoas. Era preciso fazer barulho numa linguagem bem comum.
― Quantas pessoas além daquelas a quem você o enviou leram o e-mail?
― Em princípio nenhuma; eu não o mostrei ou enviei a mais ninguém.
― E quem o recebeu, não o terá divulgado?
― Bem… Existe gente de quem nunca esperei grande coisa; além do monitoramento, e o mais, você sabe…
Esse texto pode ser lido de modos diversos. Uma pessoa de fato alfabetizada, capaz de interpretar o que lê, o examinará por inteiro, não se detendo em termos ou frases isoladas, inferindo dos itálicos o sentido jocoso de expressões e palavras como assaltante português de banco, assaltante português, assalto, etc; o analfabeto funcional, alguém capaz de ler e assinar o nome, mas incapaz de interpretar adequadamente o que lê, poderá ter dúvidas e, nesse caso, tornar-se massa de manobra para os mal-intencionados, que podem ser integralmente alfabetizados, mas estão sempre prontos a distorcer, à conta de interesses menores, o sentido de qualquer coisa. Mesmo compreendendo perfeitamente o que leem eles o interpretarão a partir de palavras e expressões escolhidas a dedo e sua interpretação nunca será moralmente saudável.
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O 1984, de Orwell, chegou ― George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair, nascido em Motihari, Bengala, em 1903, e morto em Londres em 1950. E nem tanto assim de Orwell, porque estou falando de um 1984 não-oficial, clandestino, paralelo, por isso, mais que o original, indecentemente criminoso.
Quaisquer lugarejos, vila ou cidade podem estar compreendidos no Megabloco da Oceania e Winston, o Censor encarregado de conter as manifestações dos opositores da crimidéia, grave delito de pensar errado — como Smith —, diversamente da orientação do Partido, e de denunciá-los à Polícia do Pensamento ― extensão do Big Brother, o supercomputador ao qual se conectavam câmeras e microfones instalados por toda parte, residências inclusive ―, pode estar encarnado nos bedéis do Sistema, protagonistas de uma grande brincadeira sem graça da qual aparentam gostar muito — violação de e-mails e de residências de cidadãos honestos, bisbilhotar e copiar arquivos dos seus computadores.
Os ossos de Orwell/Blair devem estar sacolejando em seu jazigo, sua voz, de onde estiver, ecoando nas consciências de quem ousa pensar fora do padrão:
― Eu avisei!!!
A crimidéia está aí, mais presente do que nunca; a punição para ela, nestes tempos de patrulhamento sectário é dissimulada, indireta ― em certos ambientes e épocas são ou foram diretas e ostensivas ―, cruel para quem não tem estrutura para resistir a pressões ou à perfídia.
― E o Sistema? Que bicho é esse? O que é isso exatamente?
― Dizer dele exatamente é complicado; não se parece com coisa alguma existente. É uma entidade que controla a sua vida, o seu trabalho, a sua diversão, as suas crenças, o que você consome, o que você pode ou não dizer e pensar, a sua imagem, o que os outros pensam de você, enfim, ele é o seu Senhor. Você pode dar-lhe as costas e até contrariá-lo, assim o decida, estando em jogo os seus valores de
homem de consciência, mas é bom preparar-se; os que não são bons-moços e boas meninas, aqueles que são politicamente incorretos, não são olhados com simpatia. Essa criatura não tem um rosto, um CPF, um documento de identidade; raciocina em termos de proveito material e domínio, nada mais. É amoral, para ela tudo é questão de poder. Não incomoda quem se comporta segundo as suas regras e premia os que a servem. O Sistema não é um, mas uma legião; poderia muitíssimo bem ser designado por um número: 666.
Mais uma vez em paráfrase, com Eduardo Alves da Costa: É uma velha história: Ele se aproximou, tirou uma flor do nosso jardim ― a liberdade plena ―, e ninguém disse nada. Depois, não mais se escondeu, pisou as flores ― os nossos sonhos de Democracia plena ―, matou nosso cão ― os nossos direitos integrais ― e ninguém disse nada. Então chegou o dia em que os seus bedéis mais frágeis passaram a entrar e sair de nossa casa, deixando deliberadamente rastros e indícios de que o fizeram. A luz ― nossa dignidade ― nem se deu ao trabalho de tirar, simplesmente a ignora, tripudia sobre ela, brinca com ela, quando quer, a seu bel-prazer.
Na auto-suficiência, contudo, nos seus excessos, às vezes se perde, mostra o seu lado gigante de pés de barro; volta e meia vê-se a braços com homens de caráter forjado no calor de vidas vividas às claras, sem temor, batalhadas, cujos caminhos foram traçados por eles próprios, contornado sequer um obstáculo, mas, todos, ainda as feridas e as cicatrizes, ultrapassados, sem concessões. E porque, entre os que de fato decidem, há aqueles que não embalam o arbítrio, a truculência, a visão distorcida de ordem pública, que reside essencialmente na lei e na sua observância, além de assentar-se em princípios de ética social e preceitos de humanismo, volta-e-meia os seus beleguins sofrem grandes tropeços. Quando não são colocados em face da lei, por eles tão maltratada.
Embora cá e lá, a pretexto da segurança, uma tendência perversa de restrições às liberdades individuais se vá acentuando, calcada no arbítrio e na arrogância velada insufladora de agressões ao modelo representativo, a democracia, imperfeita, mas sem nada melhor que a substitua, os homens verdadeiramente livres, os homens de consciência, nunca se reduzirão ao silêncio, jamais lhes arrancarão a voz da garganta. Não são os personagens resignados, acomodados, amedrontados de Eduardo Alves da Costa, são pacientes, sua marca é a resistência ética, a força moral, o desprendimento permanente de suas existências.
A epígrafe e o e-mail se tocam. Aquela, todavia, deve ser gravemente ponderada por quem conserva, sem relativismos, a honra e a dignidade pessoal. Como um alerta.
Você lembra, não é mesmo? Logo após enviar o e-mail? Faziam questão que você percebesse. Perderam tempo, se bem o exagero de dizer que desocupados perdem tempo; têm todo o tempo do mundo. Trabalhar, de fato, é coisa que definitivamente não fazem. Ou o que fazem é o trabalho deles, o trabalho sujo. Nesse caso alguém os paga. Mas ainda seja, somente, maneira de dizer, perdem tempo porque (…), não importam, absolutamente, a qualquer pessoa razoavelmente educada e com um mínimo de visão crítica, (…).
E aqui as questões nodais: São apenas Magníficos no lamentável exercício de uma desforra, tentando um revide? Trata-se de um bando de desocupados malformados a serviço de (…) ou agem no sentido de tentar evitar que indisciplinas se repitam ou se tornem comuns, não importa o método a ser aplicado para obter resultados? Ou uma conjugação das três hipóteses? Os nossos amigos concluíram neste sentido.
As tentativas de desacreditá-lo vêm lá de trás, as pechas que lhe procuram impor causam espécie a quem não o conhece; e pessoas que dão ouvidos a cochichos, aceitam imputações a desconhecidos sem nenhuma evidência efetiva, sem qualquer prova formal também não merecem respeito. Gente séria não se envolve em disse-que-disse e, na hipótese, o mínimo que faz é perguntar: Porque você não se dirige diretamente a ele ou ela? Se ele, ou ela, é como você diz, perigoso/a por que não se formaliza uma denunciação junto à Autoridade competente ou se lhe propõe a ação cabível?
A Constituição Federal assegura o contraditório e a mais ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Ele/ela precisa ser ouvido/a. Também.
Há pessoas que acreditam no que querem, outras, ponderadas, se limitam aos fatos e após longo período de cochichos sem que nada aconteça ou se prove se perguntam: O que, realmente, está por trás disso?
O e-mail terá provocado apenas alvoroço, acirramento dos ânimos dessa gente, não foi isso? Rememorando situações insólitas, ligando fatos, nossos amigos situaram a radicalização dessa ridicularia numa época específica, após formatar como livro suas anotações e começar a aditá-las, com a abertura de novos capítulos, livros; uma pergunta, porém, ficou no ar: Você não publicou o livro ou divulgou o e-mail; de que forma o texto do primeiro e o conteúdo do segundo chegaram a terceiros? Você certamente se lembra de que a resposta para ela só veio depois do pente fino no disco rígido do seu computador e após considerar todos os aspectos das (…) e os ataques de rede ao seu computador.
Pessoas supostamente respeitáveis que fazem coisas feias, mentem, por exemplo, fazem coisas ainda mais feias para preservar sua imagem de bons-moços, às vezes de guias sapienciais, de anjos protetores. E, em face da verdade, quando cai a máscara precariamente afivelada pela mentira, pela dissimulação, aplicam recursos os mais estafados, desvios de comportamento característicos dos caráteres mal formados, entre eles a detração. Na absoluta falta de defesa, creem minorar suas culpas por dizer: ― Ele, com fundamentos sólidos, defende essa posição? Mas vejam só quem é ele! E, então, é hora das versões, da maledicência, não dos fatos.
Não são raras as tentativas de converter a vítima em culpado, às vezes até conseguem. E quando não conseguem fica o consolo do mal formado, a prevalência, para os néscios é óbvio, das versões e não dos fatos. O estandarte dos medíocres tem uma inscrição seguida com devoção: Amigo meu não tem defeito; inimigo, se não tiver, eu invento. E inventam mesmo. Ressalvas são, contudo, necessárias: (1) medíocre, especialmente o ferrabrás, não tem amigo, tem comparsa; (2) inimigo, para o medíocre, é todo aquele que repudia a sua maneira de ser e não faz segredo disso.
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O 1984 pode significar mais de uma coisa. Nesta era do computador há um tipo esquisito de gente — que só procura aprender o que não presta — aplicada em invadir máquinas alheias; não é necessário ser brilhante, basta preencher o pré-requisito do mau-caratismo.  Escutas telefônicas compreendem, também, um esporte amplamente praticado e, claro, não se está falando de escutas feitas com autorizações de Magistrados a partir de procedimentos judiciais ou no bojo de investigações formais da polícia judiciária, que, porém, hão  de ser feitas por períodos prefixados; não é algo para toda a vida, para controlar a vida das pessoas.
Fala-se, aqui, de gente aparentemente respeitável, mas na realidade extremamente perigosa. São delinquentes capazes da criação maliciosa, do furto, apropriação e edição fraudulenta do produto da violação de computadores e de residências, uma vez vislumbrada a possibilidade do exercício de sua má índole. Segundo profissionais sérios da área com quem conversei, por menos de cinquenta reais é possível baixar da internet um programinha que registra, fora do controle e visão do proprietário do computador, tudo o que é digitado e envia automaticamente por e-mail, para o endereço programado, todos os textos por ele criados com aplicação dia a dia, semana a semana, mês a mês. Eu peguei um na máquina na qual estava trabalhando, em casa; não soube eliminá-lo, meu filho o fez para mim. O nome da víbora: WinSpy. Quanto do meu trabalho terá sido surrupiado?
Baixar o programinha num computador que peça uma senha para carregar o sistema operacional não é problema para esse pessoal, que tem em CD ou baixa fácil da Internet — ou utiliza métodos próprios em função da sua experiência em violar computadores — programas para superar o incômodo. Basta ser mal-caráter (para não declinar aqui, neste veículo aberto, qual a classificação correta de quem invade ou patrocina a invasão de residências alheias para a instalação de spyware em computadores alheios e surrupia o que não lhes pertence, o que não criaram).
Instalado o programa, esses seres abjetos passam a conhecer as senhas de todos os arquivos, tecladas pelo proprietário da máquina à medida que abertos. Podem até prescindir dele, se descoberto e deletado, pois, como a essa altura sabem o nome do computador de sua vítima — e as senhas, se existentes para abertura dos arquivos — localizam-no na rede e conectam-se com ele. Então…
Como não poderia deixar de ser, espantei-me. E o técnico:
— Doutor, invadiram os computadores do Pentágono…
Se você é alguém que utiliza a sua máquina apenas para preencher o tempo, jogar paciência, por exemplo, pode relaxar; qualquer coisa, além disso, no entanto, deve ser feita com cautela, mesmo a simples troca de e-mails entre amigas e amigos. Nessa área a pesquisa é essencial; todos devem aprender e manter-se atualizados relativamente à sua mais relevante questão, a segurança, se os trabalhos executados no computador são algo mais do que mera diversão. Há sujeitos que despendem boa parte do dia xeretando pela rede, sentem-se bem fazendo isso, sentem-se importantes; e, não esquecer, o 1984 não-oficial está aí (…).
É preciso estar atento para minorar ou anular os efeitos da ação desses degenerados, diligenciar todo o tempo para identificá-los e localizá-los; (…). Muito importante: Segundo especialistas no assunto, com quem tenho frequentemente conversado, se um desses delinquentes tiver a sua máquina em mira, chegar fisicamente a ela e dispuser de algum tempo ― (…) ―, esquece; o estupro do computador será inevitável.
Há medidas de segurança que podem ser tomadas, é claro. E você as utilizou à medida dos recursos disponíveis ― (…) ― quando começou a sentir que alguma coisa estava muito errada. E no passo do implemento de sua proteção percebia não ser a invasão de sua máquina coisa de amadores, uma brincadeirinha qualquer. Tudo muito organizado, perderam-se pelo excesso de confiança, (…).
 
A ficha caiu num fim de tarde, era sexta-feira, 28 de novembro de 2008, recorda-se? Gighia havia sido hospitalizada dois dias antes por causa de violenta pneumonia que lhe flagelava os pulmõezinhos como uma tempestade, avassaladora, um terror. Você chegou um pouco antes de encerrar o expediente e queria sair logo para ir vê-la no hospital; logo após chegou outra pessoa. O funcionário que atendia ao balcão, aquele mesmo que, desrespeitosamente, e você não via motivo para o seu comportamento, o hostilizava a cada vez que ia lá fazer o seu trabalho, mostrou-se muito simpático, fazendo questão de atender primeiro quem chegara depois de você. E assim o fez, rápido, surpreendendo-o; você acostumara-se às aulas por ele ministradas aos frequentadores do balcão na lida do cumprimento de suas obrigações. Melhor assim, pensou, pedindo a posição do assunto que o levara até lá; ao invés de atendido, todavia, assistiu a algo inédito nos, até então, 49 anos passados desde a sua saída da Escola.
Movendo incessantemente a cabeça, fisionomia grave, andando para lá e para cá ao longo do balcão, pelo lado de dentro, como um pregador diante de sua Assembléia, ele começou, apologético de si mesmo, pelo curriculum vitæ, destacando sua atividade anterior, encerrada por força de intrigas internas, com o reconhecimento posterior de haver sido vítima de terrível injustiça. Convidado a retornar, não lhe foi possível dado o concurso prestado para um cargo oficial importante ― a expressão cargo importante é minha; ele o mencionou, o que não faço aqui por se tratar de posição oficial realmente importante ― no qual foi injustamente reprovado. Havia, é claro, recorrido, estando certo do acolhimento das suas razões em grau de recurso.
Até esse ponto despendera cerca de dez minutos. Então, nas duas horas seguintes, mãos para trás, andando para lá e para cá, fez teologia, brindando a sua plateia com intermináveis citações, umas definitivamente imprecisas, outras prenhes de equívocos, Jesus de Nazaré o tema da conferência. Ali, acolá você tentou intervir para quebrar a monotonia do discurso, lembra? O conferencista, no entanto, cortava-lhe a palavra e retomava a sua cantilena, monocórdico.
A certa altura, ao invés de impacientá-lo, aquele absurdo o comoveu. Posso estar enganado; embora o cansaço de esperar para ver até aonde iria aquele pobre homem possa tê-lo traído, você vislumbrou traços de esquizofrenia nas expressões e na pretendida grandiosidade daquele pobre rosto, no brilho anormal dos seus olhos. Dezenove e dez, sete e dez daquela noite de 28 de novembro de 2008; o moço do balcão seguinte esteve lá todo o tempo. Por quê? Para que? Era uma sexta-feira; que razão teriam para não haverem ido embora ao término do expediente, às cinco horas, de haverem permanecido ali em tão inusitadas circunstâncias? Você começou a afastar-se, de costas, não foi? Olhando para ele, que saiu da posição arredia do balcão, pelo lado de dentro, para nele se apoiar, falando sem parar. A aproximadamente cinco metros, virando-se para ir embora, você o viu agitado, quase aos pulos, e o ouviu repetindo em voz alta, aos gritos, ecoados pelos corredores vazios: ― Jesus é Deus, Jesus é Deus…. Essa gente perdeu completamente o tino, lembro-me de você haver pensado. O homem conhecia, e bem, ficara muito claro, o capítulo do seu livro referente a Jesus de Nazaré; fizera o possível para contestá-lo, cada linha, cada parágrafo, da primeira à última palavra de sua conferência.
E o seu camafeu no hospital. Correu para lá.
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Você há muito me fala do bom-mocismo, da generalizada ficção do boa-praça, do sujeito que só diz o que os outros querem ouvir, simpático, agradável, sorriso encantador, até que algo de seu interesse seja posto em jogo. É quando, vez por outra, salta a fera ou, frequentemente, rastejando, revela-se o réptil, dissimulado, destilando peçonha, sempre pronto para o ataque imprevisto, traiçoeiro, pelas costas.
 
E é nessa simpatia, (…) nesse nosso bom-mocismo (que torna o convívio com o brasileiro individualmente tão agradável), que reside nossa desgraça como nação! (Érico Veríssimo, O Senhor Embaixador, Aurélio, como exemplo de aplicação no verbete bom-mocismo).
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Bem, pondere os fatos em sua real dimensão. Há pessoas em favor de quem não fechar os olhos equivale a uma declaração de guerra; estou falando de casos concretos. Para outras, verberar grosserias e despreparo funcional, autoritarismos de pacotilha, males crônicos, é desafiar o seu poder.
Você não olhou para o outro lado, recusou-se a curvar-se a abusos, a desmandos, situou o conhecimento em termos racionais, utilizando para a primeira hipótese a via única do homem civilizado, para a segunda, a via privada do correio eletrônico, para a última a introdução do seu livro. Os procedimentos da primeira hipótese são do interesse público, mas textos de e-mails e livros ainda não publicados apenas por pirataria, por meio de fraude ou pela colheita de frutos da árvore proibida chegam até pessoas que não aquelas a quem foram apresentados ou a quem foram entregues para fins editoriais. Faz tempo. Da última vez em que nos vimos o nosso amigo Ladislau fez um abrangente apanhado da questão, paramos para refletir. Nós próprios custamos a crer na sequência de absurdos dessa afronta a todos os princípios de decência, moralidade e legalidade. Qualquer pessoa decente, habituada ao bom trato com a ordem, com a observância de normas, a não olhar para o outro lado agiria da mesma maneira.
(…).
—    Caramba, já é tarde, paramos por hoje.
—    Tudo bem! Ciao, te cuida.
—  Tranquilo, alter ego, a gente volta a conversar.
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PODE SER IMPRESSÃO MINHA, MAS, PELO COMPORTAMENTO DA MÁQUINA E DO PENDRIVE, EU POSSO NÃO ESTAR SOZINHO NO SALVAR O TEXTO ENCERRADO COMO ACIMA. SÃO 15:05 DA SEGUNDA-FEIRA, 10 DE JANEIRO DE 2011. ANTES DE COMEÇAR A DIGITAR EU ATRASEI O CALENDÁRIO PARA QUINTA-FEIRA, 13 DE JULHO DE 1995.
OUTRA COISA: EU NÃO ESTOU CONSEGUINDO ABRIR O CALENDÁRIO PARA RECOLOCÁ-LO NA DATA DE HOJE. É COMO SE A MINHA MÁQUINA ESTIVESSE SENDO CONTROLADA REMOTAMENTE. RETIREI-A DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DA DELL E, DESDE ENTÃO, NINGUÉM TEVE ACESSO A ELA. COMO JÁ REGISTREI, ELA SAIU DE LÁ PIOR DO QUE QUANDO ENTROU. INTERNET DE BANDA LARGA NEM PENSAR E ONTEM, DOMINGO, À NOITE, CONFIGUREI UMA CONEXÃO DIAL-UP QUE, CONCLUÍDA ADEQUADAMENTE, TAMBÉM NÃO FUNCIONOU.
SERÁ QUE ALGUÉM NÃO ME QUER ACESSANDO A INTERNET, LENDO E TRANSMITINDO MENSAGENS PELO E-MAIL, ATUALIZANDO MINHA PROTEÇÃO VIRTUAL, ETC, ETC?
NÃO , NÃO É NADA DISSO? É A MINHA IMAGINAÇÃO? ENGRAÇADO, ENTÃO PORQUE NÃO CONSIGO FAZER NO NETBOOK O QUE ‘ELE’ TEM DE FAZER?
AGORA COMEÇOU UMA COISA CURIOSA, A TELA MINIMIZA, EU A AUMENTO, ELA MINIMIZA. A ÚLTIMA GRACINHA FOI O FECHAMENTO DESTE ARQUIVO. OUTRA VEZ. NÃO É LINDO?
NÃO ESTOU CONECTADO À INTERNET, NÃO CONSIGO, COMO JÁ REGISTREI. OUTRA VEZ MINIMIZAÇÃO E FECHAMENTO DO ARQUIVO. ENTÃO, CONVENHAMOS, QUEM É CAPAZ DE FAZER ISSO PODE PERFEITAMENTE HACKEAR OS MEUS ARQUIVOS, O MEU TRABALHO, O QUE ESCREVO, NÃO PODE? SÓ QUE ANTES O ARTISTA SE ESCONDIA, AGORA RESOLVEU MOSTRAR-SE. ESPERO QUE SE IDENTIFIQUE OU CONTINUE A BRINCADEIRINHA ATÉ PODER SER IDENTIFICADO.
PROVAVELMENTE AÍ ESTÁ A EXPLICAÇÃO PARA UMA SÉRIE DE COISAS. OPORTUNAMENTE EU CONTO.
NÃO, EU NÃO VOU PARAR DE USAR O NETBOOK AQUI, NA MINHA CASA.
COMO TERÁ SIDO CONFIGURADA ESTA MÁQUINA NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA? SERÁ QUE A DELL TEM UMA EXPLICAÇÃO PARA ISSO?
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